Planejamento na bovinocultura de corte*

Fabiano Alvim Barbosa

Médico Veterinário, M.Sc.
Doutorando Produção Animal – EV/UFMG
Professor Pós-graduação
Diretor Núcleo Tecnologia Brasil Pecuária
fabianoalvim@unb.br

* Capítulo integrante do livro “Administração de fazendas de bovinos – leite e corte” do mesmo autor do artigo

1 - INTRODUÇÃO

A economia brasileira tem passado por rápidas transformações nos últimos anos. Neste contexto ganham espaço novas concepções, ações e atitudes, em que produtividade, custo e eficiência se impõem como regras básicas de sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado (IEL, SEBRAE, CNA, 2000). A conscientização dos pesquisadores, técnicos e produtores rurais envolvidos nesse sistema, bem como, o ajuste para este novo cenário é primordial para a competitividade da atividade.

As medidas estruturais e de investimentos devem ser priorizadas para aumentar a lucratividade e rentabilidade da agropecuária brasileira. Como medidas podem ser citadas:

  1. administração da fazenda como uma empresa rural, de maneira eficiente com o objetivo de utilizar integral, permanente e racionalmente todos os recursos nela disponíveis;
  2. controle de custos de produção para análise de pontos críticos e tomadas de decisões no planejamento da empresa rural;
  3. priorizar introdução de insumos intelectuais dentro das propriedades: consultorias, treinamentos, qualificação de mão de obra;
  4. produção em escala (verticalização do processo), com incremento do uso da terra, máquinas, animais, mão de obra, aumentando a escala de produção com redução dos custo fixos e aumento da rentabilidade do sistema.

Entretanto as medidas para aumento de produtividade isoladas não conseguem surtir efeito na rentabilidade do sistema de produção quando os preços de venda ficam cada vez mais baixo passando a comprometer novos investimentos a médio prazo dentro da atividade.

2 - PLANEJAMENTO NA EMPRESA RURAL

A complexidade das empresas rurais analisadas no contexto interno e externo aliada à competitividade do sistema precisam continuamente realocar, reajustar e reconciliar seus recursos disponíveis com os objetivos e oportunidades oferecidos pelo mercado (Souza et al., 1995). A gestão empresarial (planejamento, organização, direção e controle) é uma ferramenta do processo administrativo para aumentar a competitividade do sistema.

2.1 Planejamento Estratégico

O planejamento estratégico é um instrumento elaborado para que o empresário possa visualizar sua atuação futura, sendo assim, normalmente, é projetado para longo prazo, com uma abordagem global, definindo o que produzir e o quanto produzir nos anos seguintes.

Algumas etapas são importantes para estabelecer o planejamento estratégico:

  • Determinação dos objetivos

É o ponto principal do planejamento, com definições genéricas e definições dos propósitos da empresa, relacionados ao ramo de atuação, pretensão futura, busca pelo lucro, segurança, prestígio, social entre outros.

  • Análise do ambiente externo

É necessária a busca de informações mais precisas possíveis com relação às ameaças, oportunidades e restrições no cenário nacional e mundial que possam aumentar ou diminuir a rentabilidade da atividade. Os fatores que devem ser analisados são: o preço das commodities, juros, balança comercial, análise de mercado (oferta e demanda), estudo de tendências futuras, barreiras alfandegárias, taxas de exportações e importações, entre outros.

  • Análise interna da empresa

É uma análise dos recursos existentes na empresa como os físicos, financeiros, administrativos, mercadológicos e humanos. Sendo necessário levantar suas disponibilidades, necessidades, fornecedores, etc.

  • Geração e avaliação das metas e estratégias

Para a determinação das metas alguns fatores deverão ser avaliados como:

  • recursos disponíveis na fazenda – solos, vegetação, relevo, animais, recursos hídricos, recursos financeiros disponíveis, mão-de-obra qualificada, estradas, energia elétrica, benfeitorias, etc;
  • imposições ambientais, legais e de mercado;
  • objetivos do empreendedor, sendo um dos mais importantes a ser considerado.

Após estabelecer os objetivos, analisando a empresa e o ambiente externo, utilizando as informações de pesquisas e de experimentação, além da experiência das pessoas envolvidas nos processos decisórios deverão ser definidas as estratégias para alcançar as metas propostas no projeto.

Definido o projeto, as metas e as estratégias a serem seguidas, a próxima etapa é a implantação das estratégias que deverão ser executadas pelos gerentes, técnicos e funcionários da propriedade. Um aspecto fundamental nesse ponto é a coleta de dados de produção (técnicos e econômicos), para o monitoramento e a comparação das metas planejadas com as realizadas. Pelo monitoramento consegue-se avaliar quais os pontos críticos do sistema e a eficiência das estratégias utilizadas. Este é o momento de ajuste onde deverão ser corrigidos os desvios ocorridos, e as estratégias poderão ser substituídas.

3 - PLANEJAMENTO DE PROJETOS PECUÁRIOS

3.1 Escrituração zootécnica

Ponto principal da escrituração zootécnica é a coleta dos dados para gerar a informação para ser analisada, portanto, o primeiro passo é a identificação de todo o rebanho e armazená-lo em banco de dados. A identificação pode ser por tatuagem, brinco, a fogo frio ou quente, e chip, o que importa é a geração das informações (Borges et al, 2005). O método de identificação (letras e/ou números) tem que atender a quantidade de animais atual na propriedade e seu crescimento futuro. O método a ser usado tem que facilitar a identificação do animal, para que seja empregada nas fichas de controle zootécnico da propriedade.

3.2 Planejamento Nutricional

O primeiro passo para iniciar o planejamento nutricional de um novo projeto é levantar os recursos físicos da propriedade (benfeitorias, tipos de solos, espécies forrageiras, recursos hídricos, tamanho da área, topografia) e as características climáticas da região. É de fundamental importância ter a planta planialtimétrica (mapa) para os levantamentos do inventário, de índices de produção de matéria seca das forrageiras por área, para recomendações de correções e adubações de solos, planejamento de novas espécies forrageiras, divisão de áreas, entre outros (Barbosa, 2004).

Após conhecer a propriedade e as particularidades da região deve-se determinar o sistema de produção de acordo com os objetivos do proprietário, análises de mercado, recursos financeiros disponíveis, condições ambientais, físicas e externas à propriedade.

O planejamento forrageiro deverá proporcionar quantidade anual adequada de forragem à demanda dos animais no sistema, seja por pastagens extensivas ou, em sistemas mais intensificados, por meio de rotação, adubação e irrigação de pastagens, ou ainda, suplementação volumosa no cocho.

Um ponto importante a ser considerado no planejamento nutricional, que está intimamente ligado à demanda e ao planejamento forrageiro, é a exigência nutricional do animal ao longo do ano. Esta exigência nutricional varia em função da idade, sexo, raça, estádio fisiológico e ganho de peso projetado. Analisando a exigência nutricional e a quantidade e qualidade da forragem ao longo do ano defini-se qual a demanda de forragem e a necessidade de suplementação protéica, energética, mineral e vitamínica para atender aos objetivos de ganho de peso e/ou reprodução (Barbosa, 2004).

Devido ao crescimento das pastagens e sua qualidade na estação seca do ano ser bem menor, torna-se necessário assumir estratégias caso não ocorra nenhuma venda de animais no final da estação das águas. Caso contrário, a propriedade não terá pastagem o suficiente para a demanda. Estas estratégias podem ser:

  • Utilizar pastagem diferida, isto é, vedar parte dos pastos na época das águas para sua utilização na seca;
  • Suplementações volumosas com silagens, capineiras ou cana-de-açúcar;
  • Suplementações com proteinados e rações concentradas.

No planejamento nutricional de sistemas mais intensivos com taxas de lotações acima de 2,0 UA por hectare deve-se considerar a necessidade de utilização de tecnologias como rotação e adubação de pastagens, suplementação volumosa, suplementação concentrada e em algumas situações irrigação de pastagens e/ou culturas.

A escolha de quais estratégias utilizarem no planejamento nutricional é dependente do planejamento financeiro, isto é, deve-se analisar qual a necessidade de investimento, fluxo de caixa, a rentabilidade e o retorno do capital investido de cada estratégia dentro do sistema de produção. Para estas simulações de planejamento as planilhas eletrônicas e softwares são importantes ferramentas para utilizar devido à maior agilidade na geração das informações para que o proprietário tome a decisão de qual o projeto assumir (Barbosa, 2004).

3.3 Planejamento Reprodutivo

O planejamento reprodutivo na propriedade é de fundamental importância para o aumento da eficiência reprodutiva de bovinos e possui impacto direto sobre a saúde financeira da empresa rural. Este planejamento deve estar interligado aos planejamentos nutricional, sanitário e genético.

As diferentes formas de manejo têm como principal objetivo a otimização do desempenho reprodutivo e produtivo do rebanho, de maneira racional e econômica. Para tanto, o enfoque reprodutivo deve estar voltado à prevenção de doenças, ao atendimento das exigências nutricionais nas diversas fases da vida reprodutiva e à exploração do potencial genético dos animais.

A otimização do desempenho reprodutivo e da eficiência produtiva do rebanho podem ser obtida por meio das seguintes práticas de manejo (Barbosa e Souza, 2007):

  1. Escolha da época e da duração da monta – está em função da distribuição das chuvas e de sua quantidade que influenciará a qualidade e quantidade de forragem disponível. Deve ser estabelecida para que as matrizes possam ter nutrientes disponíveis para amamentarem sua cria e ciclar. Isso ocorre, normalmente, 40-60 dias após o início e manutenção das chuvas, que pode variar de outubro a janeiro, dependendo da região. Para propriedades que nunca fizeram estação de monta recomenda-se iniciar com 180 dias de duração e ir diminuindo para chegar em 75 a 90 dias. Para novilhas a estação pode durar 60-70 dias quando o manejo (nutricional, sanitário e genético) está adequado.
  2. Preparo de novilhas para reposição – está em função da genética, do peso e condição ginecológica da novilha na entrada da estação de monta. Essas novilhas devem entrar acima de 65% do seu peso quando adulta e ter atingido a puberdade (ter ciclado) 42 a 21 dias antes do início da estação de monta;
  3. Avaliação ginecológica das fêmeas – essa avaliação de 30-60 dias antes da estação de monta proporciona diagnosticar animais em anestro e através de manejo (nutricional e reprodutivo) dar condições para que esses animais possam ciclar o mais rápido possível na estação;
  4. Avaliação andrológica dos touros – proporciona uso de touros com maior capacidade de fertilização, reduzindo o número de touros em relação ao número de vacas tradicional de 1:25, podendo chegar a 1:60 ou 1:80, dependendo da região e manejo. Pesquisas demonstraram que o uso da CAP (Capacidade Andrológica por Pontos) em um rebanho pode elevar a produção de bezerros pelo aumento na taxa de prenhez para o aumento no índice CAP. Além disso, pesquisadores da Escola de Veterinária (UFMG) encontraram redução do custo do bezerro produzido em até 23% com a redução da relação touro:vaca de 1:25 para 1:80;
  5. Diagnóstico de gestação e descartes das fêmeas – a eliminação das matrizes vazias após a estação de monta promove a seleção de animais mais férteis, precoces e adaptadados ao manejo local;
  6. Atendimento às exigências nutricionais e monitoramento da condição corporal (CC) – quando a matriz ganha ou perde peso ela altera sua CC, e as matrizes com CC abaixo de 5 (escala de 1 a 9) ao parto tem menor atividade ovariana e taxa de prenhez, portanto as matrizes devem parir com CC acima de 5 para obterem melhores taxas de fertilidade;
  7. Controle sanitário do rebanho – para prevenir e eliminar doenças reprodutivas que causam prejuízos produtivos e econômicos no rebanho;
  8. Estratégias de manejo - controle de mamada, desmama precoce, mamada interrompida – são usadas para melhorar a eficência reprodutiva das matrizes reduzindo o número de vacas em anestro e aumentando o percentual da fertilidade do rebanho;
  9. Estratégias de protocolos de sincronização de cio – são utilizados como ferramenta para reduzir o período de inseminação, o tempo de trabalho de detecção do cio ou até mesmo não usá-lo nos programas de inseminação em tempo fixo (IATF). Podem melhorar as taxas de fertilidade no início da estação de monta com redução do período de serviço. As taxas de prenhez são variáveis em função do tipo de protocolo hormonal, categoria animal, condição corporal e ginecológica do animal. Normlamente, varia de 40-60% de prenhez na primeira inseminação, sendo que, esses resultados podem aumentar na segunda IA ou repasse com touros, entretanto deve ser analisado o custo de cada tratamento para a tomada de decisão.

O planejamento reprodutivo visa:

  • Maximizar a eficência reprodutiva: elevada taxa de nascimento e desmama;
  • Produzir novilhas (de alto valor genético) para reposição das vacas;
  • Reduzir custos totais, diminuindo o número de matrizes vazias, que são improdutivas dentro do sistema;
  • Programar a estação de monta de acordo com a disponibilidade de forragem de qualidade – rebanho de corte;
  • Diminuir problemas de doenças transmissíveis sexualmente;

3.4 Planejamento Sanitário

Um dos maiores desafios na produção de carne é conciliar a produtidade com boas práticas na gestão da sanidade animal, bem como as questões ambientais, trabalhistas e de bem estar animal.

Com a escrituração zootécnica do rebanho é possível programar as atividades sanitárias (vacinas, medicamentos, operações sanitárias de manejo, exames laboratoriais), acompanhá-las e avaliar os índices encontrados (mortalidade, prevalência de doenças, re-incidência de doenças, causas de mortalidade, etc.). Com o histórico da propriedade, a médio prazo, têm-se as taxas sanitárias que servirão para avaliar os pontos críticos da criação e comparar o planejado com o realizado. Caso ocorra uma elevada taxa de mortalidade, por exemplo, é sinal que a estratégia planejada não está funcionando, sendo assim, está deverá ser mudada (troca de um princípio ativo, por exemplo), desde que tenha certeza que a sua aplicação (dose, via de aplicação, etc.) esteja correta.

O planejamento sanitário possibilita ao produtor a redução dos riscos da produção dentro da porteira e proporciona um produto seguro ao consumidor no final da cadeia produtiva.

O primeiro passo a se fazer em um planejamento sanitário é ter o histórico da fazenda e a prevalência das principais doenças endêmicas da região onde será implantado o projeto. O próximo passo é adotar medidas de combate e prevenção. Nesta etapa é muito importante definir como executar tais medidas como, por exemplo, adotar protocolos claros e objetivos.

3.5 Planejamento da seleção e melhoramento genético

Para definir qual será o planejamento genético é fundamental a escrituração zootécnica dos animais (dados produtivos e genealogia), bem como saber os objetivos produtivos e econômicos dos animais envolvidos e quais características a serem avaliadas. Os critérios de escolha devem ser baseados nas características a serem mensuradas para fazerem parte de um índice de seleção, além disso, devem apresentar peso econômico significativo e herdabilidade de moderada a alta (Borges at al., 2005).

Os dados avalidados podem estar relacionados as características produtivas: peso à desmama, peso ao sobreano, peso à primeira concepção, peso ao primeiro parto, ganho médio de peso diário, etc. E relacionados também a outras características: intervalo entre partos, peso do bezerro/peso da matriz, conformação, rendimento de carcaça, temperamento, facilidade de parto, aprumos, resistência aos parasitas, etc.

A escolha de animais geneticamente superiores (sêmen, embrião, touros ou animais de reposição), isto é, animais que são avaliados por um programa de melhoramento, é recomendável, pois refletirá em ganho genético para o rebanho com a incoorporação de características desejáveis para a particularidade do rebanho e da propriedade. Estas características desejáveis tem que estar adequadas com o meio (instalações, nutrição e manejo sanitário) caso contrário elas não serão expressadas na sua totalidade. Por exemplo, não adianta importar um embrião ou um animal com elevado mérito genético se não oferecer uma alimentação balanceada para a produção esperada, instalações adequadas para o bem-estar do animal e manejo sanitário para a prevenção de doenças (Barbosa e Souza, 2007).

Com o monitoramento das informações genéticas geradas estas podem ser analisadas em conjunto com a parte financeira e verificar o impacto (positivo ou negativo) de novos touros, vacas ou sêmens nas características produtivas e qual a sua influência bio-econômica no sistema de produção.

3.6 Planejamento da infra-estrutura

A infraestrutura (benfeitorias, área de pastagens e lavouras, área totais, etc.) define o tamanho (escala) do empreendimento. Quanto maior o nível de intensificação maior a necessidade de investimento e, normalmente, maior o nível de produção por área. Como comentando anteriormente a necessidade de pastagens e de lavouras denpendem da demanda nutricional anual do rebanho.

Por exemplo, para realizar a atividade de confinamento é fundamental que na fazenda tenha áreas destinadas para culturas de silagens e/ou cana-de-açúcar. O tamanho da área pode ser fundamental para a escolha de qual volumoso plantar.

Exemplo:

  • Confinamento de 4.000 bois
  • Produção estimada de cana-de-açúcar = 120 toneladas por hectare
  • Produção estimada de silagem de milho = 45 toneladas por hectare
  • Consumo médio de cana = 18 kg/cabeça/dia
  • Consumo médio de silagem = 20 kg/cabeça/dia
  • Dias de confinamento = 70
  • Necessidade de volumoso:
  1. Cana = 18 kg x 70 dias x 4.000 bois = 5.040 toneladas
  2. Silagem = 20 kg x 70 dias x 4.000 bois = 5.600 toneladas
  • Necessidade de área:
  1. Cana = 5.040 / 120 = 42 hectares
  2. Silagem = 5.600 / 45 = 124 hectares

O planejamento da infra-estrutura deve ser feito de acordo com cada sistema de produção, respeitando divisão de áreas, topografia, localização de aguadas, capital financeiro disponível, etc. O investimento inicial para o confinamento é elevado ficando em R$ 364,25/ boi instalado (Quadro 1). As instalações e equipamentos possuem vida útil que varia de 10 a 20 anos, e ainda, a capacidade estática do confinamento é para 2.000 bois, portanto podem ser feitos no mínimo dois ciclos diluindo os custos fixos deste empreendimento. Para isto ocorrer a fazenda deve ter quantidade de animais para engorda suficiente, volumosos e recurso financeiro para todos os insumos.

Quadro 1 – Relação de investimentos para confinamento de 2.000 bois

INSTALAÇÕES R$ Total
Currais de confinamento 104.000,00
Curral de manejo 60.000,00
Barracão para ração – 10 x 20 m 50.000,00
Silos trincheira para silagem de capim 7.500,00
Rede de água – captação e distribuição 11.500,00
Rede Elétrica 15.000,00
SUBTOTAL 248.000,00
EQUIPAMENTOS PARA ENSILAGEM DE CAPIM (5.000 t / ANO)  
01 forrageira de área total, plataforma de 1,6m 47.000,00
02 carretas ensiladoras capacidade de 20 m3 32.000,00
01 trator 120 HP 135.000,00
02 tratores 75 HP 150.000,00
01 pulverizador de barra 600 litros 8.000,00
01 adubadora-calcareadora capacidade de 5 t 11.500,00
SUBTOTAL 383.500,00
EQUIPAMENTOS – PREPARO E DISTRIBUIÇÃO RAÇÃO  
01 vagão forrageiro com balança – 10 m3 45.000,00
01 fábrica de rações – 3 toneladas/hora 18.000,00
01 garra desensiladeira 8.000,00
01 silo de grãos – 50 toneladas 12.500,00
01 conjunto de moegas e elevadores – 20 toneladas/hora 7.500,00
01 silo ração pronta – 15 toneladas 6.000,00
SUBTOTAL 97.000,00
TOTAL 728.500,00

Fonte: Burgi, 2006.

3.7 Planejamento técnico

A utilização de índices zootécnicos dentro da empresa rural é uma ferramenta importante na avaliação da capacidade produtiva do negócio. Os coeficientes dos indicadores dos diversos fatores zootécnicos citados anteriormente não são totalmente conhecidos pelos diferentes sistemas de produção observados no Brasil (Barbosa e Souza, 2007).

Tabela 1 – Índices zootécnicos médios do rebanho brasileiro em diversos sistemas de produção.

Índices Sistema
Melhorado
Sistema Tecnologia Média Metas
Natalidade > 70% > 80% 80 – 90%
Mortalidade até a desmama 6% 4% < 3%
Taxa de desmama 65% 75% > 77%
Mortalidade pós-desmama 3% 2% < 1%
Idade à primeira cria 3-4 anos 2-3 anos 2 -3 anos
Intervalo de partos 18 meses 14 meses 14 meses
Idade de abate 3 anos 2,5 anos 15 a 24 meses
Taxa de abate – completo 20% 22%  > 30 %
Taxa de abate – recria / engorda     > 60%
Taxa de abate - engorda     99 a 100%
Peso da carcaça 220 kg 230 kg 240 kg
Lotação 1,2 cab/ha 1,6 cab/ha  > 1,0 UA / ha 
Produção - @/ha/ano     > 6 @

Fonte: Adaptado de Zimer e Euclides Filho, 1997.

Como mostra a tabela 1, os pecuaristas devem atingir o sistema com média tecnologia, e aqueles já atigiram, devem melhorar estes números para maximizar a produtividade na propriedade buscando as metas listadas.

3.7.1 Níveis de tecnologias no sistema de produção

Os níveis de tecnologias a serem implantados dentro do sistema de produção deve levar em consideração alguns fatores para seu sucesso, como a disponibilidade financeira, infra-estrutura, qualificação da mão de obra técnica e operacional, mercado, particularidades regionais entre outros (Tabela 2).

Tabela 2 – Relações entre as tecnologias e os fatores de disponibilidade financeira, recursos humanos e de risco ao investimento.

Tecnologias Financeiro Recursos Humanos Risco
Reprodutivas      
Estação de Monta B M B
Controle Mamada M M M
Exame Andrológico M A B
Avaliação Ginecológica M A B
Nutricionais      
Suplementação mineral B B B
Suplementação de proteinados M M M
Suplementação de concentrados A M A
Confinamento A A A
 Correção de pastos M M B
Adubação e rotação de pastos M A M
Irrigação das pastagens A A A
Genética      
Inseminação Artificial M A M
Touros Provados M A M
Biotecnologias – FIV / TE A A A
Sanidade      
Medicamentos, Vacinas B M B
Práticas de manejo B M B
Administrativas e Gerenciais B A B

A= Alto, M = Médio, B = Baixo.

4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

O planejamento técnico aliado ao financeiro é uma ferramenta imprescindível para verificar a viabilidade operacional e econômica das estratégias assumidas dentro do sistema e fornecer com maior precisão as informações necessárias para a tomada de decisão. É necessário mensurar e avaliar economicamente o impacto do uso das tecnologias disponíveis para o aumento dos índices zootécnicos e produtivos nas diversas fases do ciclo de produção de bovinos, de acordo com cada sistema em particular, para que possa ser indicado técnica e economicamente as tecnologias. O nível de intensificação deverá ser ditado pelos índices zootécnicos levantados inicialmente (diagnóstico), isto é, com baixos índices produtivos, as medidas de manejo, de investimento menor, proporcionam retornos rápidos. Com o aumento gradativo dos índices produtivos devem ser introduzidas tecnologias de investimento mais elevado. A intensificação também está em função do capital disponível de investimento, o risco e a taxa de retorno de cada situação. O uso das tecnologias no sistema de produção tem que ser gradativo e coerente com os objetivos de produção, com coletas precisas dos dados para gerar as informações necessárias, buscando o aprendizado mútuo e contínuo de todos no sistema.

5 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BARBOSA, F.A., SOUZA, R.C. Administração de fazendas de bovinos – leite e corte. Viçosa: Aprenda Fácil Ltda. 2007, 321p.

BARBOSA, F.A. Planejamento e estratégias nutricionais como ferramentas para aumento na rentabilidade da pecuária de corte. In: SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE PRODUÇÃO E GERENCIAMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE, 3, Belo Horizonte. Anais ..., Belo Horizonte: Escola de Veterinária, 2004, CD-ROM.

BARIONI, L.G.; MARTHA JÚNIOR, G.B.; RAMOS, A. K. B. et al. Planejamento e gestão do uso de recursos forrageiros na produção de bovinos em pastejo. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM, 20, FEALQ, p. 105-153. Anais ..., Piracicaba, 2003.

BORGES, I., BARBOSA, F.A., ALBUQUERQUE, F.H.M.A.R. Planejamento e gestão de sistemas de produção. In: Anais IV Simpósio Mineiro de Ovinocultura,UFLA . Lavras, 2005, p. 1-29.

BURGI, R. Confinamento: conceitos atualizados. In: CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE NUTRIÇÃO ANIMAL, 2, São Paulo. Anais ... São Paulo: CBNA-AMENA, 2006. CD-ROM.

CNA; CEPEA-USP. Indicadores rurais. n. 70, ago., 2006.

IEL, SEBRAE, CNA. Estudo sobre a eficiência econômica e competitividade da cadeia agroindustrial da pecuária de corte no Brasil. 2000. Disponível em: http://www.cna.org.br/PublicacoesCNA/EstudosdasCadeiasProdutivas/Pecuaria de corte. Acesso em: 17.ago.2003.

SANTOS, G.J.; MARION, J.C.; SEGATTI, S. Administração de custos na agropecuária. Atlas, São Paulo. 165 p. 2002.

SOUZA, R.; GUIMARÃES, J . M. P.; MORAIS, V. A. et al. A administração da fazenda. Globos, 5 ed., São Paulo. 211 p. 1995.

 
     
 
   
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