Série Leguminosas Tropicais – GÊNERO MACROPITYLIUM (Macroptylium atropurpureum ) – Siratro
HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor
1 – INTRODUÇÃO
O Macroptilium atropurpureum (DC) Urban é uma leguminosa originária da América Central, rasteira, perene, inflorescência do tipo rácemos, flor aglomerada no ápice, de cor roxo-escura, folhas trifoliadas. Desenvolve-se, na maioria dos solos, porém, não tolera os úmidos, tem boa tolerância à seca e ao pisoteio. Seu hábito de crescimento é trepador, facilitando sua convivência com as gramíneas, principalmente com as cespitosas (touceiras).
É perene, com caules trepadores de rasteiros. Distribui-se naturalmente, na América Central e do Sul. A variedade Siratro, obtida na Austrália, tem interesse agronômico. A variedade se tornou uma leguminosa das mais populares dos trópicos. Resiste à seca, em pequena intensidade, e à geada, e tem um rendimento de forragem bastante bom. Não deve cortá-la, em pastejo muito rente ao solo. É apetecível tanto para os ovinos como para os bovinos.
Os principais atributos desta forrageira é sua larga adaptação a vários tipos de solos, fácil estabelecimento, resistente a doenças e boa convivência com as gramíneas.
2 – CARACTERÍSTICAS BÁSICAS
- Nome científico: Macroptilium atropurpureum (DC) Urb
- Ciclo vegetativo: perene
- Sementes: 80.000 unidades/kg
- Tratamento de semente: requer tratamento
- Fixação de nitrogênio: 100 a 175 kg/ha/ano
- Origem: América Central
- Altitude: acima de 1.600 m
- Forma de crescimento: rasteiro, com estolões em forma de cipó, trepador
- Formas de uso: pastejo (consorciado ou não) e produção de feno
- Digestibilidade: satisfatória
- Palatabilidade: satisfatória
- Toxidez: alto nível de Mn, alcançando o máximo de 5.590 ppm na MS
- Precipitação pluviométrica requerida: 615 a 1.800 mm/ano
- Fotoperíodo: floresce em dias curto e longo (24/19°C, 27/22°C e 30/25°C)
- Produção de matéria seca: 7,9 t MS/ha/ano
- Teor de proteína na matéria seca: 22,8%
- Tolerância a doenças: sensível ao fungo Rhizoctonia solani em climas úmidos e
ao nematóide Helicotylenchus dihystera e resistente aos demais
- Altura de corte: 0,15 m
FIGURA 1- Plantas de Siratro
3 - RECOMENDAÇÕES AGRONÔMICAS
- Fertilidade do solo: acima de média fertilidade, com pH de 4,5 a 8,0
- Umidade no solo: não tolera solo úmido e inundação
- Forma de plantio: semente
- Modo de plantio: a lanço
- Sementes necessárias: 4 a 6 kg/ha (consorciação) e 8 a 10 kg/ha (cultura solteira)
- Profundidade de plantio: 3 cm
- Tempo para a utilização: 60 a 90 dias após a germinação
- Tolerância à seca: alta
- Tolerância ao frio: baixa
- Latitude: 30° N e S
- Tolerância ao fogo: satisfatória
- Temperatura ótima: 26.5 a 30°C
- Inoculação: rizobio do grupo cowpea (CB 756)
- Número de cromossomos: 2n = 22
- Consorciação: Colonião, Brachiaria, Rhodes, Setaria etc
- Adubação: de acordo com as recomendações técnicas determinadas
pela análise de solo. O nível crítico de fósforo na MS é 0.24% e o de
potássio 0,75%, na fase de crescimento
- Pureza: mínima 95%
- Germinação: mínima 60%
4 - COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA DO SIRATRO
| Estádio de desenvolvimento |
Composição bromatológica % MS |
| PB |
FB |
MM |
EE |
FDN |
Ca |
P |
| Forragem seis semanas |
17,5 |
27,7 |
7,2 |
2,6 |
44,8 |
0,80 |
0,20 |
| Forragem oito semanas |
16,5 |
33,6 |
7,6 |
7,8 |
39,5 |
0,85 |
0,17 |
| Forragem onze semanas |
15,3 |
34,7 |
6,6 |
2,9 |
40,5 |
0,78 |
0,13 |
| Forragem treze semanas |
14,3 |
35,5 |
6,2 |
2,6 |
41,4 |
0,70 |
0,09 |
| Forragem dezesseis |
11,5 |
36,6 |
5,9 |
2,2 |
43,8 |
0,64 |
0,10 |
| Forragem vinte semanas |
23,0 |
30,4 |
13,7 |
3,1 |
29,7 |
1,42 |
0,21 |
| eficientes de digestibilidade da forragem jovem (%) e energia metabolizável |
| PB |
FB |
EE |
ENN |
EM |
| 82,9 |
39,5 |
80,0 |
52,5 |
2,01 |
5 – LITERATURA CONSULTADA
BOGDAN, A. V. Tropical pasture and fodder plants – Grasses and legumes London and New York, 475 p., 1977.
FAO – 2004a http://www.fao.org/ag/AGP/AGPC/doc/Gbase/Latin.htm
FAO – 2004b http://www.fao.org/ag/AGA/AGAP/FRG/afris/es/Data/31.HTM
VALADARES FILHO, SEBASTIÃO DE CAMPOS. Nutrição, Avaliação de Alimentos e Tabelas de Composição de Alimentos para Bovinos. XXXVII Reunião Anual da SBZ, 37, Viçosa, 2000, Anais... Viçosa: 2000. P.
VILELA, H. Seleção e Escolha de Espécies Forrageiras. Formação de Pastagens. CPT. Viçosa.128p. 2000.
VILELA, H. Forragicultura. Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. 68p. 1977. |