FORMAÇÃO E ADUBAÇÃO DE CAPIM ELEFANTE HÍBRIDO HEXAPLOIDE

HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor

I - INTRODUÇÂO.

A queima da biomassa para a obtenção de energia elétrica, principalmente da biomassa das forrageiras e dos resíduos agroindustriais como a bagaço de cana, casca de arroz etc, é um dos processos mais promissores para suprir a demanda em sistemas isolados, principalmente em várias regiões do Brasil, pois possibilita uma conversão mais eficiente utilizando recursos locais, representando uma alternativa à utilização do diesel como fonte energética em grupos geradores de eletricidade. A biomassa em forma de briquete e/ou pelete aumenta a eficiência da gaseificação, pois proporcionam formas e granulometria mais adequadas ao processo térmico.

II - BIOMASSA DE CAPIM ELEFANTE

O capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum.) é, reconhecidamente, uma das gramíneas forrageiras de mais alto potencial produtivo, adaptando-se muito bem às condições de clima e solo de praticamente todo o Brasil A principal dificuldade existente para a expansão do cultivo do capim-elefante está relacionada à sua forma de propagação, realizada por meio de estacas, o que aumenta o custo de transporte e plantio da forrageira, impossibilita o armazenamento das estacas por longo período (PEREIRA et al., 2003), além de dificultar uma melhor distribuição das cultivares melhoradas; uma vez que, em programas de melhoramento genético desta espécie, é fundamental a utilização de sementes (XAVIER et al., 1993). Os resultados obtidos neste trabalho reforçam a possibilidade de multiplicação do capim-elefante por meio de sementes, permitindo a exploração dessa espécie em maiores áreas e também estimulando o seu melhoramento. O capim elefante híbrido foi obtido pelo cruzamento do capim elefante comum (Pennisetum purpureum Schum) com o milheto (Pennisetum americanum), mediante a adição de colcichina. Este capim foi obtido por HANNA em 1980, na Estação experimental de Tifton no Estado da Geórgia/USDA-ARS/UG-USA e em 1995 foi introduzido no Brasil, pelo Engenheiro Agrônomo Herbert Vilela, no município de São Sebastião do Paraíso (MG) através da MATSUDA GENÉTICA, com o nome de capim elefante Paraíso (homenagem ao município). O capim elefante gramínea semelhante à cana, trazida da África há mais de meio século e usada comumente como alimento para o gado. O interesse energético por esta espécie foi despertado por sua alta produtividade. Sua biomassa seca pode gerar 25 unidades de energia para cada uma de origem fóssil consumida em sua produção. Por sua vez, a cana convertida em etanol, alcança uma relação de apenas nove por uma. Mas esses dois líderes em balanço energético enfrentam desafios e caminhos distintos antes que possam competir, por exemplo, em geração de eletricidade. O interesse energético por está espécie foi despertado por sua alta produtividade. Enquanto o eucalipto, a planta mais comum no Brasil para produzir celulose e carvão vegetal, produz até 20 toneladas de biomassa seca por hectare ao ano, em média, o capim elefante produz de 30 a 40 toneladas, por hectare e por ano, segundo os dados disponíveis na literatura brasileira. Ainda, o eucalipto necessita de sete anos para alcançar porte adequado para corte, enquanto o capim, além de oferecer mais de dois cortes por ano, o seu primeiro corte pode ser feito aos 180 de idade (dias após plantio), devido ao seu rápido crescimento. Sua produtividade pode ser ampliada, já que se trata de uma espécie pouco estudada e com pouco melhoramento genético. A propagação do capim-elefante por meio de sementes tem sido utilizada por muitos pesquisadores (PEREIRA et al., 2001, 2003; JAVIER et al., 1993; VILELA et al., 2001, 2002, 2003, 2004 ).

III - FORMAÇÃO DA CULTURA.

3-1- AMOSTRAGEM DO SOLO.

Deve-se proceder à amostragem do solo para as análises químicas de acidez, macro e micro elementos, e à análise física, antes do preparo do solo. A amostra do solo, para ser representativa da área, deve ser a mais homogênea possível. Assim, a propriedade ou a área a ser amostrada deve ser subdividida em glebas ou talhões homogêneos. Nesta subdivisão ou estratificação, levam-se em conta o tipo de vegetação, a toposequencia (topo do morro, meia encosta, baixada etc.), as características perceptíveis do solo (cor, textura, condição de drenagem etc.) e o histórico da área (culturas atuais e anteriores, produtividades observadas, uso de fertilizantes e corretivos ou não etc.). Para maior eficiência na amostragem, o tamanho da gleba não deve ser superior a dez hectares. Portanto, glebas homogêneas, mas muito grandes, devem ser subdivididas em subglebas de dez hectares. Para as análises do solo trabalha-se com amostras compostas. A amostra simples é o volume de solo coletado em um ponto da gleba e a composta é a mistura homogênea das várias amostras simples coletadas em vários pontos da gleba com mesma característica. As amostras simples são obtidas através de um caminhamento em zig-zag na gleba, em pelo menos 21 pontos, e posteriormente homogeneizada (misturada) para formar a amostra composta. Para que esta seja representativa, devem ser coletadas no mínimo 21 amostras simples por gleba. Para a maioria dos solos, as amostras simples devem ser coletadas na camada de 0 a 20 cm, devendo-se levar em consideração os locais de maior concentração do volume de raízes. Antes da coleta da amostra simples deve-se limpar a superfície do solo, remover os restos vegetais não decompostos sem, contudo, remover a camada superficial do solo. A quantidade de amostra composta a ser remetida ao laboratório de análise deve ser de pouco menos de meio litro (≈ ¼ de litro) e seca à sombra, antes da remessa.

3-2- PREPARO DO SOLO.

Dependendo do tipo de vegetação existente na área e do grau de declividade é necessário fazer adequação do processo de preparo ao tipo de tratamento que será usado. Tem-se desde desmatamento/destoca com lâmina em trator pesado até aquela feita com dois tratores pesados, com uma corrente presa aos mesmos, que com suas movimentações promovem o arrepio da vegetação, seguido por toalete da área com os mesmos tratores. Este processo se aplica a áreas com cobertura vegetal do tipo cerrado denso e com pequena declividade. (< 8%). O valor da biomassa retirada destas áreas é capaz de repor o custo desta operação. Em áreas cobertas com tipos de vegetação que, predominantemente são ralas, que se assemelham a aquelas cobertas por cerrados ralos, campos nativos e de pastagens degradadas, o preparo é diferente. As áreas com pequeno grau de declividade (< 8%) têm-se como primeira medida, o uso de uma grade “pesada” e é operada em nível. Esta gradagem irá promover uma incorporação da matéria orgânica superficial, das sementes de ervas daninhas e ainda promover maior descompactação deste solo. Se for caso de aração dar preferência ao arado tipo aiveca. De acordo com a potência disponível no trator, podem-se usar arados com duas ou quatro aivecas. Sendo que a potência requerida variará de 70 a 110 H. P. Ainda, a aiveca poderá ser lisa ou recortada, se o solo for caracterizado como arenoso ou argiloso. O arado tipo aiveca deve ser dotado de um opcional que permita a aiveca se desarmar quando encontrar algum tipo de resistência. Após a aração, proceder a uma gradagem de nivelamento, logo antes do plantio. Esta operação deve ser feita, se possível, durante o período de seca.

3-3-CONSERVAÇÃO DO SOLO.

Durante as operações de preparo do solo, proceder à conservação do solo. Áreas com declividade inferior a 8%, não é necessário a conservação do solo, mas é importante o plantio em nível, por constituir a planta (forrageira) um mecanismo eficiente neste sentido, exceção em solos arenosos. Nestes casos de solos arenosos devem-se usar também cordões em contorno. Nas áreas com declividades entre oito a 18%, prepará-las com construção de cordões em contorno, sem gradiente e posterior aração e/ou gradagem do solo, independente da textura do solo, proceder estas operações em nível. Áreas com declividade entre 18 e 35%. As operações que se seguem, de desmatamento e/ou destoca, aração e/ou gradagem devem ser feitas, em nível, apenas em 2/3 da superfície inferior da elevação. A parte superior (1/3), se possuir alguma vegetação arbustiva, ela deve ser preservada, vedando-a por um período superior a cinco anos e não receber nenhum tratamento mecânico ou químico, independentemente da textura do solo. Nestas áreas superiores, não havendo vegetação arbustiva, deve-se proceder ao plantio de plantas arbóreas frutíferas e/ou leguminosas. A parte inferior (2/3 inferior) usar o capim elefante onde a declividade permitir e não fazer nenhum tipo de conservação de solo, devido à altura dos degraus que serão formados pelos terraços. Áreas com declividade acima de 35%, não devem ser utilizadas como produtoras de biomassa se o são devem ser transformadas em sistema Silvipastoril.

3-4- CORREÇÃO DA ACIDEZ DO SOLO.

De modo geral, os latossolos são pobres em nutrientes apresentam níveis muito baixos de fósforo. Ainda, estes solos apresentam certa quantidade de fósforo na forma indisponível à planta, quando o pH é baixo. Em pH maior, esse fósforo torna-se disponível. Talvez este seja o grande benefício de se fazer calagem em solos de Cerrado. O malefício que uma correção poderá trazer ao solo, quando feita erroneamente, é o de reduzir a disponibilidade de micronutrientes, podendo levar a planta a alguma deficiência (cobre zinco, boro manganês, boro). A primeira correção a ser feita é a acidez do solo e deve ser feita antes da aração, quando se usa o calcário. Os benefícios da correção com Silicato de cálcio e magnésio ou Calcário são melhoria no pH do solo, que irá proporcionar maior disponibilidade de fósforo para a planta, redução dos valores de Al+++ trocável e aumento dos níveis de Ca++ e/ou Mg++ no solo. Os Calcários são classificados em função do teor de MgO neles contidos, assim eles podem ser denominados: calcíticos (< 5% de MgO), magnesianos (5-12% de MgO) e dolomíticos (>12% de MgO). Exemplo de um ‘case’ de correção do solo com calcário, dados hipotéticos fornecidos pela Empresa fornecedora:

CARACTERISTICAS DO ALCÁRIO

 

TIPO DE CALCARIO                                             Calcário Dolomítico

 

        
VALOR DO PRNT                                                    76%

 

 

ANÁLISE DE SOLO

 

 

 

NIVEL DE CALCIO

Ca O

3,3

c.molc.  dm-3

 

NIVEL DE MAGNÉSIO

Mg O

1,6

c.molc. dm-3

 

NIVEL DE HIDROGÊNIO – acidez potencial

H + Al

3.6

meq/100 cm3

 

NIVEL DE ALUMINIO

Al

0

c.molc. dm-3

 

 

 

Calculo do Potássio

 

NIVEL DE POTÁSSIO NA ANÁLISE

K2O

240

c.molc. dm-3

 

NIVEL DE POTÁSSIO CALCULADO

K20

0, 615

c.molc. dm-3

 

 

 

CALCULO DA CAPACIDADE DE TROCA DE CÁTIONS DO SOLO A PH 7,0 (T )

 

T = Ca O + Mg O + K2O + H+ + Al+++

 

                                           T = 9,11 Cmmolc. dm-3

 

 

 

CALCULO DA PORCENTAGEM DA SATURAÇÃO DE BASE DESEJADA (V 1- V2)

 

V 1 =

100 X SB / T

 

 

 

SB =

5,52

C.molc. dm-3

 

 

V 1=

60,51

C.molc. dm-3

 

 

 

 

 

   TIIPO DE PASTAGEM

 

 

 

V 2 =

PASTAGEM LEGUMINOSA

                                   70      c.molc. dm-3

 

PASTAGEM DE GRAMINIAS

                       60       c.molc. dm-3

 

V 2 =

60

              60        c.molc. dm-3

 

 

 

 

V1- V2

- 0,51

C.molc. dm-3

 

 

 

 

CALCULO DA NECESSIDADE CORRETIVO ( NC)

 

- NC = T*((V2-V1)/100)*PRNT

 

NC = - 0,05 TON / ha.

 

 

 

CALCULO DA QUANTIDADE NECESSÁRIA -  CALCÁRIO CORRIGIDO (QC)

 

                                 QC = (NC * (SC/100))*( PF/20)*(100/PRNT)

 

                                 SB  AREA A SER APLICADA 100   %

 

                                 PF PROFUNDIDADE DO SOLO  20 cm

 

 

 

                                  QC = - 0,06 TONELADAS POR HECTARE

 

 

 

CONTRIBUIÇÃO DE NUTRIENTE DO CALCÁRIO

 

                                   Ca O                                                                  29%                                                          

 

                                   Mg O                                                                 16%                                                          

 

     

Obs. Quando o QC for negativo não aplicar calcário Os Silicatos são classificados conforme sua origem, a qual determina o teor de SiO2 total e solúvel. Os valores dos óxidos (CaO e MgO) nos silicatos também variam conforme a origem e podem variar de 26 a 43% de CaO e de 2,9 a 19,1% MgO (KONDORFER et al, 2004). Quanto ao silicato, ele pode fornecer ao solo conforme sua origem o Si solúvel (até 43% de SiO2), que é disponível para as plantas (RAIJ, 1991) e se torna muito importante em solos intemperizados de Cerrado, normalmente com nível crítico deste elemento (<18 ppm) como, também, o cálcio e o magnésio. Em situações em que se faz uso do Calcário, ou seja, em áreas cujo grau de declividade permitir, (devido à necessidade de sua incorporação) procede-se a sua aplicação no início das chuvas, seguida de incorporação, a uma profundidade de 20 a 30 cm, de preferência, com arado tipo aiveca. Após a aração, recomenda-se proceder a uma gradagem de nivelamento, logo antes do plantio. O Silicato do cálcio e magnésio, por apresentar comportamento semelhante ao dos carbonatos, pode substituir os Calcários. A forma de aplicação do Silicato é a mesma do Calcário, sem ser necessário, contudo, a antecedência em sua incorporação (pode-se aplicá-lo e proceder ao plantio imediatamente), e apresenta efeito residual longo (cinco anos), (KONDORFER et al, 2004). 3-5- CORREÇÃO DE NUTRIENTES DO SOLO. Os latossolos são pobres em nutrientes, mas têm qualidades, como pouca tendência à erosão e boa estrutura, o que permite a penetração das raízes e da água. Assim, o uso de cerrados demanda correção com nutrientes, mas o plantio compensa economicamente graças à mecanização permitida pelo relevo suave ao qual geralmente está associado. Os latossolos, que apresentam bom potencial para uso agrícola, aparecem em gradações da cor laranja (LA, LV e LVA) e estão distribuídos por todo o território brasileiro, principalmente na região Centro-Oeste, mas também no Triângulo Mineiro e no Nordeste. Estes solos são mais profundos, antigos e com baixa predisposição à erosão, e são utilizados como no Centro-oeste para a produção de grãos, principalmente soja e milho. Essa utilização agrícola é praticada em geral de forma intensiva, com aplicação maciça de corretivo de acidez e de fertilizantes químicos, bem como mecanização. A primeira medida a ser tomada antes de qualquer decisão sobre fertilização é o procedimento de análise de solo. Uma vez conhecido o valor do pH e o nível de Al+++ do solo pela análise feita proceder-se a sua correção (recomendação técnica). A correção da acidez poderá ser feita pelo Silicato de Ca++ e Mg++ ou pelo Calcário. Trabalhos feitos pela EMBRABA determinaram-se os níveis de nutrientes críticos existentes no solo de Cerrado e suas Interpretações pelo método de análise química do solo (SBCS - EMBRAPA, 1999). QUADRO1-INTERPRETAÇÃO DOS ATRIBUTOS QUIMICOS DO SOLO ANALISADO (UM CASE).

ATRIBUTOS

UNIDADE

MUITO BAIXO

      BAIXO

   MÉDIO

    ALTO

MUITO ALTO

M.O

g. dm-3

<7,0

7,1 - 20

20,1 - 40

40,1 - 70

> 70

PH(CaCl2)

 

<4,3

4,4 - 5,0

5,1 - 5,5

5,6 - 6,0

> 6,0

P(resina)

C.molc. dm-3

< 6,0

7,0 - 15

16 - 40

41 - 80

> 80

Ca

C.molc. dm-3

> 5,0

5,0 - 20

21 - 40

>40

 

Mg

C.molc. dm-3

 

          < 4,0   

    5,0 – 8,0

> 8,0

 

K

C.molc. dm-3

< 0,7

0,8 - 1,5

1,6 - 3,0

3,1 - 6,0

> 6,0

Al

C.molc. dm-3

 

< 2,0

2,0 - 5,0

> 5,0

 

CTC

C.molc. dm-3

< 16

16,1 - 43,1

43,2 - 86

86,1 - 150

> 150

V

%

< 25

26 - 50

51 - 70

71 - 90

>90

As fertilizações para o capim elefante Paraíso podem ser de correção, de formação e de manutenção. WOODARD e PRINE (1990) mostraram que o cultivo do capim elefante pode ser feito em solos de baixa fertilidade, mediante a correção do mesmo em fósforo, potássio e nitrogênio. Á época de plantio faz-se a fertilização corretiva e de formação primeiramente com o fósforo, baseado na análise química e física do solo, baseando nos Quadros Interpretação, de Disponibilidades e de Exigências. Tem - se no ‘case’ para cálculo para o fósforo e em seguida o potássio, na profundidade de 0-20 cm: P2O5 = 1,60 cmolc. dm3 , K2O = 0,615cmolc.dm3 e a análise física do solo argilo-arenoso. QUADRO 2- DISPONIBILIDADES DE FÓSFORO NO SOLO E QUANTIDADES DE FÓSFORO A SEREM ADICIONADAS.

% DE ARGILA NO SOLO NÍVEIS CRÍTICOS DE FÓSFORO DISPONÍVEL EM mg/DM³ = PPM QUANTIDADES DE FÓSFORO PARA OS NÍVEIS CRÍTICOS KG/HA DE P2O5)

60 –100%

2,8 - 5,4
Baixo

8,1- 12,0
Bom

120

50

35 - 60%

4,1 - 8,0
Baixo

12,1- 18,0
Bom

110

40

15 - 35%

6,7- 12,0
Baixo

20,1- 30,0
Bom

90

30

0 – 15%

10,1- 20,0
Baixo

30,1- 45,0
Bom

70

20

Método-MEHLICH-1

QUADRO 3 - RECOMENDAÇÕES APLICAÇÃO DE FÓSFORO POR HECTARE

NIVEIS                                                                                            

Kg

MUITO BAIXO

                          110                          P2O5

BAIXO

                           95                           P2O5 

BAIXO

                          90                          P2O5

MÉDIO

                          80                           P2O5

ALTO

                          65                          P2O5

MUITO ALTO

                          50                          P2O5

QUANTIDADES A SEREM APLICADAS

APLICAÇÃO DE P2O5

                          110                         Kg

FOSFATO DE ARAD

                          33%                        P2O5

QUANTIDADE DE FOSFATO POR HECTARE 

         363                        Kg

A fonte de fósforo para ser usada como corretiva e como de formação deve se apresentar numa forma com solubilidade gradual, para não haver perda de fósforo. Esta fonte pode ser o termofosfato, que atende esta condição. O solo sendo de baixa fertilidade, avaliado pelo fósforo (resina) das análises feitas, recomenda-se um fosfato reativo (Arad) nas mesmas condições. Seguem os cálculos da quantidade de potássio, de nitrogênio e de micro e suas épocas de aplicação, no similar ‘case’:

QUADRO 4 - RECOMENDAÇÃO DE APLICAÇÃO DE POTÁSSIO POR HETARE

 

    NIVEL                                                                                                                      Kg

MUITO BAIXO                                                                                                          120K2O

BAIXO                                                                                                                      100 K2O

 MÉDIO                                                                                                                    80 K2O

ALTO                                                                                                                        60 K2O

MUITO ALTO                                                                                                           40 K2O

 

    APLICAÇÃO DE K2O                                                                                                                                            
Quantidade pelo Quadro 4: 120 kg

 

 

 CLORETO DE POTÁSSIO                                                                                  60% K2O

 

QUANTIDADE DE CLORETO DE POTÂSSIO POR HECTARE                         120  kg

QUADRO 5- RECOMENDAÇÃO DE NITROGÊNIO POR HECTARE

   PARAMETROS PARA RECOMENDAÇÃO DE APLICAÇÃO DE NITROGÊNIO

 

ESPECIFICAÇÃO                             kg N / ha.         

 

   FAIXA DE PRODUÇÃO

Altíssima produção                          151 A 200

 41 A 50 TONELADAS MS HECTARE ANO

Alta produção                                   71 A 150

 31 A 40 TONELADAS MS HECTARE ANO

Produção Média                                50 A 70

 20 A 30 TONELADAS MS HECTARE ANO

 

 

                                    kg N / ha.

              PROD. MS t / ha.

  Aplicação de N               80 kg                                                    40

  SULFATO DE AMÔNIA

                20%                 N

QUANTIDADE DE ADUBO NITROGENADO POR HECTARE

  400

KG POR HECTARE

QUADRO 6- DISPONIBILIDADE PARA OS MICRONUTRIENTES

MICRONUTRIENTES

                CLASSIFICAÇÃO E UNIDADE (mg / dm3 = ppm)

 

MUITIO BAIXO

BAIXO

CRITICO

BOM

ZINCO

≤ 2,0

2,0 - 4,0

4,00

> 4,0

BORO

≤ 0,5

0,5 - 0,8

0,80

> 0,8

COBRE

≤ 0,3

0,3 - 0,6

0,60

> 0,6

FERRO

≤ 0,2

20 - 40

40,00

> 40

         MOLIBIDENIO

≤ 0,10

0,10 - 0,20

0,20

> 0,2

  COBALTO

≤ 0,10

0,10 - 0,25

0,25

.0,25

     MANGANÊS

≤ 2,5

2,5 - 5,0

5,00

.> 5,0

 

 

 

RESULTADO DE ANÁLISE DE MICRONUTRIENTES NO SOLO - Um ‘case’

 

 

 

MICRONUTRIENTES

MUITO BAIXO

BAIXO

    CRITICO

                  BOM

 

ZINCO

 

4,00

 

 

 

BORO

 

0,20

 

 

 

            COBRE

 

0,40

 

 

 

           FERRO

 

 

        32,00

 

 

        MOLIBIDENIO

 

 

 

 

 

           COBALTO

 

 

 

 

 

                     
MANGANÊS

 

4,00

 

 

 

 

PRODUTOS A SEREM RECOMENDADOS EM FUNÇÃO DA ANÁLISE

 

PRODUTOS

 

Zn

Bo

Cu

Fe

Mn

         Mo

FTE - BR 8

7

2,5

1

5

10

0,1

FTE - BR10

7

2,5

1

4

4

0,1

FTE- BR12

9

1,8

0,8

3

2

0,1

FTE - BR 13

7

1,5

2

2

2

0,1

 

RECOMENDAÇÃO DO COMPOSTO DE MICRO NUTRIENTE

PRODUTO

BAIXO

CRITICO

BOM

KG / ha.

KG / ha.

KG / ha.

FTE - BR 8

90

70

70

FTE - BR10

90

70

50

FTE- BR12

80

60

40

FTE - BR 13

100

80

60

Portanto, recomenda-se 90 kg/ha. de BR10, aplicado junto com o fosfato. Quarenta dias após o plantio recomenda-se aplicar o nitrogênio, próximo a planta, em cobertura e sessenta dias após o plantio aplicar o potássio com a metade de remanescente de nitrogênio, em cobertura. Todas estas recomendações são para o plantio baseadas nos níveis encontrados nas análises feitas.

3-6 QUANTIDADES DE INSUMOS PARA MANUTENÇÃO

A adubação de manutenção deve ser anual e recomenda-se fazê-la mediante monitoramento dos níveis de nutrientes do solo. De modo geral, recomenda-se como adubação de manutenção 400 kg/ha da fórmula 20: 00: 20 (NPK), após cada corte. Após o terceiro corte fazer adubação com 400 kg/ha da fórmula 20: 05: 20 (NPK).

IV - ESTABELECIMENTO DO CAPIM ELEFANTE PROPRIAMENTE DITO.

O espaçamento para o plantio do capim elefante Paraíso para a finalidade de produção de biomassa é de 0,50 a 0,60m entre linhas e contínuo na linha. Recomenda-se usar a plantadeira modelo Terence, devido suas características desejáveis a este tipo de semente.

V - PONTOS IMPOTANTES:

FIGURA 1- PLANTADEIRA - MODELO TERENCE.

Esta plantadeira possui rolos destorroa dores na parte anterior e compactadores na parte posterior, que proporcionarão, após seu uso, solo destorroado e compactado. A quantidade recomendável de sementes de capim elefante Paraíso é de 15 kg/ha. Saliente-se que 1,0 g contêm 373 sementes e que ¾ de um copo descartável (plástico) de café de 50 ml contém 375 sementes e são colocadas em um metro linear de sulco. Ou seja, são colocadas 391 sementes/m2 e/ou 58,7 (262 x 15%) sementes puras viáveis por metro. Considerando uma porcentagem de vingamento 50%, terão 29,4 plântulas por metro, potencialmente 29 plantas adultas, lembrando que há ainda os fatores climáticos. Recomenda-se durante o plantio, misturar a semente á uma quantidade de fosfato a ser usada para facilitar a descida da semente na plantadeira. A proporção desta mistura é de 1:30, ou seja, uma parte de semente para trinta partes de fosfato(peso:peso). O fosfato usado deve ser na forma de pó. Esta quantidade pode-se ser considerada como adubação de formação em solos com média fertilidade.

FIGURAII-SEMENTESDECAPIMELEFANTE

FIGURA 3- CAPIM ELEFANTE PARAÍSO COM 45 DIAS DE IDADE.

FIGURA 4- CAPIM ELEFANTE PARAISO COM 365 DIAS NA ADM- UBERLÂNDIA

Em solos arenosos, recomenda-se fazer uma compactação do solo com rolo compactador, após o seu preparo e após o plantio da forrageira. Este cuidado é muito importante pela característica desta semente forrageira. Ela tem pequeno tamanho e por conseqüência pequena quantidade reserva para a germinação. Como regra geral, para qualquer tipo de solo, é recomendável uma compactação imediatamente após o plantio. Pontos Importantes para o plantio (VILELA, et al. 2000): .● Colocar a semente sobre o solo preparado e em linha, o mais superficial possível (< 5 cm), no espaçamento recomendado ● Passar antes e após o plantio o rolo destorroador/compactador (Terence). ● O solo deve ser drenado. ●. Época de plantio, após a estabilização das chuvas, novembro a fevereiro. ● A altura de corte, deve ser em torno de 50 cm do solo, exceto no último corte antes das chuvas. ●.O primeiro corte deve ser feito após 150 dias do nascimento do capim. ●. Proceder à análise química do solo antes do plantio e anualmente, para avaliar os níveis de nutrientes necessários à adubação de manutenção.

VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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