Integração Lavoura-Pecuária - Alternativas de recuperação e formação de pastagem

Herbert Vilela
Engenheiro Agrônomo, Doutor

I - Introdução

A área de pastagem com espécies cultivadas no Brasil está em torno de 115 milhões de hectares, destacando-se nesta categoria o Gênero Brachiaria, enquanto a área com pastagem nativa é de 144 milhões, onde predominam centenas de espécies nativas. Anualmente, semeiam-se cerca de 5,5 milhões de hectares para formação de pastagem, quer na forma de renovação ou de formação propriamente dita (Zimmer & Euclides, 2000).

Estas áreas abrigam numericamente: 195 milhões de bovinos, de 18,7 milhões de ovinos, de 10,6 milhões de caprinos, de 9,6 milhões de eqüinos, de 2,0 milhões de muares, de 1,3 milhões de asininos e de 1,5 milhões de bufalinos (IBGE, 2004). Estes números proporcionam uma taxa de lotação de 0,91 cabeças por hectare.

A produção bovina atual é da ordem de 8 milhões de toneladas por ano de equivalente carcaça, com uma taxa de abate de 20,87% (CNA, 2004).

A omissão de critérios técnicos na utilização de áreas com recursos naturais, com agricultura e com pastagem, vem causando severas mudanças ao meio ambiente, através de vários tipos de ações antrópicas:

  • Vegetação clímax - uso generalizado do fogo como meio auxiliar no manejo de pastagens e impropriedades no desmatamento mecânico, assim como o uso indiscriminado de herbicidas, causando redução deste tipo de vegetação;
  • Processo de erosão - falta de controle a erosão nas áreas agricultáveis, super-pastejo e uso de gramíneas inadequadas a áreas com pastagem. Não há obediência aos limites de declividade, para o uso em agricultura e para a formação de pastagens. Falta proteção aos topos das elevações. Todos estes fatores contribuindo para aumentar o processo;
  • Água fluvial - não há proteção vegetal às nascentes e ao longo dos cursos d’água, resultando em “assoreamento” destes mananciais e conseqüentemente redução da água fluvial.

As ações antrópicas devem e podem ser evitadas para que os acidentes associados à degradação ao meio ambiente e suas conseqüências sócio-econômicas sejam minimizadas ou evitadas. Um recurso que deve ser adotado pelos atores destas ações, seria primariamente, o uso do Sistema Agropastoril (integração lavoura e pecuária), quando se pode usar o plantio direto, que constitui um aliado importante contra estas modificações impostas ao meio ambiente.

II – INTEGRAÇÃO (KLUTHCOUSKI, FERNANDO STONE & AIDAR, 2003)

A integração da Agricultura e Produção Animal representam ainda o principal caminho para a intensificação da produção de alimento. A produção mista dá aos agricultores uma oportunidade de diversificar o risco da produção agrícola ou produção animal individualmente, de usar a força de trabalho de maneira mais eficiente, de ter uma fonte de dinheiro vivo e de valorizar produtos de fraco valor ou excedentários. Em várias medidas, os sistemas de produções mistos permitem o uso dos resíduos de uma atividade (subprodutos das culturas e estrume) como fatores de produção da outra atividade (como alimento para o gado ou fertilizante).

A produção mista é em princípio, benéfica para a qualidade da terra na medida em que mantém a fertilidade do solo. Além disso, o uso de rotações entre as diferentes culturas e forragens recupera os nutrientes, reduz a erosão e controla algumas doenças do solo.(FAO, 2004).

Contudo, a adoção do primeiro plantio direto nos cerrados é impedido geralmente, pela necessidade de se fazer um preparo (“toillet”) da área, como eliminar arbustos, preparo do solo propriamente dito, nivelamento e plantio, por meio de implementos como arados, grades e compactadores.

Pelo ponto de vista de sustentabilidade, os agrossistemas (agropastoril, silviopastoril, silvioagrícola e outros) têm recebido, nos últimos anos, atenção especial, a partir do entendimento agronômico, econômico, ecológico e social.

Os conceitos de formação e de renovação de pastagens devem ser bem caracterizados. Ambos se referem ao estado atual de uso, da área em questão, como pastagem. O conceito de formação de pastagem é aplicado quando não há presença de pastagem cultivada na área. Por outro lado, o conceito de renovação de pastagem é aplicado á diferentes situações e que está em função do grau de degradação da pastagem cultivada. Assim, têm-se pastagens caracterizadas pela menor produção quantitativa e qualitativa de forragem à época de crescimento vegetativo, até situações em que há pequena produtividade da pastagem pela predominância de plantas invasoras e com processos erosivos acelerados.

Entre estas gradações, há situações intermediárias, que podem determinar a intensidade em que ocorrerá a renovação. Pode haver situações em que o estado de degradação da pastagem está caracterizado por apresentar apenas redução na produção de forragem, o que pode ser ajustado pela adubação corretiva do solo. Há, por outro lado, o extremo da degradação, que envolve neste caso, além do preparo de solo, o plantio, a correção da acidez e a adubação corretiva e de formação.

A intensidade da agricultura, à base de forragens, nas distintas Regiões Pastoris do Brasil, é determinada pelo solo e clima, em união com os princípios que regulam a produção e utilização destas. Embora as plantas forrageiras de regiões secas sejam diferentes daquelas de regiões úmidas, os princípios básicos de manejo que norteiam a sua utilização vão ser os mesmos, qualquer que seja a região.

O objetivo deste trabalho é discutir técnicas agronômicas envolvidas com estabelecimento e adubação de pastagens.

III - Tratamento do Solo

Sistema convencional

Dependendo do tipo de vegetação existente na área e do grau de declividade tem-se a destoca com lâminas em tratores pesados ou em dois tratores pesados com auxilio de correntes, para áreas com cobertura vegetal do tipo cerrado denso e com pouca declividade. Conquanto, estas áreas no Brasil estão se tornando cada vez mais escassas (IBGE, 2004).

Em áreas cobertas com tipos de vegetação que, predominantemente são baixas, como naquelas cobertas por cerrados ralos, campos nativos e de pastagens degradadas, com pequeno grau de declividade, deve-se como primeira medida, usar uma grade pesada. Esta gradagem irá promover uma incorporação da matéria orgânica superficial, das sementes de ervas daninhas e ainda promover uma maior descompactação deste solo. Posteriormente, se necessário for fazer aração com arado tipo aiveca. De acordo com a potência disponível no trator, pode-se usar arados com duas ou quatro aivecas. Sendo que a potência requerida variará de 70 a 110 H.P. Ainda, a aiveca poderá ser lisa ou recortada, se o solo for caracterizado como arenoso ou argiloso. O arado tipo aiveca deve ser dotado de um opcional que permita que a aiveca se desarme quando encontrar algum tipo de resistência. Após a aração, proceder a uma gradagem de nivelamento, logo antes do plantio. Esta operação deve ser feita, se possível, durante o período de seca.

Em solos arenosos, recomenda-se fazer uma compactação do solo com rolo compactador, após o seu preparo, antes e após o plantio da forrageira. Este cuidado é muito importante pela característica das sementes forrageiras (pequeno tamanho) de possuírem pouca reserva para a germinação, principalmente as gramíneas. Como regra geral, em qualquer tipo de solos é recomendada uma compactação imediatamente após o plantio.

Sistema agropastoril

A integração lavoura pecuária, em áreas sem vegetação arbustiva e com declividades moderadas, tornou-se um sistema importante, principalmente devido ao uso do plantio direto. O plantio direto traz os seguintes benefícios para o sistema: a) maior conservação da água e menor variação na temperatura do solo; b)maior capacidade de supressão física das ervas daninhas (reduz o uso de herbicidas pós-emergentes) e especificamente a palhada de Brachiaria; c) controle de doenças (mofo branco, podridão de Fusarium, e podridão de Rhizoctonia), por ação alelopática causada pela microflora do solo sobre os patógenos e, d) maior longevidade na cobertura do solo em razão da lenta decomposição de seus resíduos.

O sistema Barreirão (CNPAF/EMBRAPA) é uma tecnologia de renovação de pastagem em consorcio com culturas anuais (KLUTHCOUSCKI et al.,1991). É recomendado quando for necessária fazer uma correção da acidez do solo, em seguida o preparo do solo (descompactar, controlar de pragas e incorporar pragas e corretivos) e adubação corretiva e de formação. O Sistema Santa Fé (CNPAF/EMBRAPA), fundamenta-se na produção consorciada de culturas de grãos (milho, sorgo, milheto, soja e arroz) com forrageiras tropicais (Gênero Brachiaria) tanto no Sistema de Plantio Direto como no convencional, em áreas de lavoura, com solos devidamente corrigidos.

Os objetivos básicos do Sistema Santa Fé são produzir forragem para a entressafra e palhada em quantidade e qualidade para o Sistema de Plantio Direto. O consorcio é estabelecido anualmente, podendo ser implantado simultaneamente ao plantio da cultura anual ou cerca de 10 a 20 dias após a emergência desta (KLUTHCOUSKI et al., 2000).

As consorciações podem ser de forma simultânea ou em pós-emergência da cultura anual. Uma das alternativas é colocar a semente da forrageira a ser implantada, junto com o adubo usado para o plantio do grão da cultura associada, antecedida de preparo convencional do solo ou não, se houver o uso do dessecamento (herbicida sistêmico) das plantas existentes na área (ervas e/ou forrageiras), ou o plantio da forrageira entre as linhas de plantio do grão. Para retardar o crescimento da forrageira se usa uma sub-dosagem de um herbicida em pós-emergência, evitando assim a competição por luz entre ela e a cultura de grão. Ainda, antes da colheita do grão, pode haver a necessidade de nova aplicação de herbicida para facilitar a colheita do grão, devido ao volume da forrageira. Após a colheita do grão, se usa a forragem para pastejo e/ou fenação e/ou silagem.

Uma característica deste sistema é que após o primeiro ano, anualmente se faz o plantio de grão sobre a forrageira dessecada, que foi plantada simultaneamente com a cultura anterior e também, quase sempre, se faz o ré-semeio da mesma forrageira ou de nova forrageira. Outra variação deste sistema é a aplicação do herbicida ao final do ciclo da cultura do grão (normalmente soja), para acelerar a queda das folhas senescentes e em seguida fazer o plantio da gramínea forrageira. Neste caso tem-se menor competição por luz entre a soja e a forrageira, e conseqüentemente maior produção de grãos. A implantação da cultura do grão deve ser feita no momento propício, ou seja, o mais cedo possível.

Poderá também haver situações em que se fará o plantio da forrageira com o grão da cultura associada, após a aração e gradagem, em se tratando de pastagem degradada e campos nativos. Após as operações de limpeza, sempre proceder à conservação do solo, nos casos pertinentes. Áreas com declividade superior a 8%, recomenda-se usar o cordão em contorno. Estas áreas são hoje, as mais usadas para o sistema agropastoril, valendo-se do Sistema de Plantio Direto. Áreas com declividades entre 8 e 18%, sempre devem ser preparadas com construção de cordão em contorno, sem gradiente e sempre se valer de plantas forrageiras que protejam bem o solo (estolonífera), independente da textura do solo.

Sistema Silviopastoril

Áreas com declividade entre 18 e 35%, as operações de desmatamento e/ou destoca e abertura de linhas de plantio (2cm de profundidade) devem ser feitas apenas em 2/3 da superfície inferior da elevação. A parte superior (1/3) se possuir alguma vegetação arbustiva, deve ser preservada (protegida com cercas) por um período superior a cinco anos e não receber nenhum tratamento mecânico ou químico, independentemente da textura do solo. Nestas áreas, não havendo vegetação arbustiva, deve-se proceder ao plantio de plantas arbóreas frutíferas e/ou leguminosas. A parte inferior (2/3 inferior) deve-se usar espécies forrageiras estoloníferas e não fazer nenhum tipo de conservação de solo, para evitar acidentes com animais, devido a altura dos degraus formados pelos terraços.

Áreas com declividade acima de 35%, não devem ser utilizadas na forma de pastagens e se o são devem ser transformadas em sistema silviopastoril.

IV - Plantio Direto (FEBRAPDP)

Por perceberem que a erosão era causada pelo impacto direto das gotas de chuva na superfície, desintegrando as partículas do solo e fazendo com que o acúmulo de água causasse arraste de grande quantidade de solo juntamente com a água de escorrimento, alguns pioneiros passaram a buscar formas de recolocar a palha resultante das colheitas na superfície do solo contra o impacto direto da chuva.

Este foi o inicio da mais importante revolução ocorrida na agricultura moderna tão extraordinária quanto o descobrimento da mecanização. A presença de produtores demandando novos conhecimentos às instituições públicas, que em parceria com empresas fabricantes de equipamentos, passaram a desenvolver semeadoras que plantassem sem a necessidade de revolver os solos.

Este processo denominado Sistema Plantio Direto na Palha, também conhecido no mundo como “no-tillage”, “zero tillage”, “direct seeding”, “direct drilling”, “labranza zero”, ou “siembra directa”, teve no Brasil crescimento extraordinário. Hoje, 35 anos após o sua introdução, desenvolvimento, aperfeiçoamento, validação e difusão, ocupam uma área de aproximadamente 22 milhões de hectares, o que significa 50% da área explorada com agricultura intensiva no país.

“Os benefícios agronômicos do plantio direto são bastante conhecidos e difundidos”. “Essa é, talvez, a principal razão da rápida expansão desse manejo em substituição ao preparo convencional do solo para plantio.” Observam, porém, que “os benefícios ambientais decorrentes da adoção do sistema são pouco conhecidos e difundidos”. Entre os principais benefícios do plantio direto, está a redução de emissões de gases do efeito estufa, do solo para a atmosfera, transferência do carbono da atmosfera para o solo, contribuindo para a diminuição dos impactos das mudanças climáticas globais.

Estimativas realizadas por vários pesquisadores brasileiros evidenciam que os solos sob plantio direto em clima tropical e subtropical podem seqüestrar, em média, anualmente, de 0,5 a 0,6 toneladas de carbono por hectare.

“Dada à importância do assunto quanto a aspectos ambientais, econômicos e sociais, é fundamental que se aprofunde a discussão a respeito do seqüestro de carbono e qualidade da água via plantio direto, suas perspectivas e oportunidades”, defende a FEBRAPDP1. O plantio direto praticamente elimina, ou reduz drasticamente aquela que em geral é a mais devastadora causa da degradação do solo: a erosão. Prusky2 estima que as perdas para o Brasil são da ordem de US$ 5,3 bilhões/ano, como resultantes de erosão com os seguintes componentes: perda de nutrientes, depreciação da terra, aumento do custo de tratamento da água e de manutenção de estradas de terra e a redução da vida útil dos reservatórios.

Categoria Perdas por erosão (t/há/ano) Perdas de água (mm/ano)
Plantio Convencional 23,3 137,6
Plantio Direto 5,6 42,4
Porcentagem (redução) 76,0 69,2

Fonte: de Maria (1991) – Resumo de trinta experimentos no Brasil.

1. Simpósio sobre Plantio Direto e Meio Ambiente, Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP) e da Itaipu Binacional, 18 a 20 de maio.2005. Foz do Iguaçu.

2. Seminários temáticos para a 3ª Conferência Nacional de C,T& - PARCERIAS ESTRATÉGICAS – NÚMERO 20 – JUNHO 2005

Renovação e /ou recuperação de pastagem

Por definição, renovação ou recuperação de pastagem se refere à técnica ou conjunto de técnicas que se aplicam a uma pastagem cultivada em certo estado de degradação. Esta degradação está associada a um ou vários fatores determinantes. Os principais fatores são:

  • Manejo inadequado;
  • Invasão de plantas indesejáveis;
  • Falta de adaptação da espécie forrageira;
  • Baixa fertilidade do solo;
  • Incompatibilidade entre as espécies associadas.

Grande parte da área de pastagem no Brasil se encontra em algum estádio de degradação. Nos cerrados, por exemplo, é estimado que 80% dos 50 milhões de hectares apresentam sinais de degradação (Kitchel, 1997). Pode haver situações em que o estado de degradação da pastagem está caracterizado por apresentar apenas redução na produção de forragem, o que pode ser ajustado pela adubação de correção e de formação. Um dos problemas nesta prática é definir os nutrientes limitantes para sua correção e formação.

A renovação de pastagem pode consistir, somente adubação de correção e de formação, até preparo completo do solo consistido por destoca, aração, gradagem e plantio da forrageira, dependendo do nível de degradação da pastagem, passando pelo plantio direto com uso de correntões no plantio.

Esta degradação segundo seu nível pode ser não muito intensa, caracterizada pela redução na produtividade de forragem (qualidade e quantidade), de média intensidade, mostrada pela menor área coberta por vegetação com pequeno número de plantas invasoras e alta intensidade, revelada pela presença de alto número de plantas invasoras e surgimento de processos erosivos. Convém salientar que na renovação de pastagem, quando for necessário o preparo do solo, todas as recomendações conservacionistas de solo devem ser observadas.

VI - Exigências de plantas forrageiras

A exigência de uma planta forrageira é determinada pelo seu potencial genético de se produzir matéria seca e de seu conteúdo bromatológico. Assim sendo pode-se dizer que a exigência de uma cultura com forrageira é proporcional a quantidade de nutrientes que ela é capaz de extrair de um solo (Quadro 2).
Espécie Forrageira Produção
tMS/ha/ano
Extração de Nutrientes kg/ha/ano
Nitrogênio Fósforo Potássio
B. humidicola
(Qucuiu da Amazônia)
23 368 11,50 280
A. gayanus
(Capim Andropogon)
23 404 11,50 230
B. decumbens
(Capim braquiarinha)
21 403 12,60 250
B. brizantha
(Capim  Marandu)
25 480 13,50 339
B. brizantha
(C.braquiaria cv MG4)
24 499 13,50 350
B. brizantha
(C.braquiaria cv MG5)
26 520 16,20 420
Panicum maximum
(C. Colonião cv Áries)
28 582 19,60 400
P. purpureum
(Capim elefante comum)
30 600 18,00 600
P. hybridum
(Capim elefante Paraíso)
35 896 24,50 700

1 - Vilela et al. , 2004 2 - Vilela et al., 1999 3 - Monteiro et al., 1990.

Portanto, tem-se uma larga variação em relação à exigência entre as espécies forrageiras. A Brachiaria humidicola e o capim Andropogon por exemplo, se apresentam como plantas com menores exigências em nitrogênio, fósforo e potássio. Estes dados sobre extração de nutrientes de uma cultura de um solo por ano são muito importantes para se programar uma adubação de manutenção. Em se tratando de áreas destinadas à produção de forragem para ser ensilada, deve considerar que esta extração é cem por cento efetiva. No caso de pastagem tem-se que o aproveitamento da forragem pelo animal em pastejo é da ordem de 60 a 70% e ainda, a contribuição das fezes e urina ao sistema. Contudo, esta reciclagem é precária e por isto não deve ser relevada.

Sobre outro aspecto (Quadro 3) as forrageiras que despontam como menos tolerantes ao alumínio e mais exigentes em fósforo são as pertencentes ao Gênero Pennisetum (capim elefante Cameron, Taiwan, Paraíso etc), ao Gênero Panicum (capim Mombaça, Tanzânia, Guiné, Atlas, Áries, Colonião, Makuene etc) e ao Gênero Hyparhenia (capim Provisório).

Entre as leguminosas, verifica-se que Stylosanthes captata é mais tolerante ao alumínio e menos exigente ao fósforo, enquanto a soja perene se apresenta como mais exigente em fósforo e cálcio e menos tolerante ao alumínio. Portanto, pode-se concluir que uma pastagem formada com uma planta mais exigente, como um Panicum, terá um período de uso menor, se não houver atenção à adubação de manutenção (Quadro 3).

QUADRO 3 - COMPARAÇÃO ENTRE TREZE FORRAGEIRAS TROPICAIS, QUANTO À EXIGÊNCIA EM CÁLCIO E FÓSFORO E TOLERANCIA AO ALUMÍNIO (Vilela et al., 2000 e Sousa et al., 2001).

Espécies Forrageiras ESCALA 1 DE
EXIGÊNCIA EM P
ESCALA 2 DE
EXIGÊNCIA EM Ca
ESCALA 3 DE
TOLERANCIA EM Al
B. humidicola
(Quicuiu)
1 1 3
A. gayanus
(capim Andropogon)
2 2 2
M. minutiflora
(capim Gordura)
2 2 2
B. decumbens
(braquiarinha)
2 2 3
P. maximum  
(capim Colonião)
3 2 1
P. purpureum
(capim Elefante)
3 3 1
P. hybridum
(capim Paraíso)
3 3 2
H. hufa 
(capim Provisório)
3 1 2
S. captata
(Estilosantes)
2 2 3
C. pubescens
(Centrosema)
2 2 3
S. guianensis
(Estilolasantes)
1 1 2
G. striata 
(Galaxia)
2 1 2
C. mucunoides
(Calopogonio)
1 1 2

1), 2), 3) Grau de exigência em P e Ca; e grau de tolerância ao Al :1 = baixa, 2 = média, 3 = alta

VII - Respostas das forrageiras aos nutrientes

As respostas das forrageiras à aplicação de nitrogênio, fósforo, potássio e enxofre são variáveis e estão em função dos níveis de adubação usados e das exigências das espécies forrageiras utilizadas. Neste sentido estudou-se três níveis de fósforo e enxofre em capim Provisório e capim Colonião (Quadro 4).

QUADRO 4 - RESPOSTA DO CAPIM COLONIÃO E PROVISÓRIO À DIFERENTES NÍVEIS DE ENXOFRE E FÓSFORO ( McClung & Quinn ,1969 ).

Espécie Forrageira Nível de P e S (kg/ha) Produção de matéria seca ( t/ ha )
Capim Provisório 0P e 0S 20
34P e 22S 25
68P e 44S 35
Capim Colonião 0P e 0S 27
34P e 22S 34
68P e 44S 33

Verifica-se (Quadro 4) que as respostas á níveis de fósforo e de enxofre foram diferentes nas duas espécies de gramíneas. Enquanto o capim Provisório aumentou de 20 para 25t/ha, o capim Colonião de 27 para 34t/ha de matéria seca ao passar de 0 para 22kg/ha de enxofre e de 0 para 34kg/ha de fósforo por hectare.

Interessante de se notar é que em níveis maiores de enxofre e fósforo, ou seja de 44 e 68kg Kg por hectare, há aumento de produção de matéria seca apenas no capim Provisório. Enquanto no nível 68 Kg de fósforo e 44 Kg de enxofre não resultou em aumento e sim a um pequeno decréscimo na produção de matéria seca no capim Colonião.

A justificativa para o uso de uma leguminosa associada à gramínea na pastagem é conhecida de longa data e resume-se em: incorporar nitrogênio ao sistema, elevar o teor de matéria orgânica do solo, proporcionar ao animal forragem com maior teor de proteína. Porém, persiste ainda a dúvida de qual seria a melhor forma para obtenção de um consórcio gramínea mais leguminosa, em que a leguminosa participe em pelo menos 30% da forragem produzida.

Foi conduzido um trabalho de adubação de manutenção em pastagem consorciada, com nove anos de duração, com o objetivo de estudar níveis de adubação de manutenção de fósforo e de potássio em pastagem de capim Makuene (Panicum maximum) com Stilozanthes guianensis.

Verifica-se (Quadro 5) que a pastagem que não recebeu adubação apresentou decréscimo nas porcentagens de capim Makuene, de leguminosa (Stylosanthes) e acréscimos de ervas, arbustos e capim-gordura (Melinis minutiflora), quando comparado com as pastagens que receberam adubação ao longo do período de utilização da mesma.

Estes dados mostram a tendência do capim-gordura, das ervas e arbustos de substituírem, gradativamente, o capim Makuene e a leguminosa numa pastagem estabelecida em latossolo vermelho sob pastejo. Portanto, a cobertura vegetal se modifica em função dos níveis de nutrientes disponíveis no solo, conforme já foi dito.

QUADRO 5 - EFEITO DE FÓSFORO E POTÁSSIO EM PASTAGENS CONSORCIADAS E SOBRE A COBERTURA VEGETAL (Vilela et al., 2004)

ANO P205 e K20
(Kg/ha/Ano)
Capim – Makueni (%) Capim-gordura (%) Stylosanthes (%) Ervas  e Arbustos (%)
1 0 52 11 9 9
20 53 11 8 10
40 52 10 8 10
4 0 35 6 5 17
20 56 13 6 8
40 65 14 7 3
9 0 8 10 3 51
20 59 10 8 10
40 70 1 10 4

Estes mesmos autores mostram o efeito de adubação sobre a taxa de lotação e rendimento em peso vivo (Quadro 6). As adubações modificaram consistentemente a taxa de lotação e rendimento em peso vivo. Comparando-se os rendimentos em peso vivo nos tratamentos usados ao longo dos anos, nota-se que o nível 20 Kg por hectare de P205 e K20 tende a mantê-los, o nível 40 Kg a aumentá-los anos e o nível zero a decrescê-los.

QUADRO 6 - TAXA DE LOTAÇÃO E RENDIMENTO EM PESO VIVO (Vilela et al ., 2004)

Ano Adubação de Manutenção Taxa de Lotação Ganho de Peso Vivo
Kg P2O5 e K2O / ha/ano UA / ha Kg PV/ ha/ano
1 0 1,01 299eC
20 1,20 369dB
40 1,45 376dA
3 0 0,73 170fC
20 1,15 339dB
40 1,60 448cA
6 0 0,52 100dC
20 1,24 365cB
40 1,80 520bA
9 0 0,29 50hC
20 1,25 350dB
40 2,05 560aA
Médias 0 0,64 155C
20 1,21 363B
40 1,73 476A

Médias com letras maiúsculas ou minúsculas diferentes, dentro do ano são diferentes.

Procedendo a análise financeira deste investimento (Barbosa et al., 2004) verificaram-se que as adubações com fósforo e potássio em pastagens de Panicum maximum cv. Makuene com Stylosanthes guianensis (FIGURA-1) aumentaram a produtividade (@/ha/ano) e diminuíram os custos da arroba produzida. O melhor resultado econômico, avaliado pelo VPL e TIR, foi quando as pastagens foram adubadas com 40 kg de P2O5 e 40 kg de K2O/ha/ano, para as condições experimentais assumidas.

Em outro trabalho (Quadro 7) observou-se melhor rendimento de peso vivo, por hectare, por ano, na pastagem que recebeu nitrogênio (100 Kg de N/ha, na forma de uréia), quando comparada com a pastagem consorciada (Soja perene + Siratro).

O autor comenta que, embora os animais na pastagem consorciada tenham ganhado mais peso na época da seca, devido ao melhor valor nutritivo de sua forragem, a adubação nitrogenada permitiu uma maior lotação, o que resultou em maior produtividade da pastagem não consorciada. Procedendo a uma análise econômica, o autor encontrou maiores retornos líquidos para a pastagem que recebeu aplicação de nitrogênio.

QUADRO 7 - COMPARAÇÃO ENTRE PASTAGEM DE CAPIM-GUINÉ COM NITROGÊNIO MINERAL E PASTAGEM CONSORCIADA DE Panicum maximum (Vilela et al., 1982)

TRATAMENTOS TAXA DE LOTAÇÃO
(UA/ha)
GANHO DIÁRIO (g/dia)
SECA/ANO
GANHO PV/ha
(Kg/ha)
P. maximum + Soja + Siratro 1,83 520/765 540
P. maximum + Uréia 2,55 305/770 754

Foi conduzido um trabalho de pesquisa (Coutinho et al, 2001) no sentido de verificar efeito de níveis de nitrogênio e potássio sobre a produção de forragem de capim Coast cross irrigado. Verificou-se que a resposta ao potássio é praticamente nula na ausência de nitrogênio. Mas, a resposta ao potássio é evidenciada na presença de nitrogênio, com significativos aumentos de produção de forragem.

Para o nível de 30kg de K2O e 40kg de N a produção de matéria seca foi de 1.000kg/ha, enquanto para mesmo nível de potássio e com 80kg de N a produção foi de 2.000kg e assim para o mesmo nível de potássio mas com 120kg de N a produção foi de 2.750kg/ha. As maiores produções (6.000kg/ha) foram obtidas com 130kg/ha de K2O e 200kg/ha de N.

Estudou-se a produtividade de uma pastagem de capim Colonião com a adição de fósforo, potássio e nitrogênio (Quadro 8) O ganho em peso vivo por hectare, por ano, da pastagem que recebeu 200kg de P2O5 foi igual aquele da pastagem que recebeu fósforo mais potássio (40kg/ha de K2O). Este resultado pode ser devido ao nível alto de fertilidade inicial deste solo em relação ao potássio. Contudo, quando se usou 200 Kg de nitrogênio por hectare com potássio (40kg/ha) no mesmo solo, o ganho em peso por hectare por ano, foi 2,39 vezes maior. Evidenciando a resposta do potássio na presença de nitrogênio.

QUADRO 8 - ADUBAÇÃO DE PASTAGEM DE CAPIM COLONIÃO (MONTEIRO &WERNER, (1990)

TRATAMENTO TAXA DE LOTAÇÃO
(UA/ha)
GANHO DIÁRIO
(g/dia)
GANHO PV POR HA
(Kg/ha)
200 Kg P205 1,9 760 263
40 Kg K20/ha +
200 Kg P205/ha
2,0 760 273
200 Kg N/ha +
40 Kg K20/ha
5,3 690 652

Trabalho realizado em latossolo Amarelo Vermelho (Município de Matosinhos - MG), (Quadro 9) mostra o efeito do fosfato na forma de Superfosfato simples (500kg/ha) e sulfato de cálcio (500kg/ha) sobre a capacidade de suporte de uma pastagem de capim Brachiaria brizantha vr Marandu com 8 anos de exploração e seu rendimento em peso vivo por ha por ano. Verificaram-se efeitos crescentes (P< 0,05) em rendimentos em peso vivo em relação aos tratamentos.

QUADRO 9 - TAXA DE LOTAÇÃO E RENDIMENTO EM PESO VIVO, POR ANIMAL, POR DIA E POR HECTARE, POR ANO (Vilela et al., 1995)

Tratamento Taxa de Lotação Rendimento
(kg/animal/dia)
Peso Vivo
(kg/ha/ano)
Testemunha
Superfosfato simples
Superfosfato + S. cálcio
0,47
0,58
0,70
0,400
0,512
0,625
69,10c
110,10b
161,35a

P < 0,05, a > b > c

Os resultados obtidos sobre a adubação de pastagem degradada com fósforo, em três propriedades estabelecidas em cerrado (latossolo vermelho amarelo) no estado do Mato Grosso do Sul são apresentados na Figura 2, (Oliveira et al, 2001). Não houve efeito (P > 0,05) do fósforo (100kg/ha) na ausência de nitrogênio sobre a produção de forragem nas três propriedades. Em uma das propriedades houve um aumento não significativo da ordem de 9,7% (371kg/ha), em relação ao tratamento sem fósforo (338kg/ha de MS).

Foram estudados neste mesmo trabalho o efeito daquele nível de fósforo com a presença de nitrogênio (100kg/ha de N, por ano), (Figura 3). Verifica-se que houve efeito (P< 0,05) dos dois níveis de fósforo estudados, independente da propriedade estudada. A mesma propriedade que apresentou maior produção de forragem no tratamento com fósforo (371kg/ha), sem nitrogênio, foi também a que apresentou maior produção de forragem sob o tratamento com nitrogênio (663kg/ha de MS). Segundo os autores, esta resposta obtida foi devida ao maior nível de fósforo existente neste solo. As respostas do fósforo na presença de nitrogênio foram atribuídas pelos autores ao baixo nível de matéria orgânica existente nestes solos e conseqüentemente baixo nível de nitrogênio disponível para o crescimento radicular da planta e conseqüente utilização precária do fósforo disponível no solo.

VIII – Agrupamento das espécies forrageiras segundo aptidões

Seria interessante uma tentativa de agrupar as espécies forrageiras em função das variações do meio (solo, clima e animal), conforme suas aptidões. Assim sendo, em uma primeira tentativa é apresentado, a seguir, o agrupamento das espécies forrageiras em função de fatores edáfo-climáticos:

1 - Quanto as características químicas do solo

1.1 - Solos com nível “alto” de fertilidade

a - Gramíneas recomendadas

  • Panicum maximum - vr. Capim Panicum Mombaça, Tanzânia, Atlas, Aries; Colonião
  • Brachiaria brizantha - vr. Capim Brachiaria MG5 Vitória
  • Pennisetum hybridum - vr. Capim elefante Paraíso Matsuda
  • Pennisetum purpureum - vr. Capim elefante Napier, Mineiro, Cameroon, Urukwanu,Taiwan
  • Cynodon nlemfuensis - vr. Capim Tifton, Florico, Florona, Florakirk, etc
  • Cynodon dactylon - vr. Capim Coast Cross, etc
  • Cloris  gayana - vr. Capim Rhodes

b - Leguminosa recomendada

  • Alfafa sativa - vr. Crioula

1.2 - Solos com nível “médio” de fertilidade a - Gramíneas recomendadas

  • Brachiaria brizantha - vr. Capim Brachiaria Marandu
  • Brachiaria brizantha - vr. Capim Brachiaria MG 4
  • Brachiaria brizantha - vr. Capim Brachiaria MG 5  Vitória
  • Brachiaria ruziziensis - vr. Capim Brachiaria ruzi
  • Hyparhenia rufa - vr. Capim Provisório (Jaraguá ou Vermelho)
  • Panicum maximum - vr. Capim Panicum Áries, Atlas
  • Paspalum atratum - vr. Capim Pojuca

b - Leguminosas recomendadas

  • Leucaena leucocephala - vr.  Leucena
  • Neonotonia wightii - vr. Soja perene 
  • Centrosema pubescens - vr. Centrosema
  • Arachis pintoi - vr. Amendoim forrageiro

1.3 - Solos com nível “baixo” de fertilidade a - Gramíneas recomendadas

  • Andropogon gayanus - vr Capim Andropogon Planaltina
  • Brachiaria decumbens - vr. Capim Brachiaria comum Basilisk 
  • Brachiaria humidicola - vr. Capim Brachiaria quicuio da Amazônia
  • Setaria anceps - vr.  Capim Setaria Nandi, Kazungula, Narok

b - Leguminosas recomendadas

  • Stylosanthes guianensis - vr. Mineirão (Bandeirante)
  • Stylosanthes macrocephala(20%) mais S. capitata(80%) - vr. Campo Grande
  • Stylosanthes humilis - vr.  Alfafa do Nordeste
  • Centrosema pubescens - vr. Centrosema
  • Galactia striata - vr. Galáxia

 

2 - Quanto á Característica Física do Solo

Solo com textura argilosa e solo franco e com declividade inferior a 12%. Pode-se usar qualquer gramínea e leguminosa sem restrições, observada a condição de fertilidade.

2.2 - Solo com textura arenosa (mais de 35% de areia) em área com declividade superior ou igual a 12%

a - Gramíneas recomendadas

  • Brachiaria brizantha - vr. Capim Brachiaria MG5  Vitória
  • Brachiaria humidicola - vr. Capim Brachiaria quicuio do Amazonas
  • Cynodon nlemfuensis - vr Capim Tifton, Florona, Florico, Florakirk, etc
  • Cynodon dactylon - vr. Capim Coast Cross etc

b - Leguminosa recomendada

  • Pode-se usar qualquer leguminosa observando-se a condição de clima e fertilidade.

2.3 - Solo em área com declividade entre 12 e 35%

  • Gramíneas recomendadas: Todas as gramíneas estoloníferas
  • Leguminosas recomendadas: Todas as leguminosas observando-se a fertilidade do solo.

 

3 - Quanto à característica de Umidade no Solo

3.1 - Solo muito úmido (encharcado)

a - Gramíneas recomendadas

  • Brachiaria humidicola - vr.  Capim Brachiaria quicuio da Amazônia
  • Brachiaria mutica - vr. Capim Brachiaria Tangola
  • Setaria anceps - vr. Capim Setaria Nandi, Kazungula, Narok

b - Leguminosa recomendada

  • Não há

3.2 - Solo moderadamente úmido a - Gramíneas recomendadas

  • Paspalum atratum - vr. Capim  Pojuca
  • Panicum maximum - vr. Capim Panicum Áries
  • Setaria anceps - vr.Capim setaria Nandi, Kazungula, Narok       
  • Brachiaria brizantha - vr. Capim Brachiaria MG5 Vitória

b - Leguminosas recomendadas

  • Não há

4 - Quanto às Características do Clima

4.1 - Quanto à temperatura

4.1.1 - Temperatura média anual superior a 22° C

a - Gramíneas recomendadas

  • Andropogon gayanus - vr. Capim Andropogon  Planaltina      
  • Brachiaria decumbens - vr. Capim Brachiaria comum Basilisk
  • Brachiaria brizantha - vr. Capim Brachiaria marandu, MG4, MG5 Vitória
  • Brachiaria humidicola - vr Capim Brachiaria quicuio do Amazonas
  • Brachiaria ruziziensis - vr. Capim Brachiaria ruzi.
  • Cencrhus ciliares - vr. Capim Buffel Billoela, Gayndha, Numbank, Áridus etc
  • Cynodon dactylon -  vr  Capim Coast Cross etc
  • Cynodon nlemfuensis - vr. Capim Tifton, Florona, Florakirk, Florico etc
  • Hyparhenia rufa - vr. Capim Jaraguá (Provisório ou vermelho)
  • Panicum maximum  - vr.  Capim Panicum, Mombaça,Tanzânia, Atlas, Aries etc
  • Pennisetum purpureum - vr. Capim Cameron, Urukwanu, Mineiro, Taywam, Napier etc
  • Pennisetum hybridum - vr. Capim  elefante Paraíso
  • Cloris  gayana - vr.Capim Rhodes

b - Leguminosas recomendadas

  • Arachis pintoi -  vr. Amendoim forrageiro
  • Cajanus cajan - vr. Guandu
  • Calopogonium mucunoides - vr. Calopôgonio
  • Leucaena leucocephala - vr. Leucena
  • Neonotonia wightii - vr. Soja perene
  • Macroptilium atropurpureum - vr. Siratro

4.1.2 - Tempertura média anual inferior a 22°C

a - Gramíneas recomendadas

  • Cynodon dactylon - vr. Capim Coast Cross etc
  • Cynodon nlemfuensis - vr. Capim Tifton, Florakirk, Florona etc
  • Panicum maximum - vr. Capim Panicum  Aries, Guiné,  etc
  • Pennisetum hybridum - vr. Capim elefante Paraíso
  • Setaria anceps - vr. Nandi, Kazungula, Narok
  • Paspalum notatum - vr. Pensacola

b - Leguminosas recomendadas

  • Arachis pintoi - vr. Amendoim forrageiro
  • Neonotonia wightii - vr. Soja perene

4.2 - Quanto á precipitação pluviométrica

4.2.1 - Precipitação inferior a 600 mm. Clima semi-árido

a - Gramíneas recomendadas

  • Cencrhus ciliares - vr. Capim Bufell, Biloela, Gayndha, Áridus e outras
  • Andropogon gayanus - vr. Capim Andropogon  Planaltina
  • Brachiaria brizantha - vr. Capim Brachiaria MG4

b - Leguminosas recomendadas

  • Stylosanthes guianensis - vr. Mineirão
  • Stylosanthes macrocephala(20%) mais S. capitata(80%) - vr. Campo Grande
  • Stylosanthes humilis - vr.   Alfafa do Nordeste
  • Calopogonium mucunoides - vr. Calopogônio

5 - Quanto ao grau de iluminamento

Por várias décadas os cerrados brasileiros vem sendo usados pela siderurgia para obtenção do carvão vegetal, inicialmente de forma empírica e predatória. Atualmente, admite-se o reflorestamento associado a espécies forrageiras para se praticar o sistema Silviopastoril. Os espaçamentos entre linhas para espécie florestal podem variar de oito a doze metros, para permitir maior iluminamento (intensidade luminosa) do sistema.

O efeito do sombreamento sobre a produtividade e persistência de gramíneas e leguminosas forrageiras é, basicamente, devido a dois fatores: radiação eletromagnética recebida e duração do dia. Estes afetam diretamente o crescimento da parte aérea e, especialmente das raízes, havendo decréscimo de ambas quando os níveis de sombreamento são incrementados, isto como conseqüência da redução da capacidade fotossintética.

A teoria de que as leguminosas C3 teriam vantagens sobre as gramíneas C4, em condições de sombreamento deve ser revista uma vez que há evidencias que algumas gramíneas absorvem mais nitrogênio e produzem mais matéria seca quando sombreadas. A capacidade fotossintética das folhas das gramíneas aumenta com o incremento do nível de irradiação ao passo que as leguminosas se tornam ligeiramente saturadas ao redor de 50 % de luz solar direta, o que traz reflexos negativos na taxa de fixação de nitrogênio.

5.1 - Algumas Gramíneas e Leguminosas Tolerantes a menor Iluminamento (sombra)

  • Panicum  maximum - vr. Capim Panicum Green Panic
  • Panicum maximum - vr.Capim Panicum Tanzânia
  • Brachiaria brizantha - vr. Capim Brachiaria Marandu.
  • Brachiaria brizantha - vr. Capim Brachiaria MG5 Vitória
  • Arachis pintoi - vr. Amendoim forrageiro
  • Mucuna pruriens - vr. Mucuna preta

6. Quanto ao período de crescimento

Segundo a classificação Agro-ecológica (FAO, 2004) a duração do período de crescimento (DPC), é definida como um período (em dias) do ano em que a umidade do solo proveniente da chuva é maior do que metade da evapotranspiração potencial (ETP). Nas regiões tem-se, portanto os DPC:

  • Árida: DPC inferior a 75 dias
  • Semi-árido: DPC entre 75 -180 dias
  • Sub-úmido: DPC entre 180 - 270 dias
  • Úmido: DPC superior a 270 dias

Os pesquisadores concluem que embora o fator umidade (que condiciona o DPC) prepondere na distribuição de matéria seca ao longo do ano (espécies adaptadas ecologicamente à região), a influência de temperatura abaixo do ponto ótimo da maior taxa assimilatória líquida, exerce efeito na produção, retardando ou mesmo suprimindo o crescimento da planta. Neste contexto deve verificar o comportamento de certas gramíneas no que se refere a sua resposta a irrigação durante os períodos fora do DPC. Assim sendo, deve-se observar as plantas com comportamento tropical (?) e subtropical (Cynodon, Pennisetum, Setaria, Neotonia, Lotus, etc), que poderão contribuir mais do que as tipicamente tropicais, no crescimento de outono e de inverno.

Este estudo é muito importante para se conhecer quais as espécies forrageiras tropicais ou não, que podem ser utilizadas em sistemas intensivos de produção, que envolvam a irrigação. Portanto, regiões onde ocorrem temperaturas iguais aos valores ótimos (V O), seriam apropriadas para se praticar a irrigação com a gramínea adequada.

6.1 - Algumas plantas com Valores Ótimos de temperaturas

  • Brachiaria ruziziensis - vr.  Capim Brachiaria ruziziensis - VO de 38 a 56° C
  • Pennisetum purpureum - vr. Capim  elefante Mineiro - VO de 37 a 59°C
  • Pennisetum hybridum - vr. Capim elefante Paraíso - VO de 37 a 59 ° C
  • Calopogonium mucunoides - vr. Kudzu  tropical - VO de 34 a 51 ° C
  • Glycine wightii - vr. Soja perene - VO de 31 a 50°C
  • Macroptilium atropurpureum - vr. Siratro - VO de 30 a 50°C

 

IX - Referências bibliográficas

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