Série Gramíneas Tropicais - Gênero Pennisetum (Pennisetum americanum - Milheto)

HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor

1 - INTRODUÇÃO

O Pennisetum americanum (L), conhecido por pasto italiano ou milheto é originário da África e Índia. É uma gramínea cespitosa; produz excelente quantidade de massa verde em solos arenosos e pobres, desde que não sejam úmidos. Não tolera o frio. Apresenta características semelhantes as dos sorgos forrageiros, sem o problema da toxidez, nestes verificada, no início do ciclo vegetativo.Pode ser utilizado tanto em pastejo como em produção de feno e silagem. Produz grande número de afilhos, o que propicia excelentes rebrotas, após cortes e pastejos. Muito usado em sistema de plantio direto.

Cultivares:

1 - 'Katherine Pearl'- originário das introduções em Ghana e desenvolvidos por CSIRO (Austrália, at Katherine, Northern Territory). Ele requer 12 a 12,5 horas de luz para florescer.

2 - 'Ingrid Pearl'- originário da África e desenvolvida na Austrália. Sementes pequenas e amarelas. Produz sementes, duas semanas antes da Katherine Pearl.

3 - 'Tamworth'- obtida de cruzamentos de vr. Gahi, na Georgia (E.U.). É uma planta tardia.

4 - 'MX 001' – primeiro híbrido comercial produzido na Austrália. Planta com alto perfilhamento e com folhas mais finas. É uma planta precoce.

5 - Pennisetum americanum x P. purpureum . Híbridos tais como: Napier-bajra híbrido, elephant-bajra híbrido ou híbrido Napier, cv. Gajraj e cv. Pusa Giant Napier, Capim Elefante são híbridos de altíssimas produções de forragem. Na Índia, foram obtidas produções de 200 a 400 t de forragem verde por hectare, por ano. Muito palatável e muito usada para silagem.

2 - CARACTERÍSTICAS BÁSICAS

  • Nome científico: Pennisetum americanum (L.) Leeke [P. glaucum (L.) R. Br. sens. Amer. auct.]
  • Origem: África e Índia
  • Ciclo vegetativo: Anual 150 a 160 dias ou bianual
  • Altura da planta: 2,00 a 3,00 m
  • Forma de crescimento: ereta
  • Formas de uso: “in natura” picado no cocho, silagem, pré-secado, pastejo, produção de feno e Sistema Agropastoril (plantio direto)
  • Digestibilidade: satisfatória
  • Palatabilidade: satisfatória
  • Precipitação pluviométrica requerida: 125 - 900 mm
  • Temperatura ótima: 20/25°C, noturna/diurna
  • Fotoperíodo: algumas vr. indiferentes e outras de dia curto
  • Tolerância à seca: média
  • Tolerância ao frio: média
  • Produção da matéria seca: 6 a 10 t MS/ha/ano
  • Teor de proteína na matéria seca: 12%
  • Tolerância a insetos e doenças: tolerante a cigarrinha e sujeito ao Helmintosporium nas folhas e Striga hermonthica nas raízes.
  • Genética e reprodução: O milheto é uma excelente planta para trabalhos de genética e citogenética. Estádios evidentes e claros na meiose dos cromossomos de tamanho grande e em pequeno número, permitindo estudos detalhados. Hibridação interespecífica de Pennisetum americanum com Pennisetum purpureum tem sido feita com sucesso. O capim Bana é um dos híbridos obtidos e largamente usados no Sudeste de Queensland. As unidades de melhoramento de milheto estão situadas em EAAFRO, Serere Research Station in Uganda e em Coastal Plains Research Station, Tifton, Georgia, United States.

FIGURA 1 – Plantas de Milheto

3 - RECOMENDAÇÕES AGRONÔMICAS

  • Fertilidade do solo: acima de média
  • Forma de plantio: por mudas (2.000 kg/ha)
  • Modo de plantio: em linhas
  • Espaçamentos: 1,0 m entre sulcos para corte e 0,50 m entre sulcos para pastejo
  • Profundidade de plantio: 0,15 a 0,20 m
  • Tempo para utilização: 90 a 110 dias após plantio
  • Tolerância à seca: média
  • Tolerância ao frio: baixa
  • Tolerância a solos mal drenados: baixa
  • Tolerância ao fogo: moderada
  • Consorciação: nenhuma
  • Latitude: limites 10°N e 20°S
  • Salinidade no solo: possivelmente não tolera
  • Adubação: de acordo com as recomendações técnicas determinadas pela análise de solo
  • A cultura de capim elefante retira por ano, em média, 77 kg de N, 50 kg de P e 594 kg de K do solo

4 - COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA DO MILHETO

Estádio de crescimento e/ou forma Composição bromatológica - %
MS PB FB MM EE ENN
Forragem com 0,40 m   15,3 17,7  21,1  13,4   3,2  44,6
Forragem com 0,45 m   18,7 16,4  22,3  13,0   3,0  45,3
Forragem com 0,50 m   17,0 13,9  25,5  13,0   3,3  44,3
Forragem com 0,65 m   18,6 11,4  26,4  11,9   2,8  47,5
Forragem com 0,90 m   19,2   9,6  28,4  12,7   1,7  47,6
Forragem na metade da floração   22,3 11,4  26,3  12,6   2,4  47,3
Forragem na fase de grãos leitosos   23,5 10,6  28,0    9,2   2,1  50,1
Forragem na fase de grãos pastosos   27,8   8,8  24,9    8,2   1,9  56,2
Feno   89,5   6,6  41,2  10,0   1,3  40,9
Forragem seca – Palha   94,5   3,8  37,3    5,9   1,5  51,5

5 - LITERATURA CONSULTADA

BOGDAN, A. V. Tropical posture and fodder plants – Grasses and legumes. London and New York, 475 p., 1977.

FAO – 2004a http://www.fao.org/ag/AGP/AGPC/doc/Gbase/Latin.htm.

FAO – 2004b http://www.fao.org/ag/AGA/AGAP/FRG/afris/es/Data/31.htm.

VALADARES FILHO, S.C. 2000. Nutrição, avaliação e tabelas de alimentos para bovinos. XXXVII Reunião Anual da SBZ, 37, Viçosa, 2000, Anais... Viçosa: 2000. 250p.

 
     
 
   
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