PLANTIO DO CAPIM ELEFANTE HÍBRIDO HEXAPLOIDE

HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor

I - INTRODUÇÂO.

Inicialmente fazer um bom preparo do solo, evitando a presença de torrões e tocos, deixando-o homogêneo e nivelado (sem pulverizá-lo). Isto é possível com uma adequada aração e posterior gradagem. Não deve ser utilizado enxada rotativa ou equipamento similar. Deve-se dar preferência a uma grade niveladora, para se conseguir o objetivo proposto. Contudo, antes do preparo do solo é necessário fazer uma amostragem do mesmo, para análise química e física. Obtido o resultado da análise, procure um técnico para proceder à interpretação dos resultados para o plantio do capim elefante. Não omitir a correção da acidez e do AL3+. A adubação corretiva durante o semeio, deve ser feita somente no sulco de plantio e com fósforo (fosfatos, preferencialmente os naturais reativos), na quantidade determinada pela análise do solo. A fonte de fósforo pode entrar em contato com a semente sem causar nenhum dano à mesma. Recomenda-se no mínimo, 500 kg/ha de fosfato para solos com baixa fertilidade. Quarenta e cinco dias após o plantio deverão completar a adubação corretiva com nitrogênio (sulfato de amônia, uréia ou similar) e 90 dias após, com potássio (cloreto de potássio) e ainda nitrogênio, tudo em cobertura. Esta aplicação deve ser de forma direcionada próximo à planta, sem entrar em contato com a mesma. O plantio normal, sem irrigação deve ser feito a partir de outubro, quando o período de chuvas estiver estabelecido. Quando usar a irrigação, o plantio deverá ser a partir de setembro na área abaixo do paralelo 18° de latitude sul. Nas latitudes maiores pode-se plantar a partir do mês de agosto, quando se dispõe de equipamentos para irrigação. Importante: Colocar a semente sobre o solo preparado em linha, o mais superficial possível e observar a quantidade (15 kg/ha).

II - PLANTIO MANUAL

Recomenda-se o plantio e a adubação com fósforo linha, para obter-se uma distribuição mais homogênea das sementes e uma maior concentração do fósforo na área. Os espaçamentos das linhas variam de 0,60 a 0,80m. O espaçamento deve ser adequado a coletadeira/picadeira existente na propriedade. Em caso de solo muito arenoso, recomenda-se compactar pelo menos as linhas de plantio. Recomenda-se de 10 a 15 kg/ha, com valor cultural de 15%. As sementes devem ficar bem na superfície do solo, uma vez que, pelo seu pequeno tamanho e conseqüentemente A sua pequena reserva, não toleram camadas de solo maiores do que dois cm sobre as mesmas. A compactação destas sementes sobre o solo é importante para que fiquem em contato com o mesmo, para evitar perda de água das sementes. A compactação pode ser feita com pneu de trator, carrinho de mão com peso (areia ou terra) ou mesmo com os pés do operador. Para plantio em áreas maiores recomenda-se um tubo condutor de sementes com um metro de comprimento. Este tubo deve apresentar um funil na parte superior de 20 cm e a abertura inferior igual ao diâmetro do tubo condutor de sementes. A altura do funil pode ser de 0,3 m e o mesmo é conectado ao tubo condutor. Portanto a altura total deste instrumento auxiliar de plantio é de 1,20m. O funil pode ser de latão ou de plástico e o tubo condutor de sementes de material plástico (PVC). Portanto, com este mecanismo auxiliar de plantio, o operador o segura com a mão e o direciona à linha de plantio e, com a outra, coloca as sementes no funil, de acordo com o espaçamento usado. Deve-se calibrar a mão do operador, baseando-se na quantidade de sementes a ser derramada por vez e o comprimento da passada.

III - PLANTIO MECÂNICO

Pode ser usadas plantadeiras de grãos, com pequenas modificações. Para este tipo de plantio as mesmas considerações de espaçamento entre linhas são também válidas. Usando as plantadeiras de milho (modelo antigo), retirar o disco de milho e o mecanismo controlador de saídas de grãos (espora). Usar o disco para o plantio de soja, ou outro de maior orifício encontrado no mercado. As sementes com fósforo granulado podem ser colocadas até o meio do recipiente. Proceder à regulagem da saída de semente, normalmente, como se faz para as demais culturas, em relação à velocidade do trator no plantio e a rotação das rodas dentadas das plantadeiras. Para as plantadeiras de soja basta apenas retirar o mecanismo controlador de saída de grãos e fazer adaptação aos espaçamentos pretendidos. No plantio mecânico não há necessidade de compactação da semente após plantio ao solo, porque as plantadeiras exercem esta função. Em ambos os sistemas recomenda-se, para facilitar o plantio, misturar a semente com a fonte de fósforo em uso na proporção de uma parte de semente (1 kg) para 20 partes de adubo (20 kg). Usar fonte de fósforo na forma granulada para facilitar a descida das sementes nas plantadeiras. Com auxilio de uma enxada pode-se retirar uma parte das aristas, para facilitar o plantio, fazendo a mistura do adubo granulado com as sementes e promover o atrito entre ambos com movimentos bruscos da enxada. A plantadeira adequada para o plantio deste tipo de semente é a Terence. Esta plantadeira é constituída por dois cochos, o dianteiro e o trazeiro. Eles têm a função de receberem a semente e o fertilizante. Contudo, como a melhor maneira de fazer o plantio do capim elefante é misturar o fertilizante a semente, se usa apenas um cocho. A mesma, ainda dispõe de dois rolos, o dianteiro que tem a função de destorroar os torrões formados sobre o solo recém preparado e o outro situado na parte posterior da plantadeira que tem a função de compactar as sementes no solo.

IV - FIGURA DE PLANTADEIRA USADA EM PLANTIO MECÂNICO.

Plantadeira modelo Terence

V- FIGURAS DO PLANTIO MANUAL

Plantio manual do Capim Elefante. Detalhes da distribuição das sementes.

Detalhe da passagem do rolo compactador após plantio manual.

 

VI - FIGURAS DO CAPIM ELEFANTE

Plantas de capim elefante com 25 dias

Plantas com, 65 dias após plantio, em solo com baixo nível de fertilidade.

Plantas com 70 dias após corte, solo com alto nível de fertilidade

 

VII - PONTOS IMPOTANTES:

●Colocar a semente sobre o solo preparado em linha, o mais superficial possível.
●Após o plantio passar o rolo compactador.
●Proceder à análise química do solo anualmente, para avaliar os níveis de nutrientes necessários à adubação de manutenção.
●O solo, deve ser bem drenado.
●Época de plantio, após a estabilização das chuvas, até no máximo 30 dias, antes do fim do período.
●A altura de corte, em torno de 50 cm do solo, exceto no último corte antes das chuvas.
●O primeiro corte, deve ser feito aos 120 dias após nascimento do capim e o segundo, terceiro e quarto, a cada 80 dias.

VIII - CONTROLE DE INVASORAS

A invasora mais comum em culturas de capim elefante é o capim Brachiaria. Toda Brachiaria e outras invasoras são muito agressivas nestas situações pelos fatos de estarem estabelecidas há muitos anos nesta área e por isto possuem uma grande reserva de sementes no solo. Ainda ocorre a movimentação do solo, pelo preparo deste, facilitando o arejamento e penetração de água e ainda a fertilização pela adubação procedida permitindo maior crescimento das invasoras. Recomendam-se controles mecânicos e químicos. Outras invasoras, como as com folha larga são muito comuns durante a fase de estabelecimento, pelo fato de se usar os solos mais férteis na propriedade. Os controles devem iniciar antes do plantio propriamente dito, para se ter uma cultura limpa, principalmente o controle mecânico (gradagens ) que pode ser iniciado dois a três meses antes do plantio. Este tratamento pode ser complementado por tratamento químico com um herbicida do Tipo Gramoxone – 200 na concentração de 1%, com 400 l/ha da solução. Normalmente o controle pós-plantio deve ser iniciado quando necessário, vai depender da infestação de plantas invasoras na área. Pode ser usado o ancinho mecânico devidamente regulado ao espaçamento usado no plantio do capim elefante. O melhor controle é o químico, pois promoverá uma limpeza melhor da área, inclusive na linha de plantio. O herbicida a ser usado é o TORDON 2,4-D, na concentração de 1,5% com aplicação de 200 litros da solução por hectare.

IX - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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HANNA, W.W., GAINES, T.P., GONZALES, B. & MONSON, W.G. 1984. Effects of ploid on yield and quality of pearl millet x napiergrass hybrids. Agron. J. 76.669-971.

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SCHANK, S.C., STAPLES, C.R., THOMPSON, K.E. & BATES, D. 1995. Forage and Silage Production from seeded pearl millet-dwarf elephantgrass hybrids. Dairy Sci. And Animal Sci. University of Florida, Gainesville. p. 1-5.

VILELA, H., RODRIGUEZ, N. & DIAS TEIXEIRA, E. Produção de forragem de um híbrido hexaplóide (Pennisetum glaucum X Pennisetum purpureum) e seu valor nutritivo. In: Anais da XXXIV Reunião da SBZ, julho de 1997, Juiz de Fora/MG.

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* VILELA, H., VILELA, D., BARBOSA, F.A., BENEDETTI, E. Análise de crescimento do Capim Elefante . Veterinária Notícias, ISSN 0104-3463. No prelo. 2003.

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