SÉRIE GRAMÍNEAS TROPICAIS - GÊNERO PANICUM (Panicum maximum – Tanzânia - Capim)

HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor

1 - INTRODUÇÃO

A Cultivar foi introduzida no Brasil, pela EMBRAPA, e coletada em 1969 em Korogwe –Tanzânia (África) pelo ORSTOM (Institut Français de Recherche Scientifique pour le Developpement em Coopération). Foi avaliada além do Brasil, no México, Cuba e Colômbia.

É uma planta cespitosa, de ciclo anual, com altura média de 1,3 m, folha decumbente com largura média de 2,6 cm. Lâminas e bainhas são glabras, sem serosidade. Os colmos são levemente arroxeados. As inflorescências são do tipo panícula, com ramificações primárias longas, e secundárias, longas, apenas, na base. As espiguetas são arroxeadas, glabras e uniformemente distribuídas. O verticilo é glabro.

É um cultivar de porte médio, atingindo 1,30 m de altura e mesmo apresentando colmos velhos, não é rejeitado pelos animais, o que, normalmente, acontece com touceiras de Colonião e Tobiatã. A produção forrageira deste acesso foi de 133 t/ha/ano de matéria verde e 26 t/ha/ano de matéria seca, chegando a produzir três vezes mais que o “Colonião” na seca (10,5% da produção anual). Sua produção, no nível baixo de fertilidade do solo, correspondeu a 80% do nível alto.

O Tanzânia é uma planta exigente em fósforo (P) e potássio (K), principalmente, na fase de implantação. Por ser planta exigente em fertilidade, recomenda-se o monitoramento da fertilidade através de análise, principalmente a aplicação de nitrogênio em cobertura para manutenção da produtividade forrageira.

Em experimento de três anos de pastejo, ela foi superior aos cultivares Tobiatã e Colonião, tanto em ganho por animal quanto em ganho por área. O ganho diário por cabeça foi, em média, 720 g nas águas e 240 g na seca. Em área corrigida e adubada, tem mostrado boa aceitabilidade pelos bezerros, com ganhos de peso superiores aos obtidos na Brachiaria brizantha cv. Marandu. Os melhores resultados são obtidos em pastejo rotacionado, com 1 a 5 dias de pastejo e 25 a 30 dias de descanso, durante o período chuvoso e 45 a 50 dias no inverno. Em diversos experimentos a taxa de lotação ultrapassou a 4,0 U.A./ha. Pode ser utilizada por bovinos, em fase de engorda e cria. Pode ser consumida por eqüinos e ovinos.

2 - CARACTERÍSTICAS BÁSICAS

  • Nome científico: Panicum maximum Jacq vr. Tanzânia l.
  • Origem: África - CNPGC/EMBRAPA (Campo Grande MS).
  • Ciclo vegetativo: perene.
  • Forma de crescimento: cespitosa.
  • Altura da planta: crescimento livre até 1,60 m.
  • Formas de uso: pastejo.
  • Digestibilidade: satisfatória.
  • Palatabilidade: satisfatória.
  • Precipitação pluviométrica requerida: 1.000 mm/ano.
  • Fotoperíodo: planta de dia curto.
  • Teor de proteína na matéria seca: no inverno 6% e no verão até 14%.
  • Consorciação: todas as leguminosas.
  • Tolerância a insetos: sensível à cigarrinha e à lagarta do cartucho.
  • Produção de forragem: 20 a 26 t MS/ha/ano.
  • Tipo de inflorescência: Panicum.

Plantas de capim Tanzânia

3 - RECOMENDAÇÕES AGRONÔMICAS

  • Fertilidade do solo: acima de média fertilidade
  • Forma de plantio: semente
  • Tolerância à seca: baixa
  • Tolerância ao frio: baixa
  • Modo de plantio: a lanço
  • Profundidade de plantio: 2,0 cm
  • Sementes necessárias: 10 kg
  • Tolerância à seca: baixa
  • Tolerância ao frio: baixa
  • Temperatura ótima: > 20°C
  • Tolerância a solos mal drenados: baixa
  • Adubação: de acordo com as recomendações técnicas determinadas pela análise de solo
  • Dormência das sementes: inexistente
  • Pureza: mínima 30% chão e 40% cacho
  • Germinação: mínimo 60% chão e 40% cacho.

4 - COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA DA MS

Estádio de crescimento Composição bromatológica % MS
MS PB FB MM EE ENN
Fresca, com 0,40 m 25,0 8,8 29,9 11,2 1,6 48,5
Fresca, com 0,80 m 25,0 8,8 32,8 12,9 1,5 44,0
Fresca, princípio floração. 28,0 5,3 39,6 10,6 1,4 43,1

5 - LITERATURA CONSULTADA

BOGDAN, A. V. Tropical posture and fodder plants – Grasses and legumes. London and New York, 475 p., 1977.

FAO – 2004a http://www.fao.org/ag/AGP/AGPC/doc/Gbase/Latin.htm.

FAO – 2004b http://www.fao.org/ag/AGA/AGAP/FRG/afris/es/Data/31.htm.

VALADARES FILHO, S.C. 2000. Nutrição, avaliação e tabelas de alimentos para bovinos. XXXVII Reunião Anual da SBZ, 37, Viçosa, 2000, Anais... Viçosa: 2000. 250p.

 
     
 
   
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