Efeito de níveis de Silmag (Silicato) sobre a correção do solo, produção e valor nutritivo do Capim Elefante . (Pennisetum hybridum)

Herbert Vilela1, Redelvim Anastasia Andrade2 e Duarte Vilela3

1Professor do Departamento de Zootecnia da UFMG, Rua Bernardino de Lima 579, Belo Horizonte (MG), CEP 30430 090. e-mail vilela@agronomia.com.br.
2Gerente Comercial e Agroindustrial da RIMA INDUSTRIAL S.A., Bocaiúva (MG), CEP 39390 000.
3Pesquisador da EMBRAPA – CNPGL, Juiz de Fora (MG), CEP 36038 330.

Palavras–chave: correção do solo, silícato, digestibilidade, FDN, NDT

I - Introdução

O silício traz vários benefícios para as plantas, principalmente às gramíneas. Como exemplo, pode-se destacar a tolerância da planta a certas pragas (CARVALHO, 1998) e doenças (MENZIES et al., 2001), a redução na transpiração (DATNOF et al., 2001) e maior taxa fotossintética das plantas, como conseqüência do melhoramento da arquitetura foliar (DEREN, 2001 e EPSTEIN, 2001). Há suposições de que níveis mais elevados de silício solúvel no solo e conseqüentemente na planta afetariam a digestibilidade da matéria seca da forragem.

Contudo, trabalhos de VAN SOEST (1994), MINSON (1990) e SHEWMAKER et al.(1989) não encontraram nenhuma correlação entre a presença de silício no solo e na forrageira com a digestibilidade da planta. Por outro lado, o silício pode ser encontrado em diferentes concentrações na planta, dependendo da disponibilidade no solo para uma mesma espécie forrageira (MA et al.,2001). O silício pode ocorrer em ligações com lignina, carboidratos, proteínas e outros compostos orgânicos.

Assim sendo, como ocorre com outros elementos, poderá haver diferenças no grau de aproveitamento pelos ruminantes destes compostos (MA et al.,2001; INANAGA & OKASAKA, 1995). Portanto as interações destas forrageiras com silício suplementar e o animal devem ser mais avaliados (KORNDÖFER et al., 2001). O presente trabalho teve o objetivo de avaliar o efeito da adiçao de niveis de silicato de cálcio e magnésio no solo, sobre produção de matéria seca e valor nutritivo de uma planta forrageira.

II - Material e Métodos

A forrageira utilizada foi o capim elefante hexaploide Paraíso (Pennisetum hybridum), implantada em latossolo vermelho, fase cerrado, por semente(10hg/ha). Como delineamento experimental usaram-se blocos inteiramente casualizados com quatro repetições. A adubação corretiva foi feita com 800 Kg/ ha da fórmula 00-15-10(NPK) + Zn (15 Kg/ha de Sulfato de Zinco), distribuída na linha de plantio.

Quarenta e cinco dias após plantio procedeu-se a aplicação em cobertura de 100kg de N/ha na forma de sulfato de amônia. As amostras de solo, após incubação(45dias), foram obtidas até a profundidade 0,20 m e remetidas ao Laboratório de Química da UFLA. As amostras de forragem foram obtidas à época do corte, aos 90 dias de idade e remetidas aos laboratórios para análises segundo metodologias descritas por SILVA e QUEIROZ (2002), nos Laboratórios de Análise de Alimentos do Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.

A aplicação de silício foi feita na forma de silicato de cálcio e magnésio, com nome comercial de SILMAG (RIMA INDUSTRIAL SA), com 35,65% de Ca, 8,47% de Mg, 10,66% de Si e PRNT de 112% (UFLA, 2007). Os tratamentos consistiram de três níveis de silicato como corretivos (500,1.000 e1.500kg de SILMAG por hectare).

III - Resultados e Discussão

Verifica-se (Tabela I) que o solo com aplicação da adubação corretiva e sem a aplicação de silicato apresentou nível muito elevado de acidez, níveis de fósforo médio e potássio baixos, níveis de cálcio e de magnésio bons e razoáveis de SB e de V. Após a aplicação de 500 kg/ha de SILMAG (Tabela1), o nível de silício no solo passou de 12 para 18 ppm que segundo KORNDORFER et al., 2001) este nível está abaixo do satisfatório (20 ppm). Após aplicação de 1.500 kg/ha de SILMAG, o nível passou de 12 para 29 ppm (P<0,05), sendo este nível classificado como alto, embora o mesmo autor ressalte que a calibração da análise do solo para silício é ainda insuficiente e necessita de mais estudos.

Com a aplicações de doses crescentes de silicato, também os valores de fósforo, de cálcio, de magnésio, de silício, de V e de pH foram significativamente maiores (P<0,05) segundo as quantidades de silicato usadas, no solo e na profundidade amostrada ( 0 a 20cm).O aumento do nível do fósforo no solo pode ser atribuído, possivelmente a liberação pela argila, do fósforo adsorvido, pela competição com o Silício. Em relação ao Al verificou-se que o mesmo começou a ser neutralizado a partir da dose de 500 kg por hectare.

TABELA I - Análise do solo após aplicação de silicato (45 dias de incubação).

SILMAG kg/ha Níveis no solo
pH P ppm K mg/dm³ Ca cmolc/dm³ Mg cmolc/dm³ Al cmolc/dm³ Si ppm SB cmolc/dm³ V%
Zero 4,1c 6c 42 2,4d 1,4d 1,8 12 c 3,9 60d
500 6,0b 8b 43 3,5c 2,1c 0 18 b 4,8 65c
1.000 7,6a 9a 42 3,9b 2,8b 0 23 b 5,1 70b
1.500 7,6a 9a 43 4,2a 3,5a 0 29a 5,5 75a

Teste de T (P<0, 005); a > b >c, dentro da mesma coluna.

A produção de forragem (Tabela II) obtida na ausência de silicato foi de 18,20t MS /ha à idade de 90 dias após plantio, enquanto a aplicação de 500 kg/ha de SILMAG resultou em uma produção de 20,30t MS/ha (P<0,05). No tratamento com 1.000 e 1.500 kg/ha de SILMAG, a produção de forragem não foi diferente (22,20 e 22,35t MS/ha (P>0,05), estes resultados evidenciaram que aqueles níveis de silicato permitiram maiores produções de forragem, possivelmente por serem suficientes para eliminarem o alumínio tóxico e sua interação com nutrientes no solo quando comparado com o tratamento sem silicato, como também, à melhoria na arquitetura foliar da planta promovida pelo silício, e conseqüentemente maior taxa fotossintética (DEREN, 2001 e EPSTEIN, 2001). O nível de silício na planta aumentou com aumento das doses aplicadas de silicato, evidenciando que o silício pode ser encontrado em diferentes concentrações na planta, dependendo da disponibilidade no solo para uma mesma espécie forrageira (MA et al.,2001).

Em relação ao teor de FDN na forrageira (Tabela II), observa-se que ele aumentou (P<0,05) a partir do menor nível de silicato usado até o nível de 1.000kg, resultado este que pode ser atribuído a maior participação do silício neste componente (INANAGA & OKASAKA, 1955). O maior teor de cálcio, de fósforo e de silício nos tecidos da planta refletiu ao aumento das doses de silicato aplicadas ao solo, pela sua maior absorção. Em relação à digestibilidade da forragem, na ausência de silicato foi menor (P<0,05), (Tabela II), do que aquelas que receberam aplicação do mesmo. Nos tratamentos que receberam níveis crescentes de silicato a digestibilidade não foi alterada. O efeito do silício sobre a digestibilidade foi também observado por MINSON (1990), SHEWMAKER et al.(1989) e VAN SOEST (1994).

TABELA II - Produção (kgMS/ha), composição bromatológica e digestibilidade "IN VITRO" da matéria seca (DIVMS*) de forragem de Capim Elefante , sob quatro níveis de silicato.

Itens NÍVEIS DE SILICATO kg/ha
Zero 500 1.000 1.500
kgMS/ha 18,20C 20,30B 22,20A 22,35 A
FDN 76,60C 77,65B 77,65A 77,55A
Cálcio 0,42C 0,68 B 0,84A 0,89A
Fósforo 0,15C 0,28B 0,30A 0,30A
Silício 1,20C 1,80B 1,88A 1,90A
DIVMS* 51,48B 54,81A 54,75A 54,70A

Teste de T (P<0, 005); A > B >C, dentro da mesma linha

IV - Conclusões

Os níveis de 1.000 e 1.500 kg/ha de silicato proporcionaram maior a produção de matéria seca na forrageira estudada, mas foram iguais entre si. Os níveis de silicatos estudados alteraram o valor nutritivo da forragem. Elevaram o teor de FDN, do cálcio, do fósforo e do silício da forragem, em relação ao tratamento sem silício, embora não houve diferença entre os dois níveis maiores. A digestibilidade da matéria seca da forragem foi maior na presença do silícato, mas não foi afetada pelos níveis de silicato usados.

V - Literatura consultada

CARVALHO, S. P. Efeito do silício na introdução de resistência do sorgo ao pulgão-verde (Schizaphis graminium) (Rondani,1852) (Homoptera:Aphididae) Lavras:UFLA, 1998. 43p.Dissertação (Mestrado em Agronomia).

DATNOFF, L. E., SNYDER, G.H., KORNDÖRFER, G. H. Silicon on Agriculture. Amsterdam: Elsevier, 2001. 403p. 2001

DEREN, C. Plant genotypes, silicon concentration and silicon related responses. In: DATNOF et al. 2001. Silicon on Agriculture. Cap. 8, p. 149-158. 2001.

EPSTEIN, E. Silicon in plants: Facts vs. Concepts. In: DATINOFF et al. 2001. Silicon on Agriculture. Cap.8.p.149-158.2001.

INANAGA, S. OKASAKA, A. Calcium and silicon binding compounds in cell walls of rice shoots. Soil Science and Plant Nutrition, v. 41, p.103-110,1995.

KORNDÖRFER, G.H., LEPSH, I. Effect of silicon on plant growth and crop yield. In: DATNOF et al 2001. Silicon on Agriculture. Cap. 7, p. 133-147. 2001.

MA, J. F. MIYAKEY, Y., TAKAHASHI, E. Silicon as a benefical element for crop plants.In: DATINOFF et al., 2001. Silicon on Agriculture. Cap.2, p. 17-39. 2001.

MENZIES, J.G., EHRET, D.L. CHÉRIF, M., BÉLANGER, R.R. Plant-related silicon research in Canada. In: DATINOFF et al., 2001.Silicon on griculture.Cap.20.p. 323-341. 2001

MINSON, J. D. Forages in ruminant nutrition. New York: Academic Press, Inc.,1990. 483p.

SHEWMAKER, G. E. MAYLAND, H. F. ROSENAU, R. C. ASAY, K. H. Silicon on c-3 grasses: effects on forage and sheep preference. Journal of Range Management, v.42, p. 122 – 127, 1989.

VAN SOEST, P. J. Nutritional ecology of the ruminant. 2ª Ed. New York: Cornell University Press, 1994. 476p.

SILVA, D.J., QUEIROZ, A. C. Análise de alimentos. Métodos químicos e biológicos. 3ª ed., Viçosa: UFV, 2002, 235 p.

UFLA-Laboratório de Química da UFLA. Caraterização Química de Cinco Fontes de Silício.In: Relatório Técnico Final..LAVRAS-MG. Janeiro 2007.

 
     
 
   
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