SILAGEM DE CAPIM ELEFANTE PARAÍSO EMURCHECIDA

HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor

I - INTRODUÇÂO.

Pesquisas com Capim Elefante Paraíso com o objetivo de produzir silagem devem ser intensificadas para avaliar o potencial forrageiro deste germoplasma. O plantio deste híbrido perene deve ser estimulado para este propósito com o objetivo de reduzir o plantio anual do milho ou sorgo para este fim, visto apresentarem custos de produção elevados. Trabalhos de SCHANK et al (1995) mostram que o Capim Elefante Paraíso pode ser ensilado sem nenhum aditivo ou tratamento. Estes autores ensilaram o capim elefante aos 42 e 84 dias de idade, um teor de 16,7 e 20,4% de matéria seca. O pH da silagem obtida foi de 3,8 e 4, a proteína bruta foi 12,5% e 9% e o teor de ácido láctico foi de 80 e 83% (porcentagem do total de ácidos orgânicos). Comentam que houve perdas de 1,3 e 2% na digestibilidade da matéria orgânica, em relação ao tempo ao ensilar. O teor de carboidratos solúveis na planta permitiu que se fizesse boa silagem sem nenhum tratamento. Ainda, verificaram que o teor de ácido láctico encontrado permite classificar a silagem como sendo de alta qualidade. Silagem com níveis acima de 60.%, são consideradas de boa qualidade. Os outros parâmetros como teor de proteína bruta e digestibilidade ajudam a classificar uma silagem como sendo de ótima qualidade (padrão alimentar). VILELA et al (2000) recomendam que, no ano de plantio, se proceda ao primeiro corte para ser ensilado, somente em fins do mês de março, antes do florescimento total do capim. Com este manejo consegue-se um estabelecimento mais eficiente da cultura, devido a um maior desenvolvimento do sistema radicular. Por outro lado, perde-se um pouco do seu valor nutritivo devido a sua idade (100 a 120 dias após o plantio), a proteína estará em torno de 10% e a digestibilidade da matéria seca em torno de 53% (VILELA et al, 2001), Os cortes para serem ensilados, nos anos subseqüentes ao do plantio, devem seguir a recomendações corretas. VILELA et al (2000), sugerem que o primeiro corte deve ser feito em janeiro se houver repouso (descanso), da área a partir de outubro. A esta época, a planta estará com cerca de dois metros de altura e o seu rendimento será em torno de 75t/ha de forragem verde, se o espaçamento for de 70cm entre linhas. Nesta época, o teor de matéria seca da forragem estará muito baixo (15%), o que é impróprio para ser ensilado, sem nenhum tratamento prévio. Os tratamentos vão desde o emurchecimento (VILELA et al, 2000 e TOSI et al,1999), até o uso de aditivos e/ou inoculantes (Silomax) ou combinações deles. O emurchecimento consiste em cortar a forragem, picá-la e deixá-la exposta ao sol por um período de 6 a 12 horas, aproximadamente. Devem-se evitar chuvas as quais provocam lixiviação dos elementos nutritivos. Contudo, este material emurchecido perde certa quantidade de carboidratos (energia), devido à continuação da respiração das células vegetais (VILELA et al, 2000). O ideal seria adicionar o inoculante Silomax ao material fresco com o objetivo de melhorar a fermentação láctea, pela bactéria adicionada. Este inoculante adicionado proporcionará uma silagem de melhor qualidade devido à rápida produção de ácido láctico e conseqüentemente queda rápida no pH no material ensilado. Menor pH (3,2) melhor será a silagem (ROTZ e MUCK, 1994). Outro recurso disponível para controlar o baixo teor de matéria seca da forragem é adicionar, cerca de 10% de produtos que venham elevar este teor na matéria ensilada (polpa cítrica, milho desintegrado com palha e sabugo, etc.), (TOSI et al, 1999, ALMEIDA et al, 1986 e LAVEZZO et al,1978) ou corrigir o nível de carboidratos na forragem ensilada, adicionando desde 1 a 3% de produtos ricos no mesmo como o melaço em pó (ou 5% farelo de trigo, farelo de arroz, milho moído, etc.), (CONDE, 1970). O segundo corte do capim pode ser feito em março, antes do seu florescimento em abril. A esta época, a forragem apresenta um teor de matéria seca em torno de 20%, permitindo assim que se faça uma silagem de boa qualidade (12% de proteína bruta e 60% de digestibilidade (VILELA et al, 2001).

II - MATERIAL E MÉTODOS

O material cortado a ser ensilado foi colocado em silos do tipo superfície, uma vez que são os que apresentam menores custos de implantação. Convém salientar que o material cortado também poderá ser colocado em outros tipos de silos (silo trincheira, cilíndrico aéreo, cilíndrico subterrâneo ou cisterna ou cilíndrico de encosta), desde que observadas as recomendações gerais para o processo de ensilagem. O Capim Elefante Paraíso (Pennisetum hybridum cv. Paraíso) foi cortado aos 70 dias de idade. Parte da forragem foi ensilada fresca (17,5% MS), parte foi emurchecida por 6 horas (25,6% MS) e outra parte por 12 horas (31,2% MS) e, posteriormente, ensiladas.

III - RESULTADOS E DISCUSSÃO

1 – Valor nutritivo das silagens

As análises da forragem natural (17,5%MS) são apresentadas no Quadro Um. As análises da forragem emurchecida (31,2% MS) apresentaram menores valores de carboidratos solúveis menores do que as outras e o mesmo valor de poder tampão. O tratamento por 6 horas de emurchecimento não influiu nos teores de FDN, FDA e PB, enquanto o por 12 horas reduziu também os teores de FDN e PB (P < 0,05). O emurchecimento por 12 horas ainda resultou em menor produção de ácido lático, menor produção de amônia e menor valor de DIVMS na silagem (P < 0,05). (QUADRO1) .

QUADRO 1 - Forragem de Capim Elefante Paraíso e de suas silagens.

PARÂMETROS

TEMPOS DE EMURCHECIMENTO

ZERO HORA

6 HORAS

12 HORAS

PRODUÇÃO (t/ha) E COMPOSIÇÃO PARCIAL DA FORRAGEM

PROD. (t/MS)

18,40a

18,02a

18,56a

MS (%)

17,50c

25,60b

31,20a

CHO sol. (% MS) (1)

17,67a

17,07a

15,33b

PT (2)

29,87a

30,34a

29,07a

COMPOSIÇÃO DA FORRAGEM (%)

FDN

59,10a

59,15a

56,14b

FDA

35,70b

36,16b

39,96a

PB

13,75a

13,86a

9,16b

QUALIDADE DA SILAGEM

pH

3,8a

3,0b

3,9a

N-NH (3) (% N Total)

27,08a

26,96a

25,10b

Ac. láctico (%MS) (3)

7,14a

8,65a

5,50b

Ac. Butírico (%MS) (3)

0,010a

0,005a

0,018a

DIVMS (%) (4)

60,16a

61,14a

57,26b

(a, b, c, P < 0,05) Números seguidos por letras minúsculas diferentes, dentro da mesma linha, diferem significativamente.

(1) Carboidratos solúveis (% na MS); (2) Poder tampão ao HCL (eq. mg. de HCL/100g MS); (3) Ácidos graxos voláteis (g ácido/100g MS); (4) Digestibilidade "in vitro" da matéria seca

A digestibilidade "in vitro" da matéria seca da silagem foi diminuída em 9,36% pela exposição ao sol por 12 horas, depreciando assim a qualidade da silagem. Os resultados obtidos sugerem que esta forragem não deve passar por este tipo de tratamento para melhorar a qualidade da silagem, possivelmente em função do maior teor de carboidratos encontrados.

2 - Custo de produção da silagem de Capim Elefante Paraíso

Computaram-se custos de formação da forrageira (R$ 950,00/ha), custo de manutenção anual da cultura (R$ 850,00/ha) e os custos de confecção da silagem (mão de obra, horas máquinas, lona plástica), obtendo um custo final de R$ 16,00/t de silagem. Considerou que a vida útil da cultura será de cinco anos, com dois cortes por ano, com rendimento médio de 18 t /ha/corte. Este valor significa em silagem, 70 t /ha por corte.

2-1 Implatação (distribuição em 04 anos).

ITEM

CUSTO/ha

CUSTO/t

Insumos

R$ 653,25

R$ 1,09

Mecanização

R$ 251,90

R$ 0,42

SUBTOTAL à    

R$ 1,51

2-2 Mecanização /ano

ITEM

QTDE/ha

Vr.UNIT/ha

CUSTO/ha

CUST/t

Irrigação

1000 h

R$ 224,00

R$ 224,00

R$ 1,50

Adubação

4 h

R$ 15,00

R$ 60,00

R$ 0,40

Estercagem

1 h

R$ 15,00

R$ 60,00

R$ 0,40

Colheita

0,7 h

R$ 50,00

R$ 35,00

R$ 0,23

Compactação

1 H

R$ 30,00

R$ 30,00

R$ 0,20

Transporte

72 km

R$ 150,00

R$ 150,00

R$ 1,00

SUB TOTAL à

R$ 3,73

2-3 Insumos

ITEM

QTDE/ha

VR.UNIT/R$

CUSTO/ha

CUSTO/t

Lona plastica

1,05m2

456,00/R

R$ 27,26

R$ 0,18

Ureia

800kg

305,60t

R$ 244,48

R$ 1,62

Cloreto potássio

600kg

330,00t

R$ 198,09

R$ 1,32

Inseticida karate

1,2l

33,00/l

R$ 39,60

R$ 0,26

Esterco

35t

2,00/t

R$ 70,00

R$ 0,46

Super simples

500kg

188,00/t

R$ 94,00

R$ 0,62

Inoculante

0,100kg

17,00/kg

5kg

R$ 1,13

SUBTOTAL

R$ 5,59

2-4 Mão de Obra

ITEM

QTDE/ha

VR. UNIT/R$

CUSTO/ha

CUSTO/t

Aj colheita

1,24h

1,66

R$ 2,00

R$ 0,02

Aj adubação

1,24h

1,66

R$ 2,00

R$ 0,02

SUBTOTAL à  

R$ 0,04

TOTAL  

R$ 10,87/t

+20% custo de Administração  

R$ 2, 174

+ 6% Custo Financeiro  

R$ 0, 6522

TOTAL GERAL  

R$ 13,69/t

A forragem aos 35 dias de idade apresentou alto valor nutritivo quando comparada com as outras idades estudadas. Os resultados encontrados na condição do trabalho sugerem que esta forragem deve ser usada com idades entre 70 e 105 dias após corte, devido aos fatores ligados a produção e qualidade. Os resultados encontrados na condição do trabalho mostram que não houve variação de produção de forragem ao longo dos anos (cinco anos) e nem tampouco na qualidade da forragem, mostrando desta forma uma relativa sustentabilidade desta forrageira ao longo do tempo estudado.

IV - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, E.X., PINTO, J.C. & PEREZ, J.R.O. 1986. Cama de frango e cana-de-açucar na qualidade da silagem de Pennisetum purpureum Schum. Cv Cameroon. R. Soc. Bras. Zootec., 15(3):193-199.

CONDE, A.R. Efeito da adição do fubá sobre qualidade da silagem do capim-elefante cortado com diferentes idades. Viçosa, 1970. 28 p. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) Universidade Federal de Viçosa, 1970.

LAVEZZO, W. & CAMPOS, J. 1978. Efeito da adição da cama de galinheiro ao capim elefante "Napier" (Pennisetum purpureum Schum.) R. Ceres, 25 (138):127-137.

LAVEZZO, W., LAVEZZO, O.E.N.M. & BONASSI, I.A. 1989. Valor nutritivo do capim elefante (Pennisetum purpureum Schum.) cultivares Mineiro e Vruckona, submetidos ao emurchecimento e diferentes aditivos inibidores da fermentação. R. Fac. Med. Vet. Zootec. USP. 26 (2):249-258.

TOSI, P., MATTOS, W.R.S., TOSI, H., JOBIM, C.C. & LAVEZZZO, W. 1999. Avaliação do Capim elefante (Pennisetum purpureum Schum.) Cultivar Taiwan A-148, Ensilado com Diferentes Técnicas de Redução de Umidade. Rev. bras. zootec., v. 28, n. 5, p. 947-954.

VILELA, H., RODRIGUEZ, N. & DIAS TEIXEIRA, E. Produção de forragem de um híbrido hexaplóide (Pennisetum glaucum X Pennisetum purpureum) e seu valor nutritivo. In: Anais da XXXIV Reunião da SBZ, julho de 1997, Juiz de Fora/MG.

 
     
 
   
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