SÉRIE GRAMÍNEA TROPICAL - GÊNERO BRACHIARIA (Brachiaria decumbens - Capim)

HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor

1 - INTRODUÇÃO

A Brachiaria decumbens Stapf é originária da Região dos Grandes Lagos em Uganda (África). Essa gramínea foi introduzida no Brasil em 1960, onde se adaptou muito bem, principalmente nas áreas dos cerrados. A espécie é vigorosa e perene. É resistente à seca, adaptando-se bem em regiões tropicais úmidas. É pouco tolerante ao frio e cresce bem em diversos tipos de solo, porém, requer boa drenagem e condições de média fertilidade, vegetando bem em terrenos arenosos e argilosos. Os melhores resultados são obtidos quando se usam 2 a 5 kg de sementes puras e viáveis (1 kg de sementes tem cerca de 220.000 a 225.000 sementes) por hectare.

Tolera tratamento de pré-emergência, com atrazina, usando-se 2,5 kg/ha do produto com diluição de 80%, com resultado muito bom no controle a invasoras.

Apresenta queda de produção quando cultivada em solos de baixa fertilidade, por isso, recomenda-se consorciá-la com leguminosas.  Adapta-se bem na faixa de Latitude de 27° N e S. Altitude desde o nível do mar até 1.750 m. A temperatura ótima para seu crescimento é de 30 a 35°C. Floresce em qualquer lugar nos dias longos do ano.

Quanto a intoxicação, são necessários mais estudos para elucidar o papel das saponinas, na foto sensibilização hepatógena em bovinos a pasto e sua possível interação com Pytomices chatarum e outros fungos (endófitos) que podem estar presentes na  B. decumbens e outras espécies de Brachiaria. Mesmo se a foto sensibilização em ruminantes e cavalos não é causada primariamente pelo P. chatarum, a presença de esporos de fungo pode exacerbar a toxidez (Smith e Miles, 1993).

Os nomes comuns da Brachiaria decumbens segundo o idioma: (Português) baquiaria australiana, braquiária comum, braquiária de alho, capim Brachiaria decumbens, (Inglês) Suriname grass, Signal grass, Kenya sheep grass, Sheep grass, (Espanhol) Braquiária decumbens, Pasto alambre, Pasto braquiária, Pasto chontalpo, Pasto de la palizade, Pasto de las orillas, Pasto peludo, Pasto prodígio, Zacate prodígio.

Nas Américas, existe, ainda, a seguinte sinonímia das variedades de Brachiaria decumbens: Brachiaria -1986-87 (Cuba), Chontalpo - 1989 (México),  Señal - 1989 (Panamá), Pasto peludo –1991 (Costa Rica) e Brachiaria africana –1962 (Brasil)  e Basilisk-1968 (Brasil).

2 - CARACTERÍSTICAS BÁSICAS

  • Nome científico: Brachiaria decumbens Stapf cv Comum
  • Origem: Grandes Lagos na Uganda /África
  • Ciclo vegetativo: perene
  • Forma de crescimento: touceira decumbente
  • Altura da planta: crescimento livre até 1,0 m
  • Formas de uso: pastejo e eventualmente produção de feno.
  • Digestibilidade: satisfatória
  • Palatabilidade: satisfatória
  • Precipitação pluviométrica: 12.000 mm/ano
  • Tolerância a insetos: muito sensível à cigarrinha da pastagem
  • Suporte: 2,0 UA/ha/ano média anual
  • Produção de forragem: 8 a 12 t MS/ha/ano
  • Número de cromossomos: tetraplóide (2n = 4x = 36) e apomítica, isto é, o embrião é produzido da fusão dos gametas masculino e feminino.

3 - RECOMENDAÇÕES AGRONÔMICAS

  • Fertilidade do solo: acima de baixa fertilidade.
  • Época de plantio: durante a estação chuvosa.
  • Forma de plantio: sementes.
  • Modo de plantio: a lanço.
  • Sementes necessárias: 8-14 kg/ha.
  • Profundidade de plantio: 2 cm.
  • Tolerância à seca: satisfatória.
  • Tolerância ao frio: satisfatória.
  • Tolerância a solos mal drenados: satisfatória.
  • Temperatura: crescimento ótimo – 30 - 35°C.
  • Latitude: cerca de 27° N e S.
  • Altitude desde o nível do mar até 1.750 m.
  • Fotoperíodo: quantitativamente, é uma planta de dia curto, mas floresce em dias longos do ano.
  • Tempo para a utilização: 90 a 120 dias após o plantio.
  • Consorciação: é compatível com Stylosanthes sp, Centrosema sp e Pueraria sp.
  • Adubação: de acordo com as recomendações técnicas determinadas pela análise de solo.
  • Dormência da semente: inexistente.
  • Pureza: mínima 60%.
  • Germinação: mínima 40%.

4 - COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA E DIGESTIBILIDADE DA MS DA BRACHIARIA DECUMBENS CV COMUM.

Idade e/ou forma da forragem e digestibilidade

Composição bromatológica %

MS

PB

FB

P

Ca

EE

Até 60 dias de crescimento - jovem

29,5

10,5

28,6

0,38

0,29

1,1

Após florescimento - madura

35,0

6,2

31,0

0,15

0,14

1,5

Feno

89,2

8,8

 30.3

0,26

0,18

5,0

Digestibilidade (%) - jovem

66,5

--

--

--

--

--

Digestibilidade (%) - madura

46,0

--

--

--

--

--

Digestibilidade (%) - feno

50,0

--

--

--

--

--

5 - LITERATURA CONSULTADA

BOGDAN, A. V. Tropical posture and fodder plants – Grasses and legumes. London and New York, 475 p., 1977.

FAO – 2004a http://www.fao.org/ag/AGP/AGPC/doc/Gbase/Latin.htm.

FAO – 2004b http://www.fao.org/ag/AGA/AGAP/FRG/afris/es/Data/31.htm.

VALADARES FILHO, S.C. 2000. Nutrição, avaliação e tabelas de alimentos para bovinos.

XXXVII Reunião Anual da SBZ, 37, Viçosa, 2000, Anais... Viçosa: 2000. 250p.

 
     
 
   
  Copyright 2009 © Portal Agronomia
Desenvolvido por Digital Pixel