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Série Leguminosas Subtropicais - Gênero Medicago (Medicago sativa - Alfafa)

HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor

1 - INTRODUÇÃO

Medicago sativa L. c.v. Crioula charqueana, é uma leguminosa originária da Argentina; é perene, apresenta folhas trifoliadas, suas flores, normalmente são de cor roxa. É uma forrageira rica em proteína, vitaminas e sais minerais. Adapta-se ao clima temperado e quente, e suporta quedas de temperatura; apresenta grande resistência à seca, pois possui um sistema radicular que pode atingir grande profundidade; exige solos férteis, profundos com alto teor de matéria orgânica e cálcio; não suporta excesso de umidade, mas, em quantidade controlada, é um dos maiores fatores de produção, sendo uma espécie que melhor responde à irrigação.

O principal atributo desta forrageira é sua alta produção de proteína associada a muitos minerais e ainda a uma vasta adaptação a condição do meio. Produz excelente feno artificialmente desidratado, silagem e forragem.

Os principais pontos negativos são: pouca persistência a pragas e doenças, não suporta pastejo intenso, causa timpanismo em ruminantes, o estrogênio reduz a fertilidade e saponinas podem atuar, causando hemólises.

2 - CARACTERIZAÇÕES BÁSICAS

  • Nome científico: Medicago sativa L.
  • Ciclo vegetativo: perene.
  • Origem: Argentina.
  • Fixação de nitrogênio: estima-se que fixa por ano 85 a 360 kg N/ha, com variação entre áreas.
  • Forma de crescimento: rasteiro.
  • Altura da planta: crescimento livre até 1,0 m.
  • Formas de uso: produção de feno e eventualmente pastejo.
  • Digestibilidade: ótima.
  • Palatabilidade: ótima.
  • Fatores adversos: timpanismo em pastejo (uso de antiespumante), reprodução reduzida do animal (presença de estrógeno).
  • Precipitação pluviométrica requerida: 700 mm/ano.
  • Fotoperíodo: planta de dia longo.
  • Água necessária: consome na evapotranspiração 50 a 90 mm/ha de água por tonelada da matéria seca produzida.
  • Teor de proteína na matéria seca: 15% no fim do ciclo vegetativo e 20% no início do ciclo.
  • Níveis críticos de nutrientes: fósforo 2,1 – 3,0g; potássio 8,0 – 22,0g; cálcio 15g; magnésio 2,0 – 3,5g; enxofre 1,0 –2,2g; boro 18mg; molibdênio 0,5 – 0,9mg; zinco 4.0-5.0mg/kgMS.
  • Produção da matéria seca: acima de 20 t MS/ha/ano.
  • Número de cortes: varia de 6 a 8 cortes por ano, com irrigação.
  • Tolerância a solos salinos: alta.

FOTO1 - Plantas de Alfafa em florecimento.

3 - RECOMENDAÇÕES AGRONÔMICAS

  • Fertilidade do solo: alta fertilidade e pH acima de 6,0 e 6,5.
  • Tipo de solo: bem drenados e permeáveis.
  • Inoculação: A inoculação é essencial quando se faz o primeiro plantio na área, usar o Rhizobium meliloti.
  • Forma de plantio: sementes.
  • Modo de plantio: a lanço.
  • Número de sementes: 500.000/kg.
  • Sementes necessárias: 20 a 25 kg/ha.
  • Profundidade de plantio: 2 cm.
  • Tempo para a utilização: 90 a 120 dias após a germinação.
  • Tolerância à seca: baixa.
  • Tolerância ao frio: alta.
  • Temperatura ótima: 27°C.
  • Umidade no solo: não tolera solos úmidos.
  • Tolerância a solos mal drenados: baixa.
  • Adubação: de acordo com as recomendações técnicas determinadas pela análise de solo.
  • Dormência das sementes: Inexistente.
  • Pureza: mínima 95%.
  • Germinação: mínima 70%.

4 - PRINCIPAIS DOENÇAS E PRAGAS

Doenças

  Agentes (Nome científico)

Mancha bacteriana da folha

Xanthomonas alfalfa

Mancha comum da folha

Pseudopeziza medicaginis

Pintas amarelas das folhas

Leptotrochila medicaginis

Stemphylium

Stemphylium botryosum

Leptosphaerulina leaf spot

Leptosphaerulina briosianna/trifolii

Míldio

Peronospora trifoliorum

Caule marron

Phoma medicaginis var. medicaginis

Alternaria

Alternaria solani

Mancha  Bacteriana  do caule

Pseudomonas medicaginis or syringae

Stagonospora da folha

Stagonospora meliloti

Ferrugem

Uromyces striatus

 Caule preto do verão

Cercospora medicaginis

Caule preto da primavera

Phoma medicaginis

Fusário

Fusarium oxysporum

Verticilio

Verticillium albo-atrum

Bacteriose

Clavibacter michiganense subsp. insidiosum

Sclerotinia

Sclerotinia trifoliorum

Rhizoctonia

Rhizoctonia solani

Phytophthora da raiz

Phytophthora megasperma

Antracnose

Colletotrichum trifolii

Fusariose da raiz

Fusarium spp.

Aphanomyces da raiz

Aphanomyces euteiches

Virose: O principal vírus é alfalfa mosaic alfavírus, causando perdas de 24 a 67%. O principal controle é a eliminação do vetor infestante e o uso de cultivares resistentes.

Pragas: as principais são aphideos (Therioaphis maculata/trifolii, Acyrthosiphon pisum, Acyrthosiphon kondoi, Sitona spp, Melanophus spp., Agromyza frontella, Empoacea fabae, Philaenus spumarius) ; nematóides da raiz (Meloidogyne hapla, Pratylenchus penetrans, Ditylenchus dipsaci, Sitona hispidulus, Otiorhynchus ligustici,Tipula spp.) ; larva (Bruchophagus roddi); mirídeos (Lygus spp.) e cupins.

5 – VALOR NUTRITIVO  DA FORRAGEM DE ALFAFA

1 - Composição bromatológica  da forragem verde de Alfafa

Estádios de crescimento

Composição bromatológica %

MS

PB

FB

MM

EE

FDN

Ca

P

Forragem ao primeiro corte

20,9

14,4

30,6

8,1

2,9

44,0

1,74

0,17

Forragem ao segundo corte

20,9

14,8

27,3

8,6

4,3

45,0

1,53

0,25

Forragem à pré-floração

17,0

25,3

23,5

11,8

2,9

36,5

2,41

0,35

Forragem ao princípio da floração

22,7

22,9

26,0

11,5

3,5

36,1

2,56

0,31

Forragem a metade da floração 

29,0

19,0

30,0

10,3

3,4

37,3

1,76

0,24

2 - Composição bromatológica da farinha, do feno e da silagem da forragem de Alfafa

Estádios de crescimento e/ou forma

Composição bromatológica %

MS

PB

FB

MM

EE

ENN

Ca

P

Farinha de folhas

90,1

21,7

20,1

17,0

2,4

38,8

1,44

0,20

Farinha integral

88,1

11,5

30,4

7,7

1,0

49,4

0,51

0,34

Feno na pré-floração

89,6

18,7

34,4

9,8

2,6

34,5

1,26

0,18

Feno ao princípio da floração

-

17,0

38,2

8,7

2,5

33,6

1,20

0,18

Feno à metade da floração

90,2

15,4

40,1

8,6

2,1

33,8

1,09

0,16

Silagem

24,6

20,4

20,9

12,6

8,9

37,2

-

-

3 - Coeficientes de digestibilidade de alguns componentes da forragem verde, da farinha e do feno de Alfafa

Estádio de crescimento e/ou forma

Coeficientes de digestibilidade e energia metabolizável

PB

FB

EE

ENN

EM

Forragem verde na pré-floração

89,0

45,0

50,0

76,0

2,47

Forragem verde no princípio da floração

79,0

49,0

38,0

78,0

2,36

Forragem verde na metade da floração

69,0

45,0

50,0

61,0

2,01

Farinha de folhas

79,4

59,9

0,0

77,7

2,27

Feno na pré-floração

75,9

50,6

29,6

71,4

2,19

Feno no início da floração 

74,1

51,0

25,4

68,1

2,12

Feno na metade da floração

74,2

51,0

21,0

68,7

2,10

4 - Composição em aminoácidos da parte aérea da alfafa

Conteúdo de aminoácidos da parte aérea da alfafa (expresso em % de proteína)

Arg

Cis

Gli

Hys

Ils

Leu

Lis

Met

Tre

Tri

Tir

Val

4,5

1,1

4,5

1,8

3,9

6,6

4,3

0,9

4,0

1,5

3,3

5,1

6 – LITERATURA CONSULTADA

BOGDAN, A. V. Tropical pasture and fodder plants – Grasses and legumes. London and New York, 475 p., 1977.

FAO – 2004a  http://www.fao.org/ag/AGP/AGPC/doc/Gbase/Latin.htm

FAO – 2004b http://www.fao.org/ag/AGA/AGAP/FRG/afris/es/Data/31.HTM

VALADARES FILHO, SEBASTIÃO DE CAMPOS. Nutrição, Avaliação de Alimentos e Tabelas de  Composição de Alimentos para Bovinos. XXXVII Reunião Anual da SBZ, 37, Viçosa, 2000,  Anais... Viçosa: 2000. P.

VILELA, H. Formação e adubação de Pastagens. CPT. Viçosa. 98p. 1998.

ILELA, H. Forragicultura. Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. 68p. 1977.

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