Série Leguminosas Tropicais - Gênero Arachis (Arahis pintoi - Amendoim forrageiro)

HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor

1 – INTRODUÇÃO

Arachis pintoi faz parte de um pequeno Gênero que é constituído por cerca de dez espécies que estão distribuídas na América Latina. O amendoim não possui nenhum fator de toxidez. Cultivares mais comuns são ‘GOLDEN GLORY’ e ‘ AMARILO’. Usado em cobertura de culturas (Amarillo) de café, de banana, de macadâmia, de coco, de mandioca, de citrus, de maçãs, de peras etc. Sinonímia em Inglês, Pinto peanut e em Espanhol, Maní forrajero.

O amendoim é originário do vale do Jequitinhonha, da Região do Brasil Central. Foi introduzido na Austrália e Estados Unidos e em muitos países do Sul, Leste e Centro da Ásia e na América do Sul, com sucesso. A cv Amarilo é leguminosa prostrada, com folíolos quase arredondados e pequenos, suas flores são amareladas. Multiplica-se muito bem por sementes; é exigente em fertilidade e umidade do solo e, medianamente, tolerante à geada (após a geada ocorre rebrota pelos rizomas) e a doenças. Produz 200 a 700 kg/ha de semente (Kerridge & Hardy, 1994).

Consorcia-se bem com gramíneas agressivas tais como: Brachiaria decumbens, B. humidicola, Paspalum notatum, Cynodon dactylon etc.
Os principais atributos do amendoim forrageiro são: palatabilidade da pastagem, alto valor nutritivo e tolerância ao sombreamento.

Muitos acessos são disponíveis, na Austrália (Amarillo), na Costa Rica (Mani Mejorador, Porvenir), no Brasil (Amarilo), na Colômbia (Mani Forrajero Perene) e em Honduras (Pico Bonito). O cultivar Amarillo é resistente a quase todas as doenças, sendo vulnerável Puccinia arachidis e Mycosphaerella spp. Outros fungos podem também ocorrer, com menor freqüência, como: Phomopsis sp., Cylindrocladium sp. e Colletotrichum gloeosporioides.

2 – CARACTERÍSTICAS BÁSICAS

  • Nome científico: Arachis pintoi Krap. & Greg., nom. nud. (Cook)
  • Ciclo vegetativo: perene
  • Forma de crescimento: rasteiro e prostrado com estolões longos
  • Altura da planta: crescimento livre até 20 cm
  • Formas de uso: consorciado com gramíneas forrageiras, controle de ervas em pomares, cafezais e bananais. Fixador de nitrogênio ao solo
  • Digestibilidade: satisfatória
  • Palatabilidade: satisfatória na forma consorciada ou fenada
  • Precipitação pluviométrica requerida: 1.100 mm/ano
  • Tolerância à geada: baixa, se for branda rebrota após geada pelos rizomas
  • Produção de matéria seca: 4 t MS/ha/ano
  • Teor de proteína bruta na matéria seca: 16 a 18% durante o crescimento vegetativo
  • Tolerância a insetos e doenças: tolerante a insetos mas susceptível a fungos, bactérias e nematóides

Plantas de Amendoim forrageiro

3 – RECOMENDAÇÕES AGRONÔMICAS

  • Fertilidade do solo: alta/média fertilidade, não tolera pH < 5 e níveis altos de Al e Mn
  • Umidade no solo: solos bem drenados e permeáveis
  • Época do plantio: verão
  • Forma de plantio: sementes e mudas (estolões)
  • Modo de plantio: a lanço
  • Sementes necessárias: 4 a 7 kg/ha
  • Profundidade de plantio: 2 cm
  • Tempo de utilização: 80 a 100 dias após o plantio
  • Adubação: de acordo com as recomendações técnicas determinadas pela análise de solo
  • Temperatura: média da região sub tropical
  • Altitude: até 1.400 m
  • Iluminamento: prefere áreas sombreadas
  • Salinidade no solo: baixa tolerância
  • Inoculação: Bradyrhizobium (cepas QA1091, CIAT3101) imediatamente após o plantio por semente, e desnecessária quando se usam mudas
  • Dormência das sementes: inexistente
  • Pureza: mínima 95%
  • Germinação: mínima 60%

4 – Composição bromatológica do Amendoim Forrageiro

Estádio de crescimento e/ou forma Composição bromatológica - %
MS PB FB MM EE FDN Ca P
Forragem (folhas e talos) 26,9 17,5 20,1 8,6 2,2 51,6 0,93 0,20
Feno, planta em crescimento 88,8 26,2 27,9 11,6 2,7 31,6 3,15 0,81
Feno, plantas maduras 89,2 12,8 29,0 8,5 1,9 47,8 1,18 0,16

Composição em aminoácidos da proteína do grão do amendoim forrageiro- % da proteína

Conteúdo em aminoácidos da proteína daplanta de amendoim forrageiro (% da proteína)
Arg Cis Gli His Ils Leu Lis Met Fen The Tri Tir Val
6,7 1,0 5,2 2,2 4,4 7,6 5,6 1,6 5,5 4,3 - 3,6 4,6

5 – LITERATURA CONSULTADA

BOGDAN, A. V. Tropical pasture and fodder plants – Grasses and legumes. London and New York, 475 p., 1977.

FAO – 2004a http://www.fao.org/ag/AGP/AGPC/doc/Gbase/Latin.htm

FAO – 2004b http://www.fao.org/ag/AGA/AGAP/FRG/afris/es/Data/31.HTM

KERRIDGE, PETER C. & HARDY, BILL (Editors), 1994. Biology and Agronomy of Forage Arachis, (CIAT Publication; No. 240), Centro Internacional de Agricultura Tropical, Cali, Colômbia. 209 p.

VALADARES FILHO, SEBASTIÃO DE CAMPOS. Nutrição, Avaliação de Alimentos e Tabelas de Composição de Alimentos para Bovinos. XXXVII Reunião Anual da SBZ, 37, Viçosa, 2000, Anais... Viçosa: 2000. P.

 
     
 
   
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