SÉRIE GRAMÍNEAS TROPICAIS - GÊNERO PENNISETUM (Pennisetum hybridum)– Capim Elefante Paraíso

HERBERT VILELA Engenheiro Agrônomo e Doutor
ERIKA STEINMETZ VILELA Engenheira Agrônoma

1 - INTRODUÇÃO

O híbrido hexaplóide Capim Elefante Paraíso é o resultado do cruzamento do capim elefante (Pennisetum purpureum Schum.) com o milheto (Pennisetum americanum (L.). Este cruzamento combinou a qualidade do milheto com o potencial de alta produção de forragem do capim elefante. Este híbrido obtido é pouco fértil (5% de germinação) e para torná-lo fértil usou-se a substância química denominada Colcichina, a qual promove o rompimento da rede citoplásmica no momento da meiose havendo, conseqüentemente, a duplicação do número de cromossomos (hexaplóide) , tornando-o, assim, viável por sementes (60% germinação). Este capim elefante híbrido foi introduzido no Brasil em 1995, pelo Engenheiro Agrônomo Herbert Vilela através da MATSUDA GENÉTICA. Daquela, até a presente data, têm sido feitos muitos trabalhos de pesquisa sobre Melhoramento Genético, Fisiologia Vegetal, Valor Nutritivo da Forragem, Formas e Modos de Conservação, Manejo da Planta sob Cortes e Pastejo, Adaptação aos Solos Brasileiros, Respostas em Nível de Nitrogênio, Fósforo e Potássio e, ainda, Métodos de Utilização da Forragem, pela equipe de pesquisadores da MATSUDA GENÉTICA, nas áreas experimentais da Empresa, Universidades e Estações Experimentais Públicas. O Capim Elefante Paraíso é uma planta altamente produtiva. Por esta razão, solos mais férteis serão aqueles onde se obterão maiores rendimentos. Esta planta possui um sistema radicular profundo, daí, não tolerar solos rasos e, conseqüentemente, úmidos. Após preparo de o solo obter amostra do mesmo, para posteriores análises química e física. Procure um técnico para interpretá-la. Fazer um bom preparo do solo, evitando presença de torrões e tocos, deixando-o homogêneo e nivelado. Proceder à adubação corretiva e de formação durante o semeio e preferencialmente no sulco. As adubações de formação referentes ao nitrogênio, potássio e micronutrientes (Zn, B e Cu) devem ser feitas em cobertura, 45 dias após o plantio. As adubações de manutenção são necessárias e obrigatórias; devem ser praticadas mediante monitoramento do solo, com análise química anual. Sempre se recomenda fazer a análise do solo antes do plantio da forragem.A semente deve ser colocada na superfície do solo e é obrigatória a posterior compactação.

2 – FORMAÇAO DE CAPIM ELFANTE PARAÍSO

Espaçamentos: Os espaçamentos a serem usados para o plantio do Capim Elefante Paraíso vão depender das finalidades de usos:

Para corte mecânico (silagem ou fornecimento verde), plantio em linha com espaçamento de 0,80 a 1,00 m.
Para corte manual, plantio em linha com espaçamento de 0,50 a 0,70 m.
Para pastejo, a lanço ou em linha com espaçamento de 0,30 a 0,50 m (quando plantado a lanço lembrar que não é possível fazer controle de invasoras).

Formas de plantio:

Plantio mecânico
Poderá ser feito com vários tipos de implementos, desde que tenham o dispositivo na plantadeira, o compartimento de adubo na forma de um cocho e ainda possuírem rolos compactadores de arraste. A semente é misturada, na proporção de uma parte de semente para 20 a 30 partes da fonte de fósforo granulado, e colocado no recipiente para adubo para, em seguida, proceder à regulagem de saída. Portanto, somente será usado o dispositivo de adubação para o plantio.

Plantio semi-mecânico
É feito com uma plantadeira qualquer, com o fim de distribuir o adubo na linha, e marcar o solo com linhas de referência para distribuição manual da semente. Em seguida, distribuir as sementes manualmente. Colocar 200 a 300 sementes por metro linear. Posteriormente, deve-se fazer compactação do solo, com rolo compactador, que pode ser feito com pneu usado ou de uma tora de madeira com cerca de 0,30 m de diâmetro, adaptada para rolar.

Plantio manual
Estender uma linha de nylon com no comprimento desejado, e espaçamento pretendido, colocando-se o adubo fosfatado sobre a linha, para servir de referência de plantio. Mudar a linha de posição, no espaçamento adotado, e proceder à colocação das sementes, manualmente, sobre o adubo, e, em seguida, à compactação (com o próprio pé). Colocam-se cerca de 200 - 300 sementes por metro linear, na linha de plantio. Sempre se recomenda fazer a análise do solo antes do plantio da forragem.

    3 - CONTROLE DE INVASORAS

A invasora mais comum, em plantio de capim elefante, é o capim Brachiaria. Toda Brachiaria e outras invasoras são muito agressivas, nestas situações, pelo fato de estarem estabelecidas há muitos anos, na área, e por isto, possuem uma grande reserva de sementes no solo. Ocorre, ainda, a movimentação do solo, pelo preparo deste, facilitando o arejamento e penetração de água e ainda a fertilização, pela adubação efetuada, permitindo maior crescimento das invasoras.Para controlá-las devemos usar controles mecânicos e químicos. Outras invasoras, como as de folha larga, são muito comuns durante a fase de estabelecimento, pelo fato de se usarem os solos mais férteis da propriedade. Os controles devem iniciar antes do plantio propriamente dito para se ter uma cultura limpa, principalmente, o controle mecânico (gradagens) que pode ser iniciado, de dois a três meses antes. Este tratamento pode ser complementado por tratamento químico com um herbicida do Tipo Gramoxone – 200 na concentração de 1%, com 400 l/ha da solução.Normalmente, o controle pós-plantio deve-se iniciar quando necessário; vai depender da infestação de plantas invasoras na área. Pode ser usado o ancinho mecânico, devidamente regulado ao espaçamento usado no plantio do capim elefante. O melhor controle é o químico, pois promoverá melhor limpeza da área, inclusive na linha de plantio. O herbicida a ser usado é o TORDON 2,4-D, na concentração de 1,5% com aplicação de 200 litros da solução por hectare.

4 - MANEJO DE CAMPIM ELEFANTE

Primeiro corte, somente 90 dias após o plantio, independentemente da finalidade de uso. Segundo corte, este não deve ser feito em abril, por causa do florescimento (queda no valor nutritivo). A altura de corte deve ser acima de 0,50 m, independentemente de seu uso seja para corte como silagem e capineira, ou como pastejo. Cortes a intervalos de 80 a 90 dias, para se obter maior rendimento forrageiro e com bom valor nutritivo.

PARA SILAGEM: Corte de dezembro/janeiro/fevereiro: usar a técnica de emurchecimento ou de um aditivo seqüestrante de água para elevar o teor de matéria seca (polpa cítrica-8%,milho desintegrado com palha e sabugo-9% etc.). O uso de aditivo bacteriano contribui para melhorar a fermentação Láctea, bem como o melaço (1 a 2%). Corte de março: usar somente a técnica do aditivo bacteriano. Uma área bem manejada produz cerca 150 t silagem/ha ou mais. A silagem de Capim Elefante é superior às demais silagem de gramíneas tropicais forrageiras. Usar o tipo de silo de menor custo, como o tipo superfície.

PARA PASTAGEM: Recomenda-se o pastejo rotacionado. A altura da planta à entrada dos animais deve ser de, aproximadamente, 1,0 a 1,20 m. A altura da planta à saída dos animais deve ser de, aproximadamente, 0,60 a 0,80 m. → A duração de pastejo, na mesma área, pode ser maior do que um dia. O intervalo entre pastejo está em função do número der piquetes. Convém salientar que estas recomendações se referem à plenitude da planta, na época de chuva, e o solo deve conter os elementos nutritivos essenciais. Para as outras estações do ano é necessária a suplementação dos animais com volumoso e concentrado, segundo o objetivo da exploração pecuária.

PARA CAPINEIRA: Os cortes devem ser feitos quando a planta alcançar 1,20 m de altura, no máximo. Esta altura vai coincidir com os cortes a intervalos de 60 a 70 dias. Este manejo é para se obter melhor valor nutritivo associado a um bom rendimento forrageiro. Não permitir que a planta ultrapasse a altura de 1,2 m em qualquer época do ano.

5 - PRODUÇÃO DE FORRAGEM

A produção de forragem do Capim Elefante Paraíso varia em função da idade da planta (Quadro 1). O rendimento forrageiro, quando a planta está com 35 dias de idade, é da ordem de 5,2 t MS/ha. Em contrapartida, esta forrageira contém cerca de 19,2% de proteína e a sua digestibilidade da ordem de 66,5%. Por outro lado, quando a planta alcança 105 dias, o seu rendimento forrageiro é de 14,5 t MS/ha por corte e o teor em proteína é da ordem de 10,2% e sua digestibilidade é de 58,5%. Os cortes devem ser praticados em intervalos de 75 dias.

QUADRO 1 – Altura da planta, produção de matéria seca (PMS-t/ha), teor de proteína bruta (%PB), fibra detergente neutra(%FDN) e digestibilidade “in vitro” da matéria seca(%DIVMS) da forragem de Capim Elefante Paraíso em quatro idades da rebrota(VILELA et al.,2001).

Idade de corte (dias)

Altura da planta (m)

PMS
(t/ha)

PB
(%)

FDN
(%)

   DIVMS
(%)

35

0,60

5,2d

19,2a

61,2c

66,5a

70

1,20

8,6c

13,6b

68,8b

62,3b

105

2,50

14,5b

10,2c

70,6b

58,5c

140

3,50

22,6a

9,1d

71,5a

50,2d

Médias dentro da coluna, seguidas por letras diferentes, diferem estatisticamente (P<0,05).

Em idades superiores a estas, o valor nutritivo está comprometido, embora se obtenha altíssimo rendimento forrageiro. Pode-se verificar pelo Quadro 1, que o valor nutritivo da planta decresce progressivamente, com a idade. Analisando estes resultados, pode-se concluir que a idade recomendável de cortes para silagem está em torno de 100 dias, pois se obterá maior quantidade de forragem digestível por hectare. Para os outros tipos e aproveitamento, como capineira ou pastagem, observa-se que os valores nutritivos são compatíveis com as idades de uso.

Com bom nível de fertilização, e com irrigação, podem-se obter 4 a 5 cortes, com um rendimento forrageiro total de 210 t/ha de matéria verde por ano. O primeiro corte sempre deve ser praticado aos 100 dias após plantio, para se obter um enraizamento satisfatório.

6 - FERTILIZAÇÃO DO CAPIM ELFANTE PARAÍSO

A primeira medida a ser tomada antes de qualquer decisão sobre adubação é o procedimento de análise de solo. Uma vez conhecido o valor do pH e o nível de Al+++ do solo pela análise, proceder-se a sua correção se necessária (recomendação técnica). A correção poderá ser feita com o silicato de cálcio e magnésio ou com calcário.

As adubações do Capim Elefante. Paraíso são divididas em três: a adubação de correção, a de formação e a de manutenção. SCHANK, et al (1995) mostraram que o cultivo do capim elefante pode ser obtido em solos pobres, mediante o uso de N, P e K na seguinte relação: 5,0: 1,0: 6,0. Variando esta relação, terão mais caules produzindo um ou mais perfilhos primários. A adubação de correção é determinada em função da análise do solo.

- Adubação corretiva: somente será conhecida após análise do solo. Procure um técnico para interpretá-la.

- Adubação de formação:
é baseada na quantidade de nutrientes necessários para a formação do estande. Recomenda-se 08-28-16kg/ha(NPK) e 60 kg/ha de BR12, na linha de plantio. Uma alternativa para adubação de formação é usar uma fonte de fósforo com solubilidade gradual, no sulco de plantio, para não haver perda de fósforo. Esta fonte pode ser o fosfato natural reativo, que atende esta condição. Usar 500 kg/ha e 60 kg/ha de BR12. Quarenta e cinco dias após o plantio recomenda-se aplicar em cobertura, 100 kg/ha de N e 95 dias após o plantio, mais 50 kg/ha de N e 60 kg/ha de K. Todas estas recomendações são para a formação.

- Adubação de manutenção:
é a reposição de nutrientes que foram removidos do solo, pela planta, durante o ano. Anualmente, recomendam-se 500 kg/ha da fórmula 20-00-20 (NPK)/ha, após cada corte e por dois cortes consecutivos. Após o terceiro corte, fazer adubação com 500 kg/ha com a 25-05-20 (NPK).

7- CARACTERÍSTICAS BÁSICAS

Nome científico: Pennisetum hybridum cv Paraíso Genética: Híbrido hexaplóide (Pennisetum purpureum x    Pennisetum Americanum)
         Origem: USA
         Ciclo vegetativo: perene
         Forma de crescimento: ereta
         Altura da planta: crescimento livre até 4,0 m
         Formas de uso: silagem, verde ”in natura” picado, pastejo rotacionado, pré- secado e fenação
         Digestibilidade: satisfatória
         Palatabilidade: alta, principalmente para Eqüídeos.
         Precipitação pluviométrica: 1.200 mm/ano
         Temperatura: ótima 25 a 40°C.
         Latitude: limite de 10° N e 20°S.
         Fotoperíodo: planta de dia curto.
         Iluminamento: não tolera sombra.
         Teor de proteína: 18% no verão e 9% no inverno.
         Produção de forragem: 40 a 50 t MS/ha/ano.
         Tolerância a insetos: tolera a cigarrinha.

8 - RECOMENDAÇÕES AGRONÔMICAS

Fertilidade do solo: acima da média.
          Forma de plantio: sementes
          Modo de plantio: em linha para facilitar tratos culturais
          Espaçamentos: 0,80 a 1,0 m entre sulcos para corte e 0,30 m entre sulcos para pastejo
          Profundidade de plantio: 0,2 cm
          Sementes necessárias: 10 a 12 kg/ha
          Tempo para utilização: mais 100 dias após o plantio
          Tolerância à seca: média
          Tolerância ao frio: alta
          Tolerância a solos mal drenados: baixa
          Consorciação: nenhuma
          Adubação: de acordo com as recomendações técnicas determinadas pela análise de solo. A cultura de Capim   
          Elefante. Paraíso retira por ano, em média, 100 kg de N, 70 kg de P e 80 kg de K do solo.
          Dormência da semente: não há
          Pureza: 30 a 25%
Germinação: 35 a 45%

9 - CONTEÚDO EM AMINO ÁCIDOS DO CAMPIM ELEFANTE PARAÍSO

Arg

Cis

Gli

Hys

Ils

Leu

Lis

Met

Fe

Tre

Tri

Tir

Val

2,1

0,2

-

1,9

4,7

6,2

3,1

1,4

7,3

3,8

0,6

4,9

5,9

10 - LITERATURA CONSULTADA

* BOGDAN, A. V. Tropical posture and fodder plants – Grasses and legumes. London and New York, 475 p., 1977.

* VILELA, H., RODRIGUEZ, N. & DIAS TEIXEIRA, E. Produção de forragem de um híbrido hexaplóide (Pennisetum glaucum X Pennisetum purpureum) e seu valor nutritivo. In: Anais da XXXIV Reunião da SBZ, julho de 1997, Juiz de Fora/MG.

* VILELA, H., BARBOSA, F.A. Intervalo de cortes e produção de matéria seca do Capim Elefante . Anais: II Congresso Brasileiro de Produção Animal. Terezina/PI. 23 a 24 p. 2000. ISBN: 63600981.

* VILELA, H., BARBOSA, F.A., RODRIGUEZ, N. e BENEDETTI, E. Efeito da idade planta sobre a produção e valor nutritivo do Capim Elefante (Pennisetum hybridum). Anais: XXXVIII Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia. Julho de 2001. Piracicaba/SP. 320 a 321, p. 2001. ISBN: 63600981.

* VILELA, H., BARBOSA, F.A, RODRIGUEZ, N. Qualidade das silagens de Capim Elefante submetidas a três tempos de emurchecimento. Anais: XXXVIII Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia. julho de 2001. Piracicaba/SP. 323 a 324 p. 2001. ISBN: 63600981.

* VILELA, H., VILELA, D., BARBOSA, F.A., BENEDETTI, E. Irrigação do Capim Elefante . Anais da XXXIX Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia. julho de 2002.URPE-Recife/PE, CD, 2002.

* VILELA, H., BARBOSA, F.A., RODRIGUEZ, N., BENEDETTI, E., NOGUEIRA, A.C. Produção e composição química do Capim Elefante submetido a três alturas de corte. Anais da XXXIX Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia. Julho de 2002. URPE. Recife/PE, CD, 2002.

* VILELA, H., VILELA, D., BARBOSA, F.A., BENEDETTI, E. Análise de crescimento do Capim Elefante . Veterinária Notícias, ISSN 0104-3463. No prelo. 2003.

* VILELA, H., VILELA, D., BARBOSA F.A., BENEDETTI, E. Quantidade de água suplementar para o Capim Elefante . Veterinária Notícias, ISSN 0104-3463. 2003.

* VILELA, H., BARBOSA, F.A, BENEDETTI, E. Produção de leite em pastejo rotacionado de Capim Elefante com e sem suplementação com caroço de algodão. Anais da XL Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia. julho de 2003.UFRSM. Santa Maria/RS. CD, 2003.

 
     
 
   
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