PERSISTÊNCIA DO CAPIM ELEFANTE HÍBRIDO HEXAPLOIDE PARAÍSO

HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor

I - INTRODUÇÂO.

O híbrido hexaplóide capim Elefante Paraíso (Pennisetum hybridum cv Paraíso) (Figura 1), resultado do cruzamento do Pennisetum purpureum (capim elefante comum) com o Pennisetum glaucum (milheto), fenotipicamente se assemelha ao capim Elefante pela maior contribuição genética do Pennisetum purpureum (2/3 dos cromossomos), como conseqüência da dominância do genoma B dessa espécie sobre o genoma A do Pennisetum glaucum (GONZALES E HANNA, 1985). Mediante esse cruzamento obtém-se o híbrido triplóide, cuja semente apresenta baixa germinação. Para se obter o híbrido hexaplóide com semente viável se usa o produto colchicina, que promove a duplicação do numero de cromossomos. Os trabalhos de pesquisa feitos no Brasil, em relação à produção e valor nutritivo da forragem destas espécies, seus cultivares e seus híbridos (triplóide e hexaplóide) são vários e mostram diferenças entre eles, ora deferindo no efeito de idade de corte, nos intervalos de cortes, nos níveis e épocas de adubações (NPK), no manejo da irrigação, etc (PEDREIRA e MATTOS, 1981; GOMIDE et al, 1994; VILELA et al, 1998; TOSI et al, 1999; LIRA et al, 1999; MESQUITA e PINTO, 2000; BOTREL et al, 2000). O objetivo do trabalho foi determinar a produção e o valor nutritivo do Capim Elefante (Pennisetum hybridum) durante cinco anos, em função de quatro idades da planta à época de corte.

II - MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi conduzido (Figura1) na Fazenda Experimental Professor Hélio Barbosa, da Escola de Veterinária da UFMG, situada no município de Igarapé, Estado de Minas Gerais. O clima da região é classificado como sendo Cwa de Kopën. O solo usado foi o Latossolo Vermelho Amarelo que foi corrigido com 4t de calcário dolomítico e 1,5t de termofosfato. Após as correções o solo apresentou 65% de saturação de bases e 0,6 ppm de fósforo. Na linha de plantio (0,80m entre linhas) aplicaram-se 300 kg/ha de superfosfato simples granulado e 60 kg/ha de FTE BR12. Anualmente e após dois cortes consecutivos aplicaram-se 300 kg/ha de NPK (20: 00: 20), posteriormente aplicou-se anualmente, na primavera, 300 kg/ha de NPK (08: 28: 16). O delineamento experimental foi blocos casualizados com cinco repetições, sendo que as idades de corte constituíram os tratamentos de corte (35, 70, 105 e 140 dias). A área útil de cada parcela foi de 10m2. Foram analisados os teores de proteína bruta (AOAC, 1975), de fibra detergente neutro (GOERING e VAN SOEST, 1970) e de digestibilidade in "vitro" da matéria seca (DIVMS) pelo método de TILLEY e TERRY (1963), adaptado por MARTEN e HALGERSON (SD). As análises foram feitas no laboratório de Nutrição Animal do Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG e no laboratório de controle de qualidade da Matsuda.

III - RESULTADOS E DISCUSSÃO

A produção de matéria seca por corte aumentou (P<0,05) progressivamente de 3t para 15,1t MS/ha da idade de 35 dias para a idade de 140 dias às épocas de cortes (Tabela 1). As maiores produções obtidas são próximas as obtidas por outros pesquisadores com o gênero Pennisetum embora em condições diferentes: capim Elefante Mineiro, 20 t MS/ha GOMIDE et al, 1994); capim Elefante Mercker, 21,2 t MS/ha (PEDREIRA e MATTOS, 1982); Milheto, 20 t MS/ha (MESQUITA e PINTO, 2000); capim Elefante Paraíso, 28 t MS/ha (VILELA et al, 1998); média de nove clones de capim Elefante, 28,77 t MS/ha (BOTREL et al, 2000); maior média de oito híbridos triplóide de capim Elefante, 3 t MS/ha (LIRA et al, 1999). Sabe-se que à medida que a planta se torna mais velha (madura) o teor de matéria seca tende a se elevar, fato este observado por inúmeros pesquisadores. Em relação ao Capim Elefante o mesmo se observou (Tabela 2) e este resultado mostra os cuidados a serem tomados no momento de ensilar. Níveis de matéria seca menores do que 20% torna-se importante lançar mão de procedimentos especiais como uso de processos de emurchecimento e uso de aditivos. A proteína bruta, a FDN e a DIVMS variaram (P<0,05) de acordo com a idade da planta (Tabela 1). O teor de proteína bruta a idade de 35 dias foi de 19,1% e a DIVMS de 66,5%; valores estes que modificaram para 6,9% e 50,1% respectivamente, à idade de 140 dias. Estes resultados em proteína bruta são superiores aos obtidos por outros pesquisadores com o capim Elefante (BOTREL et al, 2000), (PEDREIRA e MATTOS, 1982) e (GOMIDE et al, 1994). Em relação a DIVMS, os valores encontrados estão próximos aos obtidos por RIBEIRO et al (1999) e VILELA et al (1998). O decréscimo da DIVMS está intimamente relacionado ao maior valor (P<0,05) de FDN que é encontrado nesta idade (VAN SOEST, 1994). Verifica-se que a produção de forragem (Tabela 1), o teor de proteína (Tabela 3) e a digestibilidade da forragem (Tabela 4) não variaram ao longo do tempo, para a mesma idade, (P>0,005), refletindo de certa forma a manutenção das propriedades deste solo bem como a uniformidade no manejo usado.

IV - CONCLUSÕES.

A forragem aos 35 dias de idade apresentou alto valor nutritivo quando comparada com as outras idades estudadas. Os resultados encontrados na condição do trabalho sugerem que esta forragem deve ser usada com idades entre 70 e 105 dias após corte, devido aos fatores ligados a produção e qualidade. Os resultados encontrados na condição do trabalho mostram que não houve variação de produção de forragem ao longo dos anos (cinco anos) e nem tampouco na qualidade da forragem, mostrando desta forma uma relativa sustentabilidade desta forrageira ao longo do tempo estudado.

V - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIATION OF OFFICIAL AGRICULTURAL CHEMISTS - AOAC. Official methods of analysis of the association of official analytical chemists. 11.ed. Washington, DC. 1015p. 1975.

BOTREL, A.M., PEREIRA, A.V., FREITAS, F.P., et al. Potencial forrageiro de nove clones de capim Elefante. RBZ, 29(2): 334-340, 2000.

GOERING, H.K.E, VAN, SOEST, P.J. FORAGES FIBER ANALYSIS. Agricultural Handbook, Washington, D.C. 20P. (AGRICULTURAL HANDBOOK, 379). 1970.

GONZALES, B. & HANNA, W.W. Cytology and reproduction behavior of pear millet Napier grass hexaploid x P. Squamulatus triespecific hybrids. J. Hered., v.72, p.382-384. 1985.

GOMIDE, J.A Formação e utilização de capineiras de capim Elefante. In: CARVALHO, M.M., ALVIM, M.J. XAVIER D.F. (EDS). Capim elefante: produção e utilização. Coronel Pacheco, M.G: EMBRAPA-CNPGL. p.81-115. 1994.

LIRA, M., DUBEUX JUNIOR, J.C.B., OLIVEIRA, C.F., et al. Competição de cultivares de capim Elefante (Pennisetum purpureum Schum) e de seus híbridos de capim Elefante x milheto (P. americanum L. LEEKE) sob pastejo. RBZ, v.28, p.936-943, 1999.

MARTEN, G.C. & HALGERSON, J.L. A two-stage in vitro rumen fermentation technique for estimating the digestibility dry matter of forage used in the quality labs. Mineanapolis: Department of Agronomy and Plant Genetic. University of Minnesota, USDA. 6p. Mimeo (SD).

MESQUITA, E.E. e PINTO, J.E. Nitrogênio e métodos de semeadura de forragem pós-colheita de sementes de milheto (Pennisetum glaucum L RBR). RBZ, v.29: 971-977, 2000.

PEDREIRA, J.V.S. e MATTOS, H.B. 1981. Crescimento estacional de 255 espécies e variedades de capim. Bol. Ind. Anim., 38(1): 220-231, 1981.

RIBEIRO, K.G., GOMIDE, J.A. e PACCIULLO, D.S.C. 1999. Adubação nitrogenada do capim Elefante cv MOTT. 2- Valor nutritivo ao atingir 80 e 120cm de altura. RBZ, v.28, n.6, p.1194 - 1202, 1999.

TILLEY, K.G and TERRY, R.A.A Two stage technique for the in vitro digestion of forage crops. J. Brit. Soc., 18(2): 104-111, 1963.

VAN SOEST, P.J. Nutritional ecology of the ruminant. Cowwallis: O & Books. 476p. 1994.

VILELA, H., NOGUEIRA, A C., TEIXEIRA, E.A., et al. Produção de forragem do capim Elefante Paraíso - híbrido hexaplóide e seu valor nutritivo. In: Anais da XXXV Reunião Anual da SBZ, Botucatu (SP). p.615-616.

VI - TABELAS

Tabela I - Idade de corte da rebrota e rendimento forrageiro por corte, do Capim Elefante , por cinco anos.

Idade de Corte (dias)

Rendimento Forrageiro (t/ha)

1º ano

2º ano

3º ano

4º ano

5º ano

35

3,0dD

3,1dD

2,9dD

2,9dD

3,2dD

70

4,6cC

4,8cC

4,7cC

4,8cC

4,5cC

105

11,5bB

10,8bB

11,0bB

11,0bB

11,0bB

140

15,6aA

15,5aA

14,8aA

14,9aA

14,7aA

a>b>c - Números seguidos por letras minúsculas diferentes dentro da coluna diferem entre si.  (P<0,05).

A>B>C - Números seguidos por letras maiúsculas iguais dentro da linha não diferem entre si.(P>0,05).

Tabela II - Idade de corte, porcentual de matéria seca por corte, produção média de matéria seca por corte, número médio de cortes por ano e produção total média de matéria seca e forragem verde do Capim Elefante , por cinco anos.

Idade de Corte (dias)

(%) Matéria Seca

Produção Média/Corte (kg MS/ha)

No de Cortes/Ano

Produção Total

Kg MS/ha

Kg FV/ha

35

16

3d

5

15c

93,75

70

17

4,7c

3

14,1c

82,94

105

18

11b

2

22b

122,22

140

20

15a 

            2

     30a   

  150,00

 

 
     
 
   
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