Série Leguminosas Tropicais – GÊNERO STILOZANTES (Stylozantes multilinea – Stytilozantes Campo Grande)

HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor

1 – INTRODUÇÃO

O estilosantes Campo Grande, leguminosa lançada em 2000, é uma mistura varietal do Stylosanthes capitata e S. macrocephala. Após vários anos de cruzamentos e seleção, mostrou resistência à antracnose, uma grande produção de sementes e boa capacidade de ressemeadura natural em campo, fatores estes limitantes à persistência em pastagens consorciadas com gramíneas.

O estilosantes é uma forrageira rica em proteína, e fixa o nitrogênio encontrado na atmosfera, no solo. Assim, reduz os investimentos em insumos agrícolas, contribuindo para a redução dos impactos ambientais. O estilosantes Campo Grande apresenta, ainda, grande adaptação a solos arenosos e de baixa fertilidade; boa capacidade de persistência em consorciação com Brachiaria decumbens; boa digestibilidade, possibilitando maior ganho de peso, nos animais, comparativamente a pastagens de gramíneas puras.

Ao final do mesmo ano, visando à obtenção de plantas mais produtivas e com elevado grau de resistência a doenças, sobretudo, à antracnose, iniciou-se um trabalho de melhoramento genético das plantas colhidas na fazenda. Para tanto, dez novos acessos de S. capitata e cinco de S. macrocephala, pré-selecionados na Embrapa Gado de Corte, quanto à produtividade de forragem e de sementes, e alta resistência à antracnose, foram semeados em linhas intercaladas com as sementes colhidas na Fazenda Maracujá (MS), para o cruzamento natural entre plantas da mesma espécie. As sementes colhidas, de cada espécie, foram novamente semeadas, no ano seguinte, repetindo-se a mesma metodologia durante seis gerações.

Plantas selecionadas de cada espécie, obtidas após os estudos realizados, demonstram boa produtividade, com uniformidade de florescimento e de maturação de sementes, o que possibilitou o uso de máquina automotriz para a colheita. Também as plantas apresentaram certa variabilidade genética, sobretudo, para resistência à antracnose, reduzindo a pressão de seleção do patógeno.

Para a composição do estilosantes Campo Grande, após a sexta geração, realizou-se a mistura física das sementes das duas espécies, na proporção de 20% de S. macrocephala e 80% de S. capitata, em conformidade com as observações realizadas no início da pesquisa.

O S. capitata tem hábito de crescimento cespitoso, podendo atingir até um metro de altura. A cor das flores varia do bege ao amarelo. O florescimento, nas condições de Campo Grande, MS, ocorre a partir da segunda quinzena de maio. A maturação das sementes ocorre no final de junho, podendo-se iniciar a colheita, quando mais de 90% das mesmas encontrarem-se maduras.

O S. macrocephala possui hábito de crescimento decumbente, em estande puro, podendo tornar-se mais ereto, em condições de competição por luz. Sua altura pode também atingir um metro. Suas folhas são mais estreitas que as de S. capitata e mais pontiagudas. O florescimento, nas condições de Campo Grande, MS, ocorre a partir da segunda quinzena de abril. As flores são, em sua maioria, amarelas, podendo ser encontrados exemplares com tonalidade bege. A maturação das sementes ocorre no final da segunda quinzena de maio e a colheita deve ser iniciada quando houver o máximo de sementes maduras, antes do início da queda dos capítulos, fenômeno muito comum nesta espécie.

2 – CARACTERÍSTICAS BÁSICAS

  • Nome científico: Stylosanthe Multilinea Stylosanthes capitata (80%) e Stylosanthes macrocephala (20%). Stylosanthes macrocephala M.B. Ferreira & N.M. Sousa Costa é originário do Brasil, tolera solos ácidos e com baixo teor fósforo, mais tolerante à antracnose. Stylosanthes captata Vog tolera solos de baixa fertilidade e com baixo pH (4,5), tolera a antracnose e requer rizobio específico.
  • Ciclo vegetativo: perene
  • Origem: CNPGC – EMBRAPA (Brasil)
  • Forma de crescimento: herbáceo e ereto
  • Altura da planta: crescimento livre até 1,5 m
  • Formas de uso: pastejo (consorciado) e fenação
  • Digestibilidade: satisfatória
  • Palatabilidade: satisfatória
  • Precipitação pluviométrica requerida: 900 mm/ano
  • Produção da matéria seca: 17 t MS/ha/ano
  • Teor de proteína na matéria seca: 19% durante o crescimento vegetativo
  • Tolerância a insetos e doenças: tolerante

FIGURA 1 - Plantas de Stylçozanthes Campo Grande

3 - RECOMENDAÇÕES AGRONÔMICAS

  • Fertilidade do solo: acima de média fertilidade
  • Época de plantio: durante a estação chuvosa
  • Forma de plantio: sementes
  • Modo de plantio: a lanço
  • Sementes necessárias: 3 g/ha (consorciação) e 5 g/ha (cultura solteira)
  • Profundidade de plantio: 2 cm
  • Tempo para a utilização: 80 a 100 dias após a germinação
  • Tolerância à seca: alta
  • Tolerância ao frio: baixa
  • Consorciação: Rhodes, Panicum, Buffel e alguma Brachiaria
  • Adubação: de acordo com as recomendações técnicas determinadas pela análise de solo
  • Pureza: mínima 95%
  • Germinação: mínima 60%

4 – LITERATURA CONSULTADA

BOGDAN, A. V. Tropical pasture and fodder plants – Grasses and legumes London and New York, 475 p., 1977.

FAO – 2004a http://www.fao.org/ag/AGP/AGPC/doc/Gbase/Latin.htm

FAO – 2004b http://www.fao.org/ag/AGA/AGAP/FRG/afris/es/Data/31.HTM

VALADARES FILHO, SEBASTIÃO DE CAMPOS. Nutrição, Avaliação de Alimentos e Tabelas de Composição de Alimentos para Bovinos. XXXVII Reunião Anual da SBZ, 37, Viçosa, 2000, Anais... Viçosa: 2000. P.

VILELA, H. Seleção e  Escolha de Espécies Forrageiras. Formação de Pastagens. CPT. Viçosa.128p. 2000.

VILELA, H. Forragicultura. Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. 68p. 1977.

 
     
 
   
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