Capim Elefante Paraíso (Pennisetum hybridum)
HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor
I - Introdução
O híbrido inter-específico capim elefante Paraíso é o resultado do cruzamento do milheto (Pennisetum glaucum (L) R.Br) com o capim elefante (Pennisetum purpureum Schum), (HANNA et al., 1984).
Este cruzamento combinou a qualidade do milheto com o potencial de alta produção de matéria seca do capim elefante. Na realidade a obtenção do híbrido fértil não é simples como apresentado. Este híbrido obtido é estéril (triplóide-n) e para torná-lo fértil (reprodução sexuada), ou seja, hexaplóide (6n) usou-se se a Colcichina com o fim de dobrar o número de cromossomos. Portanto, o capim elefante Paraíso é um capim híbrido hexaplóide e que se multiplica pôr sementes (MACOON, 1992).
O capim elefante híbrido foi introduzido no Brasil em 1995, pelo Engenheiro Agrônomo Herbert Vilela através da Empresa Matsuda. Desta data, até a presente, têm sido feitos trabalhos intensos de pesquisa sobre melhoramento genético, fisiologia vegetal, valor nutritivo da matéria seca, adaptação aos solos brasileiros, respostas a níveis de nitrogênio, fósforo, potássio e irrigação; e métodos de conservação da forragem produzida, pela equipe de pesquisadores da Matsuda Genética, nas áreas experimentais da Empresa, Universidades e Estações Experimentais.
O nome Paraíso trata-se de uma homenagem ao Município de São Sebastião do Paraíso onde foi introduzido o capim, em 1995.
II - Persistência
O capim elefante Paraíso é perene. A planta acumula reservas na forma de carboidratos (amido) nos rizomas até o final do outono, o que favorece a sua persistência. Entretanto, cortes contínuos, a intervalos de 28 dias, reduz o vigor das rebrotas até sua completa exaustão das reservas (VILELA et al., 1997).
Plantas cortadas duas vezes pôr ano apresentam a mesma reserva nos rizomas do que aquelas não cortadas (DIZ et al., 1994). A persistência é uma característica desejável para a produção de sementes neste cultivar, uma vez que a planta pode ser cortada para essa fim durante muitos anos. DIZ et al., (1994) obteve pôr seleção, ótimos genótipos que mostraram boa persistência em vigor adequado pôr vários anos após o estabelecimento.
A sobrevivência após corte variou de 88 a 100%, no decorrer do trabalho. SCHANK et al., (1989) verificaram que este híbrido tolera temperaturas muito baixas (-18ºC). Verificaram que após esta condição de estresse térmico, 27% das plantas retiveram todas as folhas, enquanto 35% das plantas não retiveram nenhuma folha, mas não morreram. As demais plantas retiveram 50% das folhas.
Os trabalhos iniciais com esta planta foram aqueles referentes a seção massal. Procurou-se eliminar os indivíduos que estavam fora do padrão fenotípico dominante da população.
2.1 Sustentabilidade do Capim elefante Paraíso - Persistência
2.1.1 Introdução
O híbrido hexaplóide capim Elefante Paraíso (Pennisetum hybridum cv Paraíso) (Figura 1), resultado do cruzamento do Pennisetum purpureum (capim elefante comum) com o Pennisetum glaucum (milheto), fenotipicamente se assemelha ao capim Elefante pela maior contribuição genética do Pennisetum purpureum (2/3 dos cromossomos), como conseqüência da dominância do genoma B dessa espécie sobre o genoma A do Pennisetum glaucum (GONZALES E HANNA, 1985). Mediante esse cruzamento obtém-se o híbrido triplóide, cuja semente apresenta baixa germinação. Para se obter o híbrido hexaplóide com semente viável se usa o produto Colchicina, que promove a duplicação do numero de cromossomos.
Os trabalhos de pesquisa feitos no Brasil, em relação à produção e valor nutritivo da forragem destas espécies, seus cultivares e seus híbridos (triplóide e hexaplóide) são vários e mostram diferenças entre eles, ora deferindo no efeito de idade de corte, nos intervalos de cortes, nos níveis e épocas de adubações (NPK), no manejo da irrigação, etc (PEDREIRA e MATTOS, 1981; GOMIDE et al, 1994; VILELA et al, 1998; TOSI et al, 1999; LIRA et al, 1999; MESQUITA e PINTO, 2000; BOTREL et al, 2000).
O objetivo do trabalho foi determinar a produção e o valor nutritivo do capim elefante Paraíso (Pennisetum hybridum) durante cinco anos, em função de quatro idades da planta à época de corte.
2.1.2 Material e Métodos
O trabalho foi conduzido (Figura1) na Fazenda Experimental Professor Hélio Barbosa, da Escola de Veterinária da UFMG, situada no município de Igarapé, Estado de Minas Gerais. O clima da região é classificado como sendo Cwa de Kopën. O solo usado foi o Latossolo Vermelho Amarelo que foi corrigido com 4t de calcário dolomítico e 1,5t de termofosfato. Após as correções o solo apresentou 65% de saturação de bases e 0,6 ppm de fósforo. Na linha de plantio (0,80m entre linhas) aplicaram-se 300 kg/ha de superfosfato simples e 60kg/ha de FTE BR12. Anualmente e após dois cortes consecutivos aplicaram-se 300 kg/ha de NPK (20: 00: 20), posteriormente aplicou-se anualmente, na primavera, 300kg/ha de NPK (08: 28: 16). O delineamento experimental foi blocos casualizados com cinco repetições, sendo que as idades de corte constituíram os tratamentos de corte (35, 70, 105 e 140 dias). A área útil de cada parcela foi de 10m2.
Foram analisados os teores de proteína bruta (AOAC, 1975), de fibra detergente neutro (GOERING e VAN SOEST, 1970) e de digestibilidade in "vitro" da matéria seca (DIVMS) pelo método de TILLEY e TERRY (1963), adaptado por MARTEN e HALGERSON (SD). As análises foram feitas no laboratório de Nutrição Animal do Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG e no laboratório de controle de qualidade da Matsuda.
2.1.3 Resultados e Discussão
A produção de matéria seca por corte aumentou (P<0,05) progressivamente de 3t para 15,1t MS/ha da idade de 35 dias para a idade de 140 dias às épocas de cortes (Tabela 1). As maiores produções obtidas são próximas as obtidas por outros pesquisadores com o gênero Pennisetum embora em condições diferentes: capim Elefante Mineiro, 20tMS/ha GOMIDE et al, 1994); capim Elefante Mercker, 21,2tMS/ha (PEDREIRA e MATTOS, 1982); Milheto, 20tMS/ha (MESQUITA e PINTO, 2000); capim Elefante Paraíso, 28tMS/ha (VILELA et al, 1998); média de nove clones de capim Elefante, 28,77tMS/ha (BOTREL et al, 2000); maior média de oito híbridos triplóide de capim Elefante, 3tMS/ha (LIRA et al, 1999).
Sabe-se que à medida que a planta se torna mais velha (madura) o teor de matéria seca tende a se elevar, fato este observado por inúmeros pesquisadores. Em relação ao capim elefante Paraíso o mesmo se observou (Tabela 2) e este resultado mostra os cuidados a serem tomados no momento de ensilar. Níveis de matéria seca menores do que 20% torna-se importante lançar mão de procedimentos especiais como uso de processos de emurchecimento e uso de aditivos.
A proteína bruta, a FDN e a DIVMS variaram (P<0,05) de acordo com a idade da planta (Tabela 1). O teor de proteína bruta a idade de 35 dias foi de 19,1% e a DIVMS de 66,5%; valores estes que modificaram para 6,9% e 50,1% respectivamente, à idade de 140 dias. Estes resultados em proteína bruta são superiores aos obtidos por outros pesquisadores com o capim Elefante (BOTREL et al, 2000), (PEDREIRA e MATTOS, 1982) e (GOMIDE et al, 1994). Em relação a DIVMS, os valores encontrados estão próximos aos obtidos por RIBEIRO et al (1999) e VILELA et al (1998). O decréscimo da DIVMS está intimamente relacionado ao maior valor (P<0,05) de FDN que é encontrado nesta idade (VAN SOEST, 1994).
Verifica-se que a produção de forragem (Tabela 1), o teor de proteína (Tabela 3) e a digestibilidade da forragem (Tabela 4) não variaram ao longo do tempo, para a mesma idade, (P>0,005), refletindo de certa forma a manutenção das propriedades deste solo bem como a uniformidade no manejo usado.
2.1.4 Conclusões
A forragem aos 35 dias de idade apresentou alto valor nutritivo quando comparada com as outras idades estudadas.
Os resultados encontrados na condição do trabalho sugerem que esta forragem deve ser usada com idades entre 70 e 105 dias após corte, devido aos fatores ligados a produção e qualidade.
Os resultados encontrados na condição do trabalho mostram que não houve variação de produção de forragem ao longo dos anos (cinco anos) e nem tampouco na qualidade da forragem, mostrando desta forma uma relativa sustentabilidade desta forrageira ao longo do tempo estudado.
2.1.5 Referências Bibliográficas
ASSOCIATION OF OFFICIAL AGRICULTURAL CHEMISTS - AOAC. Official methods of analysis of the association of official analytical chemists. 11.ed. Washington, DC. 1015p. 1975.
BOTREL, A.M., PEREIRA, A.V., FREITAS, F.P., et al. Potencial forrageiro de nove clones de capim Elefante. RBZ, 29(2): 334-340, 2000.
GOERING, H.K.E, VAN, SOEST, P.J. FORAGES FIBER ANALYSIS. Agricultural Handbook, Washington, D.C. 20P. (AGRICULTURAL HANDBOOK, 379). 1970.
GONZALES, B. & HANNA, W.W. Cytology and reproduction behavior of pear millet Napier grass hexaploid x P. Squamulatus triespecific hybrids. J. Hered., v.72, p.382-384. 1985.
GOMIDE, J.A Formação e utilização de capineiras de capim Elefante. In: CARVALHO, M.M., ALVIM, M.J. XAVIER D.F. (EDS). Capim elefante: produção e utilização. Coronel Pacheco, M.G: EMBRAPA-CNPGL. p.81-115. 1994.
LIRA, M., DUBEUX JUNIOR, J.C.B., OLIVEIRA, C.F., et al. Competição de cultivares de capim Elefante (Pennisetum purpureum Schum) e de seus híbridos de capim Elefante x milheto (P. americanum L. LEEKE) sob pastejo. RBZ, v.28, p.936-943, 1999.
MARTEN, G.C. & HALGERSON, J.L. A two-stage in vitro rumen fermentation technique for estimating the digestibility dry matter of forage used in the quality labs. Mineanapolis: Department of Agronomy and Plant Genetic. University of Minnesota, USDA. 6p. Mimeo (SD).
MESQUITA, E.E. e PINTO, J.E. Nitrogênio e métodos de semeadura de forragem pós-colheita de sementes de milheto (Pennisetum glaucum L RBR). RBZ, v.29: 971-977, 2000.
PEDREIRA, J.V.S. e MATTOS, H.B. 1981. Crescimento estacional de 255 espécies e variedades de capim. Bol. Ind. Anim., 38(1): 220-231, 1981.
RIBEIRO, K.G., GOMIDE, J.A. e PACCIULLO, D.S.C. 1999. Adubação nitrogenada do capim Elefante cv MOTT. 2- Valor nutritivo ao atingir 80 e 120cm de altura. RBZ, v.28, n.6, p.1194 - 1202, 1999.
TILLEY, K.G and TERRY, R.A.A Two stage technique for the in vitro digestion of forage crops. J. Brit. Soc., 18(2): 104-111, 1963.
VAN SOEST, P.J. Nutritional ecology of the ruminant. Cowwallis: O & Books. 476p. 1994.
VILELA, H., NOGUEIRA, A C., TEIXEIRA, E.A., et al. Produção de forragem do capim Elefante Paraíso - híbrido hexaplóide e seu valor nutritivo. In: Anais da XXXV Reunião Anual da SBZ, Botucatu (SP). p.615-616.
2.1.6 Tabelas
Tabela - Idade de corte da rebrota e rendimento forrageiro por corte, do capim elefante Paraíso, por cinco anos.
Idade de Corte (dias) |
Rendimento Forrageiro (t/ha) |
1º ano |
2º ano |
3º ano |
4º ano |
5º ano |
35 |
3,0dD |
3,1dD |
2,9dD |
2,9dD |
3,2dD |
70 |
4,6cC |
4,8cC |
4,7cC |
4,8cC |
4,5cC |
105 |
11,5bB |
10,8bB |
11,0bB |
11,0bB |
11,0bB |
140 |
15,6aA |
15,5aA |
14,8aA |
14,9aA |
14,7aA |
a>b>c - Números seguidos por letras minúsculas diferentes dentro da coluna diferem entre si. (P<0,05). |
A>B>C - Números seguidos por letras maiúsculas iguais dentro da linha não diferem entre si.(P>0,05). |
Tabela - Idade de corte, porcentual de matéria seca por corte, produção média de matéria seca por corte, número médio de cortes por ano e produção total média de matéria seca e forragem verde do capim elefante Paraíso, por cinco anos.
Idade de Corte (dias) |
(%) Matéria Seca |
Produção Média/Corte (kgMS/ha) |
No de Cortes/Ano |
Produção Total |
kgMS/ha |
kgFV/ha |
35 |
16 |
3a |
5 |
15b |
93,75 |
70 |
17 |
4,7c |
3 |
14,1c |
82,94 |
105 |
18 |
11b |
2 |
22a |
122,22 |
140 |
20 |
|
|
|
|
III - Fertilização
A primeira medida a ser tomada antes de qualquer decisão sobre adubação é o procedimento de análise de solo. Uma vez conhecido o valor do pH e o nível de Al+++ do solo pela análise feita proceder-se a sua correção se necessária (recomendação técnica). A correção poderá ser feita como foi visto pelo silicato de Ca e Mg ou pelo calcário.
As adubações do capim elefante Paraíso podem ser são divididas em duas, basicamente a adubação de formação ou de correção e a de manutenção. WOODARD e PRINE (1990) mostraram que o cultivo do capim elefante pode ser obtido em solos pobres, mediante o uso de N , P e K na seguinte relação: 4 : 0, 44 : 1,66. Variando esta relação ter-se-á mais caules produzindo um ou mais perfilhos primários. Quantitativamente recomendam-se para solos médios 00-100-00kg/ha, N, P, K por ano, para formação. Para solos pobres recomenda-se 10-132-10kg/ha, estas recomendações se referem à época de formação (primeiro ano). Nesta época de formação recomenda-se uma fonte de fósforo com solubilidade gradual, para não perda de Fósforo. Esta fonte pode ser o termofosfato Yoorin (MITSUI), que atende esta condição. Se o solo for de média fertilidade recomenda-se 350kg/ha de Yoorin, aplicado na linha de plantio, se for pobre usar 500kg/ha nas mesmas condições. Quarenta e cinco dias após o plantio recomenda-se aplicar em cobertura, 100kg/ha de N (500kg de sulfato de amônia) e 95 dias após o plantio, mais 50kg/ha de N e 48kg/ha K (250kg de sulfato de amônia e 60kg de cloreto de potássio). Todas estas recomendações são para a formação.
A adubação de manutenção deve ser anual e recomenda-se faze-la mediante monitoramento dos níveis de nutrientes do solo. De modo geral, recomenda-se 250kg/ha da fórmula 20-00-18 (NPK)/ha, após cada corte, por dois cortes consecutivos. Após o terceiro corte fazer uma adubação com 10-20-18 (NPK)/ha ou 100kg/ha de sulfato de amônio com 30kg/ha de cloreto de potássio por duas vezes e depois 50kg/ha de sulfato de amônio com 100kg/ha de superfosfato simples e com 30kg/ha de cloreto de potássio.
IV - Manejo do Capim Elefante Paraíso
4.1 Produção e valor nutritivo:
SCHANK et al. (1995) obtiveram por corte 3.467kg/ha de matéria seca à idade de 42 dias e 15.622kg/ha de matéria seca à idade de 84 dias com o capim elefante híbrido. Esta forragem estava com 16,7% e 20,4% de matéria seca, respectivamente às idades de 42 e 84 dias. A digestibilidade "in vitro" da matéria orgânica variou 63,6% a 56,6% respectivamente. VILELA et al. (2001) estudaram o efeito de quatro intervalos de corte, ao longo do ano, sobre a produção de matéria seca do capim elefante Paraíso e seu valor nutritivo (Quadro 1).
Quadro 1 - Produção de matéria seca (t/ha), teor de proteína bruta (% PB), fibra detergente neutro (% FDN) e digestibilidade "in vitro" da matéria seca (% DIVMS) do capim elefante Paraíso em quatro idades das rebrotas. (1)
| Idade da planta (dias) |
Prod. MS por Corte (t/ha) |
PB* (%) |
FDN** (%) |
DIVMS*** (%) |
| 35 |
5,2d |
19,2a |
61,2c |
66,5a |
| 70 |
10,6c |
13,6b |
68,8b |
62,3b |
| 105 |
14,5b |
10,2c |
70,6a |
58,5c |
| 140 |
22,6a |
9,1c |
71,5a |
50,2d |
| (1) VILELA et al., 2001. |
| * Proteína bruta. ** Fibra detergente neutra. *** Digestibilidade "in vitro" da Matéria seca. |
VILELA et al. (2001) estudaram quatro intervalos de cortes de 35, 70, 105 e 140 dias sobre a produção de matéria seca do capim elefante Paraíso. Verificam que o intervalo de corte de 70 dias foi o que proporcionou maior produção de matéria seca total (50t/ha) em quatro cortes a partir de dezembro, com irrigação. O intervalo de 35 dias foi o que proporcionou menor produção (32t/ha) em 5 cortes a partir de novembro, com irrigação, enquanto o intervalo de 105 dias proporcionou uma produção de matéria seca de 48t/ha em dois cortes, a partir de janeiro, com irrigação. O intervalo de corte de 140 dias proporcionou apenas um corte 22,6t/ha em março. Neste mesmo trabalho estudaram também o valor nutritivo do capim elefante Paraíso ao longo do ano.
Verificaram que a parte aérea da forrageira apresenta um teor médio de proteína bruta de 19,65 e de 9,65% com 35 e 140 dias de idade e 71,5 e 61,2% respectivamente, para fibra detergente neutra nas menor e maior idades e uma digestibilidade de 66,5% na idade de 35 dias e 50,2% na idade de 140 dias. Pode-se concluir que o capim elefante Paraíso apresenta um ótimo valor nutritivo até a idade de 90 dias e partir daí o tolerável seria a idade de 105 dias.
4.2 Idade de Corte para Produção de Biomassa
Ponto fundamental a ser considerado para determinar a época do corte é a época de plantio por causa do foto período crítico. O foto período crítico está relacionado com a produção de uma enzima que é responsável pela mudança da atividade da planta. As atividades de crescimento compreendem de crescimento vegetativo e crescimento reprodutivo. O comprimento do dia por sua vez é que determina o foto período, ou seja, uma quantidade de luz incidente. A partir do momento que há determinada quantidade de luz incidente, que é característica de cada planta, ocorre o foto período crítico, ou seja, muda de crescimento vegetativo para reprodutivo.
Neste ponto a planta estará mobilizada para o crescimento reprodutivo. O crescimento vegetativo é praticamente nulo e isto ocorrerá independente de sua idade. Portanto, pode ocorrer à parada de crescimento da planta nova, com 10 a 20 cm de altura, para iniciar a produção de sementes (florescimento), fase de reprodução. Normalmente, esta fase ocorre em março a abril, em todas as Regiões Fisiográficas brasileiras. Recomenda-se por esta razão que o plantio seja feito em outubro. Os cortes (segadeira/condicionador) são feitos quando a planta se encontra madura, com cerca de 3,00 m de altura (corte em março, em torno de 150 dias de crescimento) e para a rebrota em torno de 210 dias (corte em outubro). Valendo do emurchecimento da biomassa do capim elefante, ela é ceifada (exposta ao sol pleno) e revirada (enleirador/ancinho) por várias vezes sob o solo até sua pré secagem (85%MS).
 |
FIGURA 1 - SEGADEIRA/CONDICIONADOR DE CAPIM ELEFANTE PARAÍSO. Ceifadeira/condicionadora com rendimento de corte de 12 t/h - Bowmann, (Castrolanda, PR, Tel.42 32341108).
Na realidade, não há valores rígidos para as idades de cortes, tanto no estádio de maduro (150 dias) como no estádio de rebrota com 210 dias, por causa dos rendimentos das máquinas, do regime de chuvas e da época de plantio. Em meses sem chuvas (tem-se planta com maior teor de matéria seca (35%), solo com menor teor de umidade e umidade relativa do ar baixa (≈ 40%), mediante estas circunstancias obtem-se, com cerca de três a quatro dias de exposição ao sol pleno, uma biomassa com 85% de matéria seca. Contudo em meses com chuvas (planta com menor teor de matéria seca (20%), solo com maior teor de umidade e umidade relativa do ar maior (≈ 60%) esses fatores condicionantes podem levar a um período de exposição ao sol pleno bem maior e a uma maior movimentação da biomassa com o enleirador (ancinho), para se obter uma biomassa com 85% de matéria seca. Preferencialmente optar por ancinho de maior amplitude de atuação (6 m) e com rendimento operacional de cerca de 6 h/ha. A coleta da biomassa deverá ser feita por uma enfardadeira adequada, para posteriormente conduzir estes fardos à queima em fornalha ou armazenar a biomassa em galpões apropriados.
4.3 Enfardadeira
A enfardadeira usada é da marca VICON - LB 12200, com um rendimento de 12 t/h. O tamanho do fardo varia de acordo com o desejado - Bowmann (Castrolanda, PR, Tel.42 32341108).
FIGURA 2 – ENFARDADEIRA USADA NO CAMPO DE CAPIM ELEFANTE.
Quadro 2 - Características de um tipo de fardo produzido.
| Características dos Fardos (85%MS) |
| Peso (kg) |
445 |
| Largura(m) |
1,20 |
| Altura(m) |
0,90 |
| Comprimento(m) |
2,0 |
4.4 Irrigação do capim elefante Paraíso
A demanda de água por uma cultura de capim elefante Paraíso (Pennisetum hybridum) foi avaliada por VIILELA et al. (2002) pela quantidade de água evaporada por um tanque de classe A, pelas precipitações pluviométricas e pela capacidade de armazenamento de água de um Latossolo Vermelho Amarelo (LVA), para a produção de forragem. Portanto, estudou-se o comportamento do capim elefante sob duas condições hídricas:
- Testemunha - Sem irrigação;
- Uso da água quando o resultado da diferença da leitura do tanque classe A e das precipitações pluviométricas fosse igual ou maior do que 30mm.
Constatou-se que o método é eficiente para determinar a quantidade de água suplementar para uma cultura de capim elefante. Avaliaram-se também os aspectos financeiros envolvidos com o sistema de produção. As precipitações pluviométricas somaram 1.650,8mm e mal distribuídas durante o período. A água suplementar aplicada foi de 539mm. A produção de forragem com irrigação foi de 57,5t/ha de matéria seca, enquanto a sem irrigação foi de 38t/ha, por ano em cinco e três cortes, respectivamente. O custo da forragem irrigada foi de R$ 40,40/t MS produzida enquanto, a não irrigada foi de R$ 46,24.
Quadro 3 - Manejo da água na cultura do capim elefante Paraíso.
Data |
Nº dias (1) |
Irrigação maior ou igual a 30mm (2) |
Umidade do solo (%) |
Diferença (mm) |
Freqüência (dias) |
Lâmina de água (mm) |
Início |
Após |
| 01/06/00 |
Zero |
- |
- |
- |
6,5 |
20,2 |
| 21/06 |
21 |
31,5 |
21 |
20,1 |
5,8 |
19,8 |
| 30/06 |
30 |
36,2 |
9 |
21,8 |
6,5 |
18,2 |
| 06/07 |
36 |
36,3 |
6 |
20,1 |
6 |
18,2 |
| 14/07 |
44 |
30,0 |
8 |
18,2 |
5,8 |
18,5 |
| 20/07 |
50 |
31,2 |
6 |
15,8 |
6,2 |
19,2 |
| 28/07 |
58 |
33,5 |
8 |
17,5 |
6,1 |
18,6 |
| 06/08 |
67 |
32,2 |
9 |
18,2 |
6,2 |
17,8 |
| 12/08 |
73 |
35,1 |
6 |
17,2 |
6,5 |
17 |
| 16/08 |
77 |
34,2 |
4 |
18,1 |
6,1 |
16,8 |
| 25/08 |
86 |
39,2 |
9 |
18,3 |
6,5 |
16,8 |
| 30/08 |
91 |
32,3 |
5 |
18,2 |
6,2 |
16,9 |
| 02/09 |
94 |
33,8 |
3 |
14,2 |
5,8 |
16,9 |
| 06/09 |
98 |
30,1 |
4 |
15,2 |
6,5 |
16,5 |
| 12/09 |
104 |
30,2 |
6 |
16,2 |
7 |
17,2 |
| 20/09 |
112 |
31,2 |
8 |
15,6 |
6,8 |
16,9 |
| 29/09 |
121 |
31,2 |
9 |
16,8 |
5,5 |
17,4 |
| 05/10 |
127 |
32,1 |
6 |
16,9 |
6,5 |
17,5 |
| 09/10 |
131 |
33,2 |
4 |
19,2 |
5,2 |
17,8 |
| 16/10 |
138 |
31,2 |
7 |
18,6 |
6,5 |
16,4 |
| 25/10 |
147 |
32,6 |
9 |
17,6 |
6,2 |
16,2 |
| 04/11 |
157 |
32,1 |
10 |
15,2 |
6,2 |
15,4 |
| 01/12 |
183 |
32,5 |
26 |
12,2 |
7,2 |
15 |
| 25/01/00 |
239 |
31,2 |
56 |
12,3 |
6,5 |
16,5 |
| 10/02 |
255 |
32,2 |
16 |
12,6 |
5,8 |
16,5 |
| 28/02 |
273 |
31,2 |
18 |
13,5 |
6,2 |
15,6 |
| 10/03 |
283 |
32,6 |
10 |
12,5 |
6,1 |
15,6 |
| 22/03 |
295 |
32,2 |
12 |
13,5 |
6,2 |
16,1 |
| 02/04 |
306 |
31,5 |
11 |
12,5 |
6 |
16,5 |
| 17/04 |
321 |
32,2 |
15 |
15,5 |
6,5 |
15,8 |
| 26/04 |
330 |
30,5 |
9 |
14,8 |
5,6 |
15,8 |
| 02/05 |
336 |
32,2 |
6 |
15,5 |
6,8 |
14,9 |
| 15/05 |
349 |
30,2 |
13 |
16,8 |
5,9 |
15,6 |
| 25/05 |
359 |
33,2 |
10 |
18,3 |
6 |
15,8 |
| Medias |
- |
31,6 |
11 |
16,9 |
6,2 |
16,4 |
| Totais |
365 |
- |
- |
539 |
- |
- |
| (1) Datas dos tratamentos |
| (2) Referência de irrigação: Quando a diferença entre evaporação tanque classe A e precipitações pluviométricas for maior ou igual a 30mm |
Quadro 4 - Produtividade de forragem sob duas condições de umidade do solo*
Nº do corte |
Idade das rebrotas (dias) |
Épocas do ano |
Rendimento Forrageiro por corte (t MS/ha) |
Sem irrigação |
Com irrigação |
1 |
109 |
17/9 - Inverno |
- |
8,6C |
2 |
76 |
02/12 - Primavera |
10,5Bb |
12,8Ba |
3 |
69 |
07/2 - Verão |
14,0Aa |
14,8Aa |
4 |
70 |
12/4 - Verão |
13,5Ab |
14,5Aa |
5 |
41 |
30/5 - Outono |
- |
7D |
Totais |
- |
- |
38b |
57,7a |
| * (A > B > C > D, P < 0,05), na mesma coluna. |
| (a > b, P < 0,05), na mesma linha. |
4.5 Silagem de Capim Elefante Paraíso
Pesquisas com capim elefante Paraíso com o objetivo de produzir silagem devem ser intensificadas para avaliar o potencial forrageiro deste germoplasma. O plantio deste híbrido perene deve ser estimulado para este propósito com o objetivo de reduzir o plantio anual do milho ou sorgo para este fim, visto apresentarem custos de produção elevados. Trabalhos de SCHANK et al (1995) mostram que o capim elefante Paraíso pode ser ensilado sem nenhum aditivo ou tratamento. Estes autores ensilaram o capim elefante aos 42 e 84 dias de idade, um teor de 16,7 e 20,4% de matéria seca. O pH da silagem obtida foi de 3,8 e 4, a proteína bruta foi 12,5% e 9% e o teor de ácido láctico foi de 80 e 83% (porcentagem do total de ácidos orgânicos). Comentam que houve perdas de 1,3 e 2% na digestibilidade da matéria orgânica, em relação ao tempo ao ensilar.
O teor de carboidratos solúveis na planta permitiu que se fizesse boa silagem sem nenhum tratamento. Ainda, verificaram que o teor de ácido láctico encontrado permite classificar a silagem como sendo de alta qualidade. Silagem com níveis acima de 60.%, são consideradas de boa qualidade. Os outros parâmetros como teor de proteína bruta e digestibilidade ajudam a classificar uma silagem como sendo de ótima qualidade (padrão alimentar). VILELA et al (2000) recomendam que, no ano de plantio, se proceda ao primeiro corte para ser ensilado, somente em fins do mês de março, antes do florescimento total do capim. Com este manejo consegue-se um estabelecimento mais eficiente da cultura, devido a um maior desenvolvimento do sistema radicular.
Por outro lado, perde-se um pouco do seu valor nutritivo devido a sua idade (100 a 120 dias após o plantio), a proteína estará em torno de 10% e a digestibilidade da matéria seca em torno de 53% (VILELA et al, 2001), Os cortes para serem ensilados, nos anos subseqüentes ao do plantio, devem seguir a recomendações corretas. VILELA et al (2000), sugerem que o primeiro corte deve ser feito em janeiro se houver repouso (descanso), da área a partir de outubro. A esta época, a planta estará com cerca de dois metros de altura e o seu rendimento será em torno de 75t/ha de forragem verde, se o espaçamento for de 70cm entre linhas. Nesta época, o teor de matéria seca da forragem estará muito baixo (15%), o que é impróprio para ser ensilado, sem nenhum tratamento prévio. Os tratamentos vão desde o emurchecimento (VILELA et al, 2000 e TOSI et al,1999), até o uso de aditivos e/ou inoculantes (Silomax) ou combinações deles.
O emurchecimento consiste em cortar a forragem, picá-la e deixá-la exposta ao sol por um período de 6 a 12 horas, aproximadamente. Deve-se evitar chuvas as quais provocam lixiviação dos elementos nutritivos. Contudo, este material emurchecido perde certa quantidade de carboidratos (energia), devido à continuação da respiração das células vegetais (VILELA et al, 2000).
O ideal seria adicionar o inoculante Silomax ao material fresco com o objetivo de melhorar a fermentação láctea, pela bactéria adicionada. Este inoculante adicionado proporcionará uma silagem de melhor qualidade devido à rápida produção de ácido láctico e conseqüentemente queda rápida no pH no material ensilado. Menor pH (3,2) melhor será a silagem (ROTZ e MUCK, 1994).
Outro recurso disponível para controlar o baixo teor de matéria seca da forragem é adicionar, cerca de 10% de produtos que venham elevar este teor na matéria ensilada (polpa cítrica, milho desintegrado com palha e sabugo, etc.), (TOSI et al, 1999, ALMEIDA et al, 1986 e LAVEZZO et al,1978) ou corrigir o nível de carboidratos na forragem ensilada, adicionando desde 1 a 3% de produtos ricos no mesmo como o melaço em pó (ou 5% farelo de trigo, farelo de arroz, milho moído, etc.), (CONDE, 1970).
O segundo corte do capim pode ser feito em março, antes do seu florescimento em abril. A esta época, a forragem apresenta um teor de matéria seca em torno de 20%, permitindo assim que se faça uma silagem de boa qualidade (12% de proteína bruta e 60% de digestibilidade (VILELA et al, 2001). O material cortado para ser ensilado deve, preferencialmente, ser colocado em silos do tipo superfície, uma vez que são os que apresentam menor custos de implantação. Convém salientar que o material cortado também poderá ser colocado em outros tipos de silos (silo trincheira, cilíndrico aéreo, cilíndrico subterrâneo ou cisterna ou cilíndrico de encosta), desde que observadas as recomendações gerais para o processo de ensilagem.
VILELA et al, (2000) estudando o capim elefante Paraíso (Pennisetum hybridum cv. Paraíso) o cortou aos 70 dias de idade. Parte da forragem foi ensilada fresca (17,5% MS), parte foi emurchecida por 6 horas (25,6% MS) e outra parte por 12 horas (31,2% MS) e, posteriormente, ensiladas. A amostra de forragem emurchecida (31,2% MS) apresentou menores valores de carboidratos solúveis do que as outras e o mesmo valor de poder tampão. O tratamento por 6 horas não influiu nos teores de FDN, FDA e PB, enquanto o por 12 horas reduziu também os teores de FDN e PB (P < 0,05). O emurchecimento por 12 horas ainda resultou em menor produção de ácido lático, menor produção de amônia e menor valor de DIVMS na silagem (P < 0,05).
Quadro 5 - Forragem de capim elefante paraíso e de suas silagens
| PARÂMETROS |
TEMPOS DE EMURCHECIMENTO |
| ZERO HORA |
6 HORAS |
12 HORAS |
| PRODUÇÃO (t/ha) E COMPOSIÇÃO PARCIAL DA FORRAGEM |
| PROD. (t/MS) |
18,40a |
18,02a |
18,56a |
| MS (%) |
17,50c |
25,60b |
31,20a |
| CHO sol. (% MS) (1) |
17,67a |
17,07a |
15,33b |
| PT (2) |
29,87a |
30,34a |
29,07a |
COMPOSIÇÃO DA FORRAGEM (%) |
| FDN |
59,10a |
59,15a |
56,14b |
| FDA |
35,70b |
36,16b |
39,96a |
| PB |
13,75a |
13,86a |
9,16b |
QUALIDADE DA SILAGEM |
| pH |
3,8a |
3,0b |
3,9a |
| N-NH (3) (% N Total) |
27,08a |
26,96a |
25,10b |
| Ac. láctico (%MS) (3) |
7,14a |
8,65a |
5,50b |
| Ac. Butírico (%MS) (3) |
0,010a |
0,005a |
0,018a |
| DIVMS (%) (4) |
60,16a |
61,14a |
57,26b |
| (a, b, c, P < 0,05) Números seguidos por letras minusculas diferentes, dentro da mesma linha, diferem significativamente. |
| (1) Carboidratos solúveis (% na MS); (2) Poder tampão ao HCL (eq. mg. de HCL/100g MS); (3) Ácidos graxos voláteis (g ácido/100g MS); (4) Digestibilidade "in vitro" da matéria seca |
A digestibilidade "in vitro" da matéria seca da silagem foi diminuída em 9,36% pela exposição ao sol por 12 horas, depreciando assim a qualidade da silagem.
Os resultados obtidos sugerem que esta forragem não deve passar por este tipo de tratamento para melhorar a qualidade da silagem, possivelmente em função do maior teor de carboidratos encontrados.
4.5.1 Custo de produção da silagem de Capim Elefante Paraíso
Computou-se custos de formação da forrageira (R$ 950,00/ha), custo de manutenção anual da cultura (R$ 850,00/ha) e os custos de confecção da silagem (mão de obra, horas máquinas, lona plástica), obtendo um custo final de R$ 16,00/t de silagem. Considerou que a vida útil da cultura será de cinco anos, com dois cortes por ano, com rendimento médio de 18t/ha/corte. Este valor significa em silagem, 70t/ha por corte.
4.5.2 Implatação (distribuição em 04 anos)
ITEM |
CUSTO/ha |
CUSTO/t |
Insumos |
R$ 653,25 |
R$ 1,09 |
Mecanicação |
R$ 251,90 |
R$ 0,42 |
SUB TOTAL à |
R$ 1,51 |
4.5.3 Mecanização 1/ANO
ITEM |
QTDE/ha |
Vr.UNIT/ha |
CUSTO/ha |
CUST/t |
Irrigação |
1000 h |
R$ 224,00 |
R$ 224,00 |
R$ 1,50 |
Adubação |
4 h |
R$ 15,00 |
R$ 60,00 |
R$ 0,40 |
Estercagem |
1 h |
R$ 15,00 |
R$ 60,00 |
R$ 0,40 |
Colheita |
0,7 h |
R$ 50,00 |
R$ 35,00 |
R$ 0,23 |
Compactação |
1 H |
R$ 30,00 |
R$ 30,00 |
R$ 0,20 |
Transporte |
72 km |
R$ 150,00 |
R$ 150,00 |
R$ 1,00 |
SUB TOTAL à |
R$ 3,73 |
4.5.4 Insumos
ITEM |
QTDE/ha |
VR.UNIT/R$ |
CUSTO/ha |
CUSTO/t |
Lona plastica |
1,05m2 |
456,00/R |
R$ 27,26 |
R$ 0,18 |
Ureia |
800kg |
305,60t |
R$ 244,48 |
R$ 1,62 |
Cloreto potassio |
600kg |
330,00t |
R$ 198,09 |
R$ 1,32 |
Inseticida karate |
1,2l |
33,00/l |
R$ 39,60 |
R$ 0,26 |
Esterco |
35t |
2,00/t |
R$ 70,00 |
R$ 0,46 |
Super simples |
500kg |
188,00/t |
R$ 94,00 |
R$ 0,62 |
Inoculante |
0,100kg |
17,00/kg |
5kg |
R$ 1,13 |
SUB TOTAL à |
R$ 5,59 |
4.5.5 Mão de Obra
ITEM |
QTDE/ha |
VR.UNIT/R$ |
CUSTO/ha |
CUSTO/t |
Aj colheita |
1,24h |
1,66 |
R$ 2,00 |
R$ 0,02 |
Aj adubação |
1,24h |
1,66 |
R$ 2,00 |
R$ 0,02 |
SUB TOTAL à |
R$ 0,04 |
TOTAL |
R$ 10,87/t |
+20% custo de Administração |
R$ 2,174 |
+ 6% Custo Financeiro |
R$ 0,6522 |
TOTAL GERAL |
R$ 13,69/t |
Os resultados de custos obtidos permitem concluir que a silagem obtida apresenta custo menor do que a silagem de milho.
4.6 Produção de leite em pastagem de capim elefante Paraíso
Foi possível verificar que a pastagem de capim elefante Paraíso sem nenhum concentrado como suplemento atendeu as exigências de mantença das vacas em lactação e ainda permitiu uma produção de 15,6kg de leite/dia. A produção diária de leite foi influenciada pelas quantidades de caroços de algodão usados (Quadro 6). As quantidades de leite obtidas foram 15,6, 18,4 e 20,8kg/vaca/dia, respectivamente para os tratamentos com 0, 1,5 e 3kg de caroço de algodão.
Quadro 6 - Produção de leite por vaca por dia sob os tratamentos com caroço de algodão.
| TRATAMENTOS (kg caroço de algodão/vaca/dia) |
PRODUÇÃO MÉDIA DE LEITE (kg/vaca/dia) |
| Controle |
15,6C |
| 1,5kg |
18,4B |
| 3,0kg |
20.8A |
A produção média diária de leite observada (15,6kg/vaca, com 5 vacas/ha) no tratamento sem suplemento está próximo as obtidas por outros pesquisadores (COSER et al.,1998 e DERESZ et al., 2001), em condições semelhantes a deste trabalho. Este resultado contribui com a hipótese de que as pastagens de clima tropical limitam o potencial de produção de leite de vacas em lactação (15,6kg/dia/vaca) pela baixa digestibilidade e menor consumo da forragem (VAN SOEST, 1965).
As quantidades de nutrientes oferecidas por 1,5 e 3kg de caroço de algodão mostraram serem suficientes para as produções alcançadas nestes tratamentos, mesmo porque não houve alteração no peso vivo dos animais durante o período.
Considerando os preços do caroço de algodão a R$ 0,40/kg e do leite a R$ 0,42/litro, os tratamentos com as suplementações de caroço de algodão são viáveis economicamente em relação ao grupo controle, conforme mostra a Quadro 7.
Quadro 7 - Viabilidade econômica da suplementação com caroço de algodão (CA).
| VARIÁVEIS |
CONTROLE |
1,5kg CA |
3kg CA |
| Produção de leite (kg/vaca/dia) |
15,6 |
18,4 |
20,8 |
| Custo suplementação (R$/vaca/dia) |
- |
0,60 |
1,20 |
| Receita Adicional (R$/vaca/dia) |
- |
1,18 |
2,18 |
| Margem Bruta Adicional (R$/vaca/dia) |
- |
0,58 |
0,98 |
| Relação Benefício/Custo |
- |
1,97 |
1,82 |
Verifica-se que a suplementação com 3kg de caroço de algodão permitiu uma receita adicional de R$ 2,18/vaca por dia e uma margem adicional de R$ 0,98. Pode-se concluir que as suplementações com caroço de algodão foram viáveis para os níveis de produção obtidos.
Continua... |