SÉRIE GRAMÍNEAS TROPICAIS - GÊNERO PENNISETUM
(Pennisetum purpureum – Capim)
HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor
1 - INTRODUÇÃO
O capim elefante comum (Pennisetum purpureum, Schum) é uma gramínea triploíde, de origem africana. Esta gramínea foi introduzida no Brasil na década de 50, pelo Coronel Napier. Apresenta um grande número de variedades e/ou ecotipos, como: Napier, Mercker, Porto Rico, Albano, Mineiro, Mole de Volta Grande, Gigante de Pinda, Mott, Taywan, Cameroon, Urukwanu, Roxo etc. Esta forrageira produz matéria seca de baixa digestibilidade no inverno, devido a seu alto conteúdo em fibras não digestíveis, e lignina. O capim elefante exige solos de média e alta fertilidade, é sensível ao frio e ao fogo, não tolera solos úmidos.
Cultivares mais importantes:
- Capim elefante ‘Merkeri’ (Merker grass) - resistente ao Helmintosporium sp.
- Capim elefante 'Capricorn’ – requer 2.000 mm/ano de chuvas.
- Capim elefante 'Pusa Giant Napier’ – susceptível ao Helmintosporium.
- Capim elefante 'Merkiron' e 'Costa Rica 532' – é usado na Colômbia, e 'French Cameroons', 'Gold-Coast' e 'Cameroons' na África.
O principal atributo desta forrageira é sua alta produção de forragem quando submetida a cortes freqüentes, adubada e irrigada. Apresenta ótima resposta à adubação (NPK). A literatura se reporta ganhos de até 1.000 kg/ha/ano, em peso vivo, por ano, com adubações adequadas. É uma gramínea recomendada para produção de silagem, contudo, seu teor de CHO solúveis (<10%) está no limiar do nível recomendado pela pesquisa que é de 10%. Recomenda-se reduzir seu teor de água à época de ensilagem, por intermédio de emurcheci mento ou de um aditivo seqüestrante de água (polpa cítrica ou milho desintegrado com palha e sabugo). É recomendável, ainda, o uso de um aditivo bacteriano e/ou melaço para aumentar a fermentação láctea.
2 - CARACTERÍSTICAS BÁSICAS
- Nome científico: Pennisetum purpureum Schumach.
- Origem: África.
- Ciclo vegetativo: perene.
- Altura da planta: em crescimento livre, até 3,5 m, dependendo da variedade.
- Forma de crescimento: ereta, cespitosa.
- Formas de uso: forragem picada verde ”in natura”, ensilagem, haylage, pastejo e fenação.
- Digestibilidade: satisfatória, na primavera, verão e inicio de outono. baixa no final de outono e inverno.
- Palatabilidade: satisfatória, no verão.
- Produção de matéria seca: 20 – 35 t/ha/ano.
- Precipitação pluviométrica: 1.500 mm/ano.
- Tolerância a insetos e doenças: sensível à cigarrinha e ao Helmintosporium sacchari.
- Teor de proteína na matéria seca: 14% no verão e 6% no inverno.
- Temperatura: ótima 25-40°C e a mínima 15°C.
- Altitude: nível do mar até 2.000 m.
- Fotoperíodo: planta de dia curto.
- Iluminamento: não é uma planta de sombra.
- Número de cromossomos: 2n = 27, 28, 56. Facilmente se cruza com Pennisetum americanum (P. typhoides) e produz um híbrido hexaplóide rústico.
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Figura 1 – Plantas de capim elefante comum
3 - RECOMENDAÇÕES AGRONÔMICAS
- Fertilidade do solo: acima de média
- Forma de plantio: por mudas (2.000 kg/ha)
- Modo de plantio: em linhas
- Espaçamentos: 1,0 m entre sulcos para corte e 0,50 m entre sulcos para pastejo
- Profundidade de plantio: 0,15 a 0,20 m
- Tempo para utilização: 90 a 110 dias após plantio
- Tolerância à seca: média
- Tolerância ao frio: baixa
- Tolerância a solos mal drenados: baixa
- Tolerância ao fogo: moderada
- Consorciação: nenhuma
- Latitude: limites 10°N e 20°S.
- Salinidade no solo: possivelmente não tolera
- Adubação: de acordo com as recomendações técnicas determinadas pela análise de solo.
- A cultura de capim elefante retira por ano, em média, 77 kg de N, 50 kg de P e 594 kg de K do solo.
4 - COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA E DIGESTIBILIDADE DA MS Do PENNISETUM PUPUREUM
Idade e/ou forma da
forragem e digestibilidade |
Composição bromatológica (%) |
| DIVMS |
MSM |
PB |
FB |
P |
Ca |
EE |
0 - 45 dias de crescimento
46 – 63 dias de crescimento
64 – 120 dias de crescimento
120 – 200 dias de crescimento
201 – 314 dias de crescimento |
55,0
59,3
58,0
43,7
38,0 |
13,2
16,3
18,8
28,0
35,0 |
13,2
7,1
7,2
4,3
2,3 |
21,0
22,0
25,6
32,0
38,9 |
0,17
0,13
0,08
0,07
0,05 |
0,21
0,52
0,30
0,30
0,25 |
4,3
2,9
3,0
2,4
1,8 |
Silagem
Feno |
43,5
50,0 |
27,6
88,0 |
7,8
10,2 |
30.3
30,0 |
0,22
0,21 |
0,37
0,32 |
5,0 |
5 - LITERATURA CONSULTADA
BOGDAN, A. V. Tropical posture and fodder plants – Grasses and legumes. London and New York, 475 p., 1977.
FAO – 2004a http://www.fao.org/ag/AGP/AGPC/doc/Gbase/Latin.htm.
FAO – 2004b http://www.fao.org/ag/AGA/AGAP/FRG/afris/es/Data/31.htm.
VALADARES FILHO, S.C. 2000. Nutrição, avaliação e tabelas de alimentos para bovinos. XXXVII Reunião Anual da SBZ, 37, Viçosa, 2000, Anais... Viçosa: 2000. 250p. |