SÉRIE GRAMÍNEAS TROPICAIS – GÊNERO PANICUM (Panicum maximum – Massai Capim)

HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor

1 - INTRODUÇÃO

A cultivar Massai, é um híbrido espontâneo, entre Panicum maximum e Panicum infestum, e foi coletada na Tanzânia, África, pelo IRD e liberada em 2001 pelo CNPGC/EMBRAPA (Campo Grande - MS), após a realização das pesquisas necessárias. É uma planta que cresce formando touceiras com altura média de 60 cm. Possui excelente produção de forragem, com grande velocidade de estabelecimento e de rebrota, com média tolerância ao fria e boa resistência ao fogo. Quando comparada a outras cultivares de P. maximum, o capim Massai apresenta-se mais adaptado às condições de baixa fertilidade do solo, com boa resistência ao ataque da cigarrinha-das-pastagens. Avaliado em pastejo rotacionado por quatro anos, suportou 3,1 e 1,2 UA/ha durante o período das águas e da seca, respectivamente, apresentando ganho médio de 620 kg de peso vivo/ha/ano.

As lâminas apresentam densidade média de pêlos curtos e duros na face superior. A bainha apresenta densidade alta de pêlos curtos e duros. Os colmos são verdes. As inflorescências apresentam ramificações primárias, curtas, sem ramificações secundárias. As espiguetas são pilosas, distribuídas uniformemente, com a metade da superfície externa arroxeada. O verticilo é piloso. Essa cultivar possui excelente produção de forragem com grande velocidade de estabelecimento e de rebrota, com média tolerância ao frio e boa resistência ao fogo. Produz cerca de 85 kg de sementes por hectare, por ano. Quando comparada a outras cultivares de Panicum maximum:

  • Melhor cobertura do solo, sendo em média, melhor em 87%, 83% e 76% para as pastagens de Massai, Tanzânia e Mombaça, respectivamente;
  • Maior persistência em níveis mais baixos de fósforo;
  • Maior produção de parte aérea e de raízes em soluções com alta concentração de alumínio;
  • Sistema radicular mais adaptado às condições adversas do solo, como compactação, baixa fertilidade, alta acidez e déficit hídrico.

A produtividade de animais em pasto de capim Massai tem sido superior àquela obtida com o capim Marandú. A média de produtividade foi de 620 kg/ha/ano de peso vivo. Em função da alta taxa de rebrota, e para manter melhor valor nutritivo, ao longo do ano, recomenda-se, para essa cultivar, o pastejo rotacionado, com um período de descanso entre 28 e 35 dias.

Observações de campo têm possibilitado verificar boa aceitação dessa cultivar por ovinos e eqüinos. Apresentou excelente desempenho nos seguintes Estados: Acre, Pará, Tocantins, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Piauí. Assim, essa pode se tornar uma alternativa importante para parte dessas regiões, onde ocorrem problemas com as pastagens do capim Marandú. Isso faz dessa cultivar uma forrageira promissora, e de grande potencial para a diversificação e viabilização da sustentabilidade.

2 - CARACTERÍSTICAS BÁSICAS

  • Nome científico: Panicum híbrido vr. Massai.
  • Genealogia: Híbrido de Panicum maximum Jacq e o Panicum infestum BRA- 7102.
  • Origem: CNPGC – EMBRAPA.
  • Ciclo vegetativo: perene.
  • Forma de crescimento: cespitoso.
  • Altura da planta: crescimento livre até 1,50 m.
  • Formas de uso: pastejo e fenação.
  • Digestibilidade: satisfatória.
  • Palatabilidade: satisfatória.
  • Precipitação requerida: 1.200 mm/ano.
  • Tolerância a insetos: tolerante à cigarrinha.
  • Teor de proteína na matéria seca: 9,3% durante o verão e 8,2% no inverno.
  • Produção de matéria seca: 25 t/ha/ano.

Plantas de capim massai

3 - RECOMENDAÇÕES GERAIS

  • Fertilidade do solo: acima de média fertilidade.
  • Forma de plantio: semente.
  • Modo de plantio: a lanço.
  • Profundidade de plantio: 2 cm.
  • Sementes necessárias: 6 kg/há.
  • Tolerância à seca: satisfatória.
  • Tolerância a solos mal drenados: baixa.
  • Tolerância ao frio: satisfatória.
  • Tempo para utilização: 90 a 100 dias após o plantio.
  • Consorciação: Leucaena, Guandu, Calopogonio, Stylosanthes etc.
  • Adubação: de acordo com as recomendações técnicas determinadas pela análise de solo.
  • Dormência da semente: inexistente.
  • Pureza: mínima 60%.
  • Germinação: mínimo 40%.

4 - LITERATURA CONSULTADA

BOGDAN, A. V. Tropical posture and fodder plants – Grasses and legumes. London and New York, 475 p., 1977.

FAO – 2004a http://www.fao.org/ag/AGP/AGPC/doc/Gbase/Latin.htm.

FAO – 2004b http://www.fao.org/ag/AGA/AGAP/FRG/afris/es/Data/31.htm.

 
     
 
   
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