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Portanto, tem-se uma larga variação em relação à exigência entre as espécies forrageiras. A Brachiaria humidicola e o capim Andropogon por exemplo, se apresentam como plantas com menores exigências em nitrogênio, fósforo e potássio. Estes dados sobre extração de nutrientes de uma cultura de um solo por ano são muito importantes para se programar uma adubação de manutenção. Em se tratando de áreas destinadas à produção de forragem para ser ensilada, deve considerar que esta extração é cem por cento efetiva. No caso de pastagem tem-se que o aproveitamento da forragem pelo animal em pastejo é da ordem de 60 a 70% e ainda, a contribuição das fezes e urina ao sistema. Contudo, esta reciclagem é precária e por isto não deve ser relevada.

Sobre outro aspecto (Quadro 3) as forrageiras que despontam como menos tolerantes ao alumínio e mais exigentes em fósforo são as pertencentes ao Gênero Pennisetum (capim elefante Cameron, Taiwan, Paraíso etc), ao Gênero Panicum (capim Mombaça, Tanzânia, Guiné, Atlas, Áries, Colonião, Makuene etc) e ao Gênero Hyparhenia (capim Provisório).

Entre as leguminosas, verifica-se que Stylosanthes captata é  mais tolerante ao alumínio e menos exigente ao fósforo, enquanto a soja perene se apresenta como  mais exigente em fósforo e cálcio e menos tolerante ao alumínio. Portanto, pode-se concluir que uma pastagem formada com uma planta  mais exigente, como um Panicum, terá um período de uso menor, se não houver atenção à adubação de manutenção (Quadro 3).

QUADRO 3 - COMPARAÇÃO ENTRE TREZE FORRAGEIRAS TROPICAIS, QUANTO À EXIGÊNCIA EM CÁLCIO E FÓSFORO E TOLERANCIA AO ALUMÍNIO (Vilela et al.,  2000 e Sousa et al.,  2001).

Espécies Forrageiras

ESCALA 1 DE
EXIGÊNCIA EM P

ESCALA 2 DE
EXIGÊNCIA EM Ca

ESCALA 3 DE
TOLERANCIA EM Al

B. humidicola
(Quicuiu)

1

1

3

A. gayanus
(capim Andropogon)

2

2

2

M. minutiflora
(capim Gordura)

2

2

2

B. decumbens
(braquiarinha)

2

2

3

P. maximum  
(capim Colonião)

3

2

1

P. purpureum
(capim Elefante)

3

3

1

P. hybridum
(capim Paraíso)

3

3

2

H. hufa 
(capim Provisório)

3

1

2

S. captata
(Estilosantes)

2

2

3

C. pubescens
(Centrosema)

2

2

3

S. guianensis
(Estilolasantes)

1

1

2

G. striata 
(Galaxia)

2

1

2

C. mucunoides
(Calopogonio)

1

1

2

1), 2), 3) Grau de exigência em P e Ca; e grau de tolerância ao Al :1 = baixa, 2 = média, 3 = alta

7 – RESPOSTAS DAS FORRAGEIRAS AOS NUTRIENTES

As respostas das forrageiras à aplicação de nitrogênio, fósforo, potássio e enxofre são  variáveis  e estão  em função dos níveis de adubação usados e das exigências das espécies forrageiras utilizadas. Neste sentido estudou-se três níveis de fósforo e enxofre em capim  Provisório e capim  Colonião (Quadro 4).

QUADRO 4 - RESPOSTA DO CAPIM COLONIÃO E PROVISÓRIO À DIFERENTES NÍVEIS DE ENXOFRE E FÓSFORO ( McClung & Quinn ,1969 ).

Espécie Forrageira

Nível de P e S (kg/ha)

Produção de matéria seca ( t/ ha )

Capim Provisório

0P e 0S

20

34P e 22S

25

68P e 44S

35

Capim Colonião

0P e 0S

27

34P e 22S

34

68P e 44S

33

Verifica-se (Quadro 4) que  as respostas á níveis de fósforo e de enxofre foram diferentes  nas duas espécies de gramíneas. Enquanto o capim Provisório aumentou de 20 para  25t/ha, o capim Colonião de 27 para 34t/ha  de matéria seca ao passar de 0 para 22kg/ha de enxofre  e de 0 para 34kg/ha de fósforo  por hectare.

Interessante de se notar é que em níveis maiores de enxofre e fósforo, ou seja de 44 e 68kg Kg por hectare, há aumento de  produção de matéria seca apenas no capim Provisório. Enquanto no nível 68 Kg de fósforo  e 44 Kg de enxofre não resultou em aumento e sim a um pequeno decréscimo na produção  de matéria seca no capim Colonião.

A justificativa para o uso de uma leguminosa associada à gramínea na pastagem é conhecida de longa data e resume-se em: incorporar nitrogênio ao sistema, elevar o teor de matéria orgânica do solo, proporcionar ao animal forragem com maior teor de proteína. Porém, persiste ainda a dúvida de qual seria a melhor forma para obtenção de um  consórcio gramínea mais leguminosa, em que a leguminosa participe em pelo menos 30% da forragem produzida.

Foi conduzido um trabalho de adubação de manutenção em pastagem consorciada, com nove anos de duração, com o  objetivo de estudar níveis de adubação de manutenção de fósforo e de potássio em pastagem de capim Makuene (Panicum maximum) com Stilozanthes guianensis.

Verifica-se (Quadro 5) que a pastagem que não recebeu adubação apresentou decréscimo nas porcentagens de capim Makuene, de leguminosa (Stylosanthes) e acréscimos de ervas, arbustos e capim-gordura (Melinis minutiflora), quando comparado com as pastagens que receberam adubação ao longo do período de utilização da mesma.

Estes dados mostram a tendência do capim-gordura, das ervas e arbustos de substituírem, gradativamente, o capim Makuene e a leguminosa numa pastagem estabelecida em latossolo vermelho sob pastejo. Portanto, a cobertura vegetal se modifica em função dos níveis de nutrientes disponíveis no solo, conforme já foi dito.

QUADRO 5 - EFEITO DE FÓSFORO E POTÁSSIO EM PASTAGENS CONSORCIADAS E SOBRE A COBERTURA  VEGETAL (Vilela et al., 2004)

ANO

P205 e K20
(Kg/ha/Ano)

Capim – Makueni (%)

Capim-gordura (%)

Stylosanthes (%)

Ervas  e Arbustos (%)

1

0

52

11

9

9

20

53

11

8

10

40

52

10

8

10

4

0

35

6

5

17

20

56

13

6

8

40

65

14

7

3

9

0

8

10

3

51

20

59

10

8

10

40

70

1

10

4

Estes mesmos autores mostram o efeito de adubação sobre a taxa de lotação e rendimento  em peso vivo (Quadro 6). As adubações modificaram consistentemente a taxa de lotação e rendimento em peso vivo. Comparando-se os rendimentos em peso vivo nos tratamentos usados ao longo dos anos, nota-se que o nível 20 Kg por hectare de P205 e K20 tende a mantê-los, o nível 40 Kg a aumentá-los anos e o nível zero a decrescê-los.

QUADRO 6 - TAXA DE LOTAÇÃO E RENDIMENTO EM PESO VIVO (Vilela et al ., 2004)

Ano

Adubação de Manutenção

Taxa de Lotação

Ganho de Peso Vivo

Kg P2O5 e K2O / ha/ano

UA / ha

Kg PV/ ha/ano

1

0

1,01

299eC

20

1,20

369dB

40

1,45

376dA

3

0

0,73

170fC

20

1,15

339dB

40

1,60

448cA

6

0

0,52

100dC

20

1,24

365cB

40

1,80

520bA

9

0

0,29

50hC

20

1,25

350dB

40

2,05

560aA

Médias

0

0,64

155C

20

1,21

363B

40

1,73

476A

Médias com letras maiúsculas ou minúsculas diferentes, dentro do ano são diferentes.

Procedendo a análise financeira deste investimento (Barbosa et al.,  2004) verificaram-se que as adubações com fósforo e potássio em pastagens de Panicum maximum cv. Makuene com Stylosanthes guianensis (FIGURA-1) aumentaram a produtividade (@/ha/ano) e diminuíram os custos da arroba produzida. O melhor resultado econômico, avaliado pelo VPL e TIR, foi quando as pastagens foram adubadas com 40 kg de P2O5 e 40 kg de K2O/ha/ano, para as condições experimentais assumidas.

Em outro trabalho (Quadro 7) observou-se  melhor  rendimento de peso vivo, por hectare, por ano, na pastagem que recebeu nitrogênio (100 Kg de N/ha, na forma de uréia), quando comparada com a pastagem consorciada (Soja perene + Siratro).

O autor comenta que, embora os animais na pastagem consorciada tenham ganhado mais peso na época da seca, devido ao melhor valor nutritivo de sua forragem, a adubação nitrogenada permitiu uma maior lotação, o que resultou em maior produtividade da pastagem não consorciada. Procedendo  a uma análise econômica, o autor encontrou maiores retornos líquidos para a pastagem que recebeu aplicação de nitrogênio.

QUADRO 7 - COMPARAÇÃO ENTRE PASTAGEM DE CAPIM-GUINÉ COM NITROGÊNIO MINERAL E PASTAGEM CONSORCIADA DE Panicum maximum (Vilela et al., 1982)

TRATAMENTOS

TAXA DE LOTAÇÃO
(UA/ha)

GANHO DIÁRIO (g/dia)
SECA/ANO

GANHO PV/ha
(Kg/ha)

P. maximum + Soja + Siratro

1,83

520/765

540

P. maximum + Uréia

2,55

305/770

754

Foi conduzido um trabalho de pesquisa (Coutinho et al, 2001) no sentido de verificar efeito de níveis de nitrogênio e potássio sobre a produção de forragem de capim Coast cross irrigado. Verificou-se que a resposta ao potássio é praticamente nula na ausência de nitrogênio. Mas, a resposta ao potássio é evidenciada na presença de nitrogênio, com significativos aumentos de produção de forragem.

Para o nível de 30kg de K2O e 40kg de N a produção de matéria seca foi de 1.000kg/ha, enquanto para mesmo nível de potássio e com 80kg de N a produção foi de 2.000kg e assim para o mesmo nível de potássio mas com 120kg de N a produção foi de 2.750kg/ha. As maiores produções (6.000kg/ha) foram obtidas com 130kg/ha de K2O  e 200kg/ha de N.

Estudou-se a produtividade de uma pastagem de capim Colonião com a adição de  fósforo, potássio e nitrogênio (Quadro 8) O ganho em peso vivo por hectare, por ano,  da pastagem que  recebeu 200kg de P2O5 foi igual aquele da pastagem que recebeu fósforo mais potássio (40kg/ha de K2O). Este resultado pode ser devido ao nível alto de fertilidade inicial deste solo em relação ao potássio. Contudo, quando se usou 200 Kg de nitrogênio por hectare com  potássio (40kg/ha) no mesmo solo, o ganho em peso por hectare  por ano,  foi 2,39 vezes maior. Evidenciando a resposta do potássio na presença de nitrogênio.

QUADRO 8 - ADUBAÇÃO DE PASTAGEM DE CAPIM COLONIÃO (MONTEIRO &WERNER, (1990)

TRATAMENTO

TAXA DE LOTAÇÃO
(UA/ha)

GANHO DIÁRIO
(g/dia)

GANHO PV POR HA
(Kg/ha)

200 Kg P205

1,9

760

263

40 Kg K20/ha +
200 Kg P205/ha

2,0

760

273

200 Kg N/ha +
40 Kg K20/ha

5,3

690

652

Trabalho realizado em latossolo Amarelo Vermelho (Município de Matosinhos - MG), (Quadro 9) mostra o efeito do fosfato na forma de Superfosfato simples (500kg/ha) e sulfato de cálcio (500kg/ha) sobre a capacidade de suporte de uma pastagem de capim Brachiaria brizantha vr Marandu com 8 anos de exploração e seu  rendimento em peso vivo  por ha por ano. Verificaram-se efeitos crescentes (P< 0,05) em rendimentos em peso vivo em relação aos tratamentos.

QUADRO 9 - TAXA DE LOTAÇÃO E RENDIMENTO EM PESO VIVO, POR  ANIMAL, POR  DIA E POR HECTARE, POR ANO (Vilela et al., 1995)

Tratamento

Taxa de Lotação

Rendimento
(kg/animal/dia)

Peso Vivo
(kg/ha/ano)

Testemunha

Superfosfato simples

Superfosfato + S. cálcio

0,47

0,58

0,70

0,400

0,512

0,625

69,10c

110,10b

161,35a

P < 0,05, a > b > c

Os resultados obtidos sobre a adubação de pastagem degradada com fósforo, em três propriedades estabelecidas em cerrado (latossolo vermelho amarelo) no estado do Mato Grosso do Sul são apresentados na Figura 2, (Oliveira et al, 2001). Não houve efeito (P > 0,05) do fósforo (100kg/ha) na ausência de nitrogênio sobre a produção de forragem nas três propriedades. Em uma das propriedades houve um aumento não significativo da ordem de 9,7% (371kg/ha), em relação ao tratamento sem fósforo (338kg/ha de MS).

Foram estudados neste mesmo trabalho o efeito daquele nível de fósforo com a presença de nitrogênio (100kg/ha de N, por ano), (Figura 3). Verifica-se que houve efeito (P< 0,05) dos dois níveis de fósforo estudados, independente da propriedade estudada. A mesma propriedade que apresentou maior produção de forragem no tratamento com fósforo (371kg/ha), sem nitrogênio, foi também a que apresentou maior produção  de forragem sob o tratamento com nitrogênio (663kg/ha de MS). Segundo os autores, esta resposta obtida foi devida ao maior nível de fósforo existente neste solo. As respostas do fósforo na presença de nitrogênio foram atribuídas pelos autores ao baixo nível de matéria orgânica existente nestes solos e conseqüentemente baixo nível de nitrogênio disponível para o crescimento radicular da planta e conseqüente utilização precária do fósforo disponível no solo.

Continua...

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