As Fontes de Silício (Silicatos)
HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor
Introdução
A maioria dos solos contém consideráveis quantidades de silício. Apesar disso, cultivos consecutivos podem reduzir o nível deste elemento até um ponto em que a adubação seja necessária. Segundo Korndörfer et al. (1999a), os valores de Si, no solo, extraídos com ácido acético 0,5 mol L-1 inferiores a 20mg dm-3, em geral indicam a necessidade de adubação com Si. De acordo com os mesmos autores, estes solos apresentam boa resposta à aplicação de silício. Acima desses valores, as repostas tendem a ser mais discretas.
O silício (Si) não é considerado elemento essencial para o crescimento das plantas. No entanto, a produtividade de muitas gramíneas, como arroz, cana-de-açúcar, sorgo, milheto, aveia, trigo, milho, e algumas espécies não-gramíneas como alfafa, feijão, tomate, alface e repolho, apresentam aumentos de produtividade com o aumento da disponibilidade de Si no solo Elawad & Green, 1979; Korndörfer & Lepsch, 1999) acima desses valores, as repostas tendem a ser mais discretas. Os silicatos são as principais fontes de Si para a agricultura, mas para que sejam empregados é necessária a retirada dos metais pesados, algumas vezes em alta concentração, o que pode provocar sérios problemas ambientais.
As características consideradas ideais para uma fonte de Si para fins agrícolas são: alta concentração de Si-solúvel, boas propriedades físicas, facilidade para a aplicação mecanizada, pronta disponibilidade para as plantas, boa relação e quantidades de cálcio (Ca) e magnésio (Mg), baixa concentração de metais pesados e baixo custo.
Análise Química: (teores médios) Método de Análise por Absorção Atômica (Fonte: UFV/ABCP)
- SiO2 - 23%
- P2O5 - 0,42%
- K2O - 0,19%
- SO3 - 0,37%
- Fe2O3 - 11%
- MnO - 1,8%
- Mo 0,400 µg.g-1
- Zn - 0,133 µg.g-1
- N - 0,1 %
- CaO - 54%
- MgO- 12%
Aspectos Físicos:
- Ggranulometria uniforme;
- Bom desempenho operacional;
- Menor deriva pelo vento na aplicação.
Solubilidade no Solo:
- Calcário (Carbonato de cálcio) 0,014g/l;
- Silicato (Silicato de cálcio) 0,095g/l.
O Silicato de Cálcio é 6,78 vezes mais solúvel que o calcário, portanto, ocorrem reações com maior velocidade, resultado em menor espaço de tempo, para que se efetue sua ação corretiva.
Vantagens do Silicato:
- Correção de acidez do solo;
- Fornecimento de Silício (Si) solúvel;
- Fornecimento de micronutrientes.
Benefícios do Silício (Si) para a agricultura:
- Aumenta a resistência da parede celular;
- Aumenta a resistência das plantas à incidência de doenças e pragas;
- Regula a evapotranspiração (maior economia de água);
- Aumenta a rigidez estrutural dos tecidos reduzindo desta forma a susceptibilidade ao acamamento;
- Melhora a arquitetura da planta;
- Proporcionando menor sombreamento e folhas mais eretas, com maior absorção de CO2;
- Aumenta a taxa fotossintética;
- Aumenta a tolerância a elementos tóxicos;
- Aumenta a produtividade.
Benefícios do Silício (Si) para o meio ambiente:
- Diminui o emprego de fungicidas;
- Diminui o uso de inseticidas;
- Mantêm os inimigos naturais contra as pragas;
- Melhora o aproveitamento da água;
- Preserva a camada de ozônio pois não emite CO2 para atmosfera.
IV – LITERATURA CITADA
Agarie, S.; Hanaoka, N.; Ueno, O.; Miyazaki, A.; Kubota, F.; Agata, W.; Kaufman, P. B. Effects of silicon on tolerance to water deficit and heat stress in rice plants (Oryza sativa L.), monitored by electrolyte leakage. Plant Production Science, Tokyo, v.1, n.1, p.96-103, 1998.
Alves,J.D.,Gontijo Guimarães, P.T. Pozza, A.A.A. Reis,T.H. e Vilela, H.
CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DE CINCO FONTES DE SILÍCIO.
RELATÓRIO TÉCNICO FINAL. LAVRAS – MINAS GERAIS, Janeiro,
2007.
Deren, C. W.; Datnoff, L. E.; Snyder, G. H.; Martin, F. G. Silicon concentration, disease response, and yield components of rice genotypes grown on flooded organic histosols. Crop Science, Madison, v.34, n.2, p.733-737, 1994.
Epstein, E. The anomaly of silicon in plant biology. Proceedings of the National Academy of Sciences, Washington, v.91, n.1, p.11-17, 1994.
Marschner, H. Mineral nutrition of higher plants. 2.ed. San Diego: Academic Press, 1995. 889p. |