Série Leguminosas Tropicais – GÊNERO STYLOZANTHES (Stylozanthes guianensis) Stilozanthes guianensis
HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor
1 – INTRODUÇÃO
Apresenta as seguintes características:
- Leguminosa perene, semi-ereta e altamente resistente à seca
- Excelente adaptação e desempenho, desde Roraima até São Paulo e Mato Grosso do Sul
- Grande produção de matéria seca
- Mineirão não seca, fica verde o ano inteiro
- Excelente adaptação ao clima e aos solos ácidos e de baixa fertilidade dos cerrados
- Grande resistência ao pastejo e pisoteio em pastagens consorciadas ou exclusivas
- Resistência a pragas e doenças
- Excelente aceitação pelos animais
- Nodulação com estirpes nativas de Rhizobium
- Teores de proteína bruta, variando de 12 a 18% durante o ano
- Utilização como forrageira
Tem sido empregado com muito sucesso, na recuperação de pastagens de Braquiaria degradadas, consorciando-se com o capim Andropogon, (CPAC - Embrapa – DF), houve ganhos de peso de 800 g/animal/dia (1,8 UA/ha ou 3,4 novilhos/ha) nas chuvas e 150 g/animal/dia (1,3 UA/ha ou 2,5 novilhos/ha) no período da seca. Quando em consumo puro, proporcionou ganhos de 550 g/animal/dia, nas águas, e 200g/animal/dia, na seca, em Campo Grande (CNPC- Embrapa) e Brasília (CPAC), respectivamente.
No Brasil, há três cultivares: Deodora I, Deodora II e FAO 13821 e no Senegal, há uma cultivar disponívelN-6399. No Brasil, a EMBRAPA está trabalhando com uma cultivar tardia, chamada de cv. Bandeirante.
Como banco de proteína, deve ocupar 30% do total da área da gramínea. É uma boa alternativa para formação de pastagem consorciada, banco de proteína e adubação verde. A cultivar Mineirão (Stylosanthes guianensis var. vulgaris) foi lançada em 1993. É resultado de um trabalho conjunto com a Embrapa Cerrados.
Sua principal característica é o baixo requerimento de fósforo.
Originário da região de Diamantina (Minas Gerais), o mineirão destaca-se pela grande produção, retenção de folhas, no período seco, resistência ao pisoteio e à antracnose, capacidade de consorciação e boa aceitação pelos animais.
Produz feno, com bom valor protéico e boa digestibilidade. Tem sido empregado, com muito sucesso, na recuperação de pastagens de Brachiaria degradada.
Apresenta nomes comuns em certas regiões: Common stylo, stylo (Austrália, Malásia); alfalfa do nordeste, trifolio, manjericão do campo, saca-estrepe (Brasil); alfalfa del Brasil (Colômbia); Brazilian lucerne, tarbardillo (Venezuela); tropical lucerne (Malaysia).
2 – CARACTERÍSTICAS BÁSICAS
- Nome científico: Stylosanthes guianensis (Aubl.) Sw. (S. gracilis H.B.K.) vr. Mineirão, Bandeirante
- Ciclo vegetativo: perene
- Origem: Brasil – Minas Gerais
- Forma de crescimento: herbáceo e ereto
- Semente: 264.000 a 352.000 unidades/kg
- Número de cromossomos; 2n = 20
- Temperatura ótima: acima de 25°C; continua ativo até 15°C e morre em temperatura de – 2,5°C
- Tratamento da semente: não necessário
- Fixação de nitrogênio: 165 kg/ano/ha
- Altura da planta: crescimento livre até 1,5 m
- Formas de uso: pastejo (consorciado) e fenação
- Digestibilidade: satisfatória
- Palatabilidade: não muito satisfatória, devido à presença da quantidade de pêlos
- Toxidez: nenhum fator tóxico
- Precipitação pluviométrica requerida: 900 a 4.000 mm/ano
- Produção da matéria seca: 11 t MS/ha/ano
- Teor de proteína na matéria seca: 21% durante o crescimento vegetativo
- Tolerância a doenças: antracnose é o maior problema para esta forrageira
FIGURA 1- PLANTAS DE STYLOSANTHES GUIANENSIS
3 - RECOMENDAÇÕES AGRONÔMICAS
- Fertilidade do solo: acima de média fertilidade, e tolera solos ligeiramente ácidos, não
nodula em solos com pH 4,0
- Características do solo: não tolera solos argilosos e mal drenados
- Época de plantio: durante a estação chuvosa
- Forma de plantio: sementes
- Modo de plantio: a lanço
- Inoculação: não necessária, rizobio nativo
- Sementes necessárias: 3 g/ha (consorciação) e 5 g/ha (cultura solteira)
- Profundidade de plantio: 2 cm
- Tempo para a utilização: 80 a 100 dias após a germinação
- Altura de corte: 0,20 m
- Tolerância ao frio: muito baixa
- Tolerância ao fogo: não tolera fogo sucessivamente
- Altitude: 200 a 1.000 m
- Latitude: 23°N e S. Cresceu bem na região de Campinas, (lat. 22°45'S)
- Fotoperíodo: planta de dia curto, com menos de 12 horas de luz
- Consorciação: Rhodes, Panicum, Buffel e algumas Brachiaria
- Adubação: de acordo com as recomendações técnicas determinadas pela análise de solo. Os níveis críticos de fósforo, na matéria seca, é de 0,20% , de cálcio é de 3,5% , de nitrogênio é de 3,0% de potássio é de 0,55% e de cobre nos tecidos das raízes é de 20,1 ppm
- Pureza: mínima 95%
- Germinação: mínima 60%
4 - COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA DA FORRAGEM DO STYLOZANTHES GUIANENSIS
| Forma da forragem |
Composição bromatológica % MS |
| MS |
PB |
FB |
MM |
EE |
ENN |
Ca |
P |
| Forragem verde, final vegetativo |
-- |
18,1 |
26,8 |
8,3 |
2,1 |
44,7 |
-- |
-- |
| Feno, planta com dois meses |
24,0 |
16,7 |
31,7 |
10,0 |
1,7 |
39,9 |
1,55 |
0,56 |
| Forma da forragem |
Coeficiente de digestibilidade e energia metabolizável da MS |
| PB |
FB |
EE |
ENN |
EM |
| Forragem verde, fim período vegetativo |
65,9 |
42,8 |
38,9 |
79,7 |
2,28 |
| Conteúdo em aminoácidos (%) da proteína bruta |
| Arg |
Cis |
Gli |
Lis |
Met |
Fe |
Ter |
Tri |
Val |
| 5,3 |
1,2 |
4,5 |
3,5 |
1,7 |
4,1 |
4,1 |
1,4 |
5,2 |
5 – LITERATURA CONSULTADA
BOGDAN, A. V. Tropical pasture and fodder plants – Grasses and legumes London and New York, 475 p., 1977.
FAO – 2004a http://www.fao.org/ag/AGP/AGPC/doc/Gbase/Latin.htm
FAO – 2004b http://www.fao.org/ag/AGA/AGAP/FRG/afris/es/Data/31.HTM
VALADARES FILHO, SEBASTIÃO DE CAMPOS. Nutrição, Avaliação de Alimentos e Tabelas de Composição de Alimentos para Bovinos. XXXVII Reunião Anual da SBZ, 37, Viçosa, 2000, Anais... Viçosa: 2000. P.
VILELA, H. Seleção e Escolha de Espécies Forrageiras. Formação de Pastagens. CPT. Viçosa.128p. 2000.
VILELA, H. Forragicultura. Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. 68p. 1977. |