Série Leguminosas Tropicais – Gênero Mucuna (Mucuna pruriens – Mucuna Preta)
HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor
1 – INTRODUÇÃO
A Mucuna pruriens (L) DC é uma leguminosa anual, originária do Sudeste da Ásia e tem como nome comum Velvet bean (Austrália, United States e África do Sul), pica-pica (Venezuela), frijol terciopelo (Latin America), Bengal bean (Índia) e mucuna preta(Brasil). Apresenta a inflorescência de rácemos axilares multifloridos, corola violácea de cor branca, folha trifoliada com folícolos grandes e membranosos, sua vagem contém até 6 (seis) sementes de coloração preta, com hilo branco e saliente. É tolerante à seca, sombra, altas temperaturas e ligeiramente resistente ao encharcamento.
Tem estabelecimento rápido, competindo, bastante, com as ervas daninhas. Grande produtora de massa verde. Adapta-se aos mais diferentes tipos de solo, desde os arenosos até os argilosos, com média fertilidade.É grande produtora de matéria orgânica, quando usada como adubo verde. Seu principal atributo é o crescimento no outono.
2 – CARACTERÍSTICAS BASICAS
- Ciclo vegetativo: Anual, 130 a 160 dias
- Nome científico: Mucuna pruriens (L.) DC var. utilis (Wight) Burck
- Origem: Ásia
- Inoculação: não necessária
- Fixação de nitrogênio: 331 kg/ha
- Forma de crescimento: herbáceo, produzindo longos pendões em forma de cipó, trepador
- Formas de uso: produção de feno, adubo verde e controle da erosão
- Digestibilidade: satisfatória
- Palatabilidade: não satisfatória
- Precipitação pluviométrica requerida: 650 a 2.500 mm/ano
- Teor de proteína na matéria seca: 16,36%, média anual
- Tolerância a doenças: sensível ao fungo Phytophthora dreschleri
- Produção de matéria seca: 19 t/ha/ano
FIGURA 1 - PLANTAS DE MUCUNA PRETA
3 – RECOMENDAÇOES AGRONOMICAS
- Fertilidade do solo: acima de média fertilidade com pH acima de 5,0
- Forma de plantio: sementes
- Dormência das sementes: inexistente
- Modo de plantio: a lanço ou em linha
- Sementes necessárias: 30 a 40 kg/ha
- Sementes: 1.000 unidades/kg
- Espaçamento: 0,60 a 0,80 m entre linhas e 0,20 a 0,30 m entre covas
- Profundidade de plantio: 3 a 4 cm
- Tempo para utilização: 60 a 90 dias após a germinação
- Tolerância à seca: alta
- Tolerância ao frio: alta
- Altitude: nível do mar até 2.100 m
- Temperatura ótima: 22°C, crítica 18°C
- Adubação: de acordo com as recomendações técnicas determinadas pela análise de solo
- Pureza: mínima 95%
- Germinação: mínima 70%
4 – COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA, DIGESTIBILIDADE, ENERGIA METABOLIZÁVEL E AMINOÁCIDOS DO FEIJÃO DE PORCO
| Estádio de crescimento e/ou forma da planta |
Composição bromatológica (%) MS |
| MS |
PB |
FB |
MM. |
EE |
ENN |
Ca |
P |
| Parte aérea - três meses
pós-plantio |
19,6 |
15,3 |
36,2 |
12,2 |
1,5 |
34,8 |
-- |
-- |
| Parte aérea – nove meses pós-plantio |
24,2 |
16,5 |
40,5 |
8,3 |
1,6 |
33,1 |
-- |
-- |
| Parte aérea - fase de
floração Rico |
19,1 |
15,5 |
34,4 |
5,6 |
4,3 |
40,2 |
1,21 |
0,13 |
| Feno - fase leitosa |
90,6 |
14,8 |
30,7 |
8,9 |
2,6 |
43,0 |
-- |
-- |
| Vargem |
92,3 |
21,0 |
15,6 |
4,5 |
2,6 |
56,3 |
-- |
--- |
| Semente |
94,7 |
27,4 |
6,5 |
4,0 |
1,1 |
61,0 |
-- |
-- |
| Casca de vargem |
89,2 |
4,3 |
42,4 |
5,9 |
0,7 |
46,7 |
-- |
-- |
| Forma do alimento |
Coeficientes de digestibilidade e energia metabolizável |
| PB |
FB |
EE |
ENN |
EM |
| Parte aérea, ½ floração |
76,0 |
56,5 |
67,0 |
79,0 |
2,58 |
| Feno , fase lenhosa |
63,9 |
72,8 |
79,1 |
78,6 |
2,60 |
| Semente |
81,0 |
72,0 |
64,0 |
97,0 |
3,39 |
| Composição em aminoácidos daproteína bruta da semente |
| Arg |
Gli |
Ils |
Leu |
Lis |
Met |
Fe |
Tre |
Tri |
Tir |
Val |
| 7,9 |
4,6 |
4,8 |
7,6 |
6,2 |
1,2 |
4,8 |
4,0 |
- |
5,1 |
5,5 |
5 – LITERATURA CONSULTADA
BOGDAN, A. V. Tropical pasture and fodder plants – Grasses and legumes London and New York, 475 p., 1977.
FAO – 2004a http://www.fao.org/ag/AGP/AGPC/doc/Gbase/Latin.htm
FAO – 2004b http://www.fao.org/ag/AGA/AGAP/FRG/afris/es/Data/31.HTM
VALADARES FILHO, SEBASTIÃO DE CAMPOS. Nutrição, Avaliação de Alimentos e Tabelas de Composição de Alimentos para Bovinos. XXXVII Reunião Anual da SBZ, 37, Viçosa, 2000, Anais... Viçosa: 2000. P.
VILELA, H. Seleção e Escolha de Espécies Forrageiras. Formação de Pastagens. CPT. Viçosa.128p. 2000.
VILELA, H. Forragicultura. Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. 68p. 1977. |