EXIGÊNCIAS E APTIDÕES DAS PLANTAS FORRAGEIRAS

Herbert Vilela

1. INTRODUÇÃO

Há uma larga variação em relação à exigência e adaptação entre as espécies forrageiras. A Brachiaria humidícola, por exemplo, se apresenta como uma planta que possui baixa exigência em fósforo e cálcio. Entre as gramíneas, as que despontam como menos tolerantes ao alumínio e mais exigentes em fósforo são as do gênero Pennisetum (Capim Elefante , Cameron, Vrukvona, Taiwan, etc.), o Panicum (capim Mombaça, Tanzânia, Tobiatã, Colonião, Guiné, Atlas, Aries, Makuene, etc.) e o Hyparhenia (capim Provisório). Entre as leguminosas, verifica-se que Stylosanthes captata é mais tolerante ao alumínio e menos exigente ao fósforo, enquanto a soja perene se apresenta como mais exigente em fósforo e cálcio e menos tolerante ao alumínio. Portanto, pode-se concluir que uma pastagem formada com uma planta mais exigente, como um Panicum, terá um período de uso pequeno, se não houver atenção à adubação de manutenção (Quadro 1).

Quadro 1 - comparação entre treze forrageiras tropicais, quanto à exigência em cálcio e fósforo e tolerância ao alumínio.

Espécies Escala 1 de exigência em P Escala 2 de exigência em Ca Escala 3 de tolerancia em Al
B. humidícola (Brachiaria) 1 1 3
A. gayanus (capim Andropogon) 2 2 2
M. minutiflora (capim Gordura) 2 2 2
B. decumbens (braquiarinha) 2 2 3
P. maximum (capim Colonião) 3 2 1
P. purpureum (capim Elefante) 3 3 1
P. hybridum (capim Paraíso) 3 3 2
H. hufa (capim Provisório) 3 1 2
S. captata (Estilosantes) 1 2 3
C. pubescens (Centrosema) 2 2 2
S. guianensis (Estilolasantes) 1 1 2
G. striata (Galaxia) 1 1 2
C. mucunoides (Calopogonio) 2 2 3
1, 2, 3 Grau de exigência em P e Ca; grau de tolerância ao Al: 1 = baixa, 2 = média, 3 = alta

2. RESPOSTAS DAS FORRAGEIRAS AOS NUTRIENTES

As respostas das forrageiras à aplicação de nitrogênio, fósforo, potássio e enxofre são variáveis e estão em função dos níveis de adubação usados e das espécies forrageiras utilizadas. Neste sentido estudou-se três níveis de fósforo e enxofre em capim Provisório e capim Colonião (Quadro 2).

Quadro 2 - Resposta do capim Colonião e Provisório a diferentes níveis de enxofre e fósforo (MCCLUNG & QUINN, 1969)

Espécie Forrageira Nível de P e S (kg/ha) Produção de matéria seca (t/ha)
Capim Provisório 0P e 0S 20
34P e 22S 25
68P e 44S 35
Capim Colonião 0P e 0S 27
34P e 22S 34
68P e 44S 33

Verifica-se no quadro 2 que as respostas á níveis de fósforo e de enxofre foram diferentes nas duas espécies de gramíneas. Enquanto o capim Provisório aumentou de 20 para 25t/ha, o capim Colonião de 27 para 34t/ha de matéria seca ao passar de 0 para 22kg/ha de enxofre e de 0 para 34kg/ha de fósforo por hectare. Interessante de se notar é que em níveis maiores de enxofre e fósforo, de 44 e 68kg/ha, há aumento de produção de matéria seca apenas no capim Provisório. Enquanto no nível 68kg de fósforo e 44kg de enxofre não resultou em aumento e sim a um pequeno decréscimo na produção de matéria seca no capim Colonião.

A justificativa para o uso de uma leguminosa associada à gramínea na pastagem é conhecida de longa data e resume-se em incorporar nitrogênio ao sistema, elevar o teor de matéria orgânica do solo e proporcionar ao animal forragem com maior teor de proteína. Porém, persiste ainda a dúvida de qual seria a melhor forma para obtenção de um consórcio de gramínea mais leguminosa, em que a leguminosa participe em pelo menos 30% da forragem produzida.

Foi conduzido um trabalho de adubação de manutenção em pastagem consorciada, com nove anos de duração, com o objetivo de estudar níveis de adubação de manutenção de fósforo e de potássio em pastagem de capim Makuene (Panicum maximum) com Stilozanthes guianensis. Verifica-se (Quadro 3) que a pastagem que não recebeu adubação apresentou decréscimo nas porcentagens de capim Makuene, de leguminosa (Stylosanthes) e acréscimos de ervas, arbustos e capim-gordura (Melinis minutiflora), quando comparado com as pastagens que receberam adubação ao longo do período de utilização da mesma. Estes dados mostram a tendência do capim-gordura, das ervas e arbustos substituírem, gradativamente, o capim Makuene e a leguminosa numa pastagem estabelecida em latossolo amarelo, sob pastejo. Portanto, a cobertura vegetal se modifica em função dos níveis de nutrientes disponíveis no solo.

Quadro 3 - Efeito de fósforo e potássio em pastagens consorciadas e sobre a cobertura vegetal (vilela et al, 2004)

ANO P2O5 e K2O (Kg/ha/Ano) Capim-Makueni (%) Capim-Gordura (%) Stylo (%) Ervas e Arbustos (%)
1 0 52 11 9 9
20 53 11 8 10
40 52 10 8 10
4 0 35 6 5 17
20 56 13 6 8
40 65 14 7 3
9 0 8 10 3 51
20 59 10 8 10
40 70 1 10 4

Estes mesmos autores mostram o efeito de adubação sobre a taxa de lotação e rendimento em peso vivo (Quadro 4). As adubações modificaram a taxa de lotação e rendimento em peso vivo. Comparando-se os rendimentos em peso vivo, nos tratamentos usados ao longo dos anos, nota-se que o nível 20kg/ha de P205 e K20 tende a mantê-los, o nível 40kg a aumentá-los e o nível zero a decrescê-los.

Quadro 4 - Taxa de lotação e rendimento em peso vivo (VILELA et al., 2004)

Ano Adubação de
Manutenção Kg P2O5
e K2O/ha/ano
Taxa de Lotação UA/ha Ganho de Peso
Vivo kg PV/ha/ano
1 0 1,01 299eC
20 1,20 369dB
40 1,45 376dA
3 0 0,73 170fC
20 1,15 339dB
40 1,60 448cA
6 0 0,52 100dC
20 1,24 365cB
40 1,80 520bA
9 0 0,29 50hC
20 1,25 350dB
40 2,05 560aA
Médias 0 0,64 155C
20 1,21 363B
40 1,73 476A
Médias com letras maiúsculas, dentro do ano, seguidas por letras diferentes, diferem entre si.

Procedendo a análise financeira do investimento (BARBOSA et al, 2003) verificou-se que as adubações com fósforo e potássio em pastagens de Panicum maximum cv. Makuene com Stylosanthes guianensis aumentaram a produtividade (arroba/ha/ano) e diminuíram os custos da arroba produzida. O melhor resultado econômico, avaliado pelo VPL e TIR, foi quando as pastagens foram adubadas com 40kg de P2O5 e 40kg de K2O/ha/ano, para as condições experimentais assumidas.

Em outro trabalho (Quadro 5) observou-se melhor rendimento de peso vivo, por hectare, por ano, na pastagem que recebeu nitrogênio (100kg de N/ha, na forma de uréia), quando comparada com a pastagem consorciada (Soja perene + Siratro). O autor comenta que, embora os animais na pastagem consorciada tenham ganhado mais peso na época da seca, devido ao melhor valor nutritivo de sua forragem, a adubação nitrogenada permitiu uma maior lotação, o que resultou em maior produtividade da pastagem não consorciada. Procedendo a uma análise econômica, o autor encontrou maiores retornos líquidos para a pastagem que recebeu aplicação de nitrogênio.

Quadro 5 - comparação entre pastagem de capim-guiné com nitrogênio mineral e pastagem consorciada de Panicum maximum (VILELA et al, 1982).

Tratamentos Taxa de Lotação (Ua/ha) Ganho Diário (G/Dia) Ganho PV/ha (kg/ha)
Seca Ano
P. maximum + Soja + Siratro 1,83 520 765 540
P. maximum + Uréia 2,55 305 770 754

Foi conduzido um trabalho de pesquisa (COUTINHO et al, 2001) no sentido de verificar efeito de níveis de nitrogênio e potássio sobre a produção de forragem de capim Coast cross irrigado. Verificou-se que a resposta ao potássio é praticamente nula na ausência de nitrogênio. Mas, a resposta ao potássio é evidenciada na presença de nitrogênio, com significativos aumentos de produção de forragem. Para o nível de 30kg de K2O e 40kg de N a produção de matéria seca foi de 1000kg/ha, enquanto para mesmo nível de potássio e com 80kg de N a produção foi de 2000kg e assim para o mesmo nível de potássio mas com 120kg de N a produção foi de 2750kg/ha. As maiores produções (6000kg/ha) foram obtidas com 130kg/ha de K2O e 200kg/ha de N.

Estudou-se a produtividade de uma pastagem de capim Colonião com a adição de fósforo, potássio e nitrogênio (Quadro 6) O ganho em peso vivo/ha, por ano, da pastagem que recebeu 200kg de P2O5 foi igual aquele da pastagem que recebeu fósforo mais potássio (40kg/ha de K2O). Este resultado pode ser devido ao nível alto de fertilidade inicial deste solo em relação ao potássio. Contudo, quando se usou 200kg de nitrogênio por hectare com potássio (40kg/ha) no mesmo solo, o ganho em peso, por hectare, por ano, foi 2,39 vezes maior, evidenciando a resposta do potássio na presença de nitrogênio.

Quadro 6 - Adubação de pastagem de capim colonião (MONTEIRO & WERNER, 1990)

TRATAMENTO Taxa Lotação (UA/ha) Ganho Diário
(g/dia)
Ganho PV
por ha (kg/ha)
200kg P2O5 1,9 760 263
40kg K2O/ha +
200kg P2O5/ha
2,0 760 273
200kg N/ha +
40kg K2O/ha
5,3 690 652

Trabalho realizado em latossolo Amarelo Vermelho no Município de Matosinhos em MG (Quadro 7) mostra o efeito do fosfato na forma de Super-fosfato simples (500kg/ha) e sulfato de cálcio (500kg/ha) sobre a capacidade de suporte e rendimento em peso vivo por ha/ano.

Quadro 7 - Taxa de lotação e rendimento em peso vivo, por animal, por dia e por hectare, por ano (VILELA et al, 1999).

Tratamento Taxa de Lotação Rendimento
(kg/animal/dia)
Peso Vivo
(kg/ha/ano)
Testemunha 0,47 0,400 69,10
Super-fosfato
simples
0,58 0,512 110,10
Super-fosfato +
S. cálcio
0,70 0,625 161,35

Os resultados obtidos sobre a adubação de pastagem degradada com fósforo e nitrogênio, em três das propriedades estabelecidas em cerrado (latossolo vermelho amarelo) no estado do Mato Grosso de Sul são apresentados na Figura 2, (OLIVEIRA et al, 2001). Não houve efeito (P > 0,05) do fósforo (100kg/ha) na ausência de nitrogênio sobre a produção de forragem nas três propriedades. Em uma das propriedades houve um aumento não significativo da ordem de 9,7% (371kg/ha), em relação ao tratamento sem fósforo (338kg/ha de MS).

Foram estudados neste mesmo trabalho o efeito daqueles níveis de fósforo com a presença de nitrogênio (100kg/ha de N/ano). Verifica-se que houve efeito (P < 0,05) dos dois níveis de fósforo estudados (Figura 3), independente da propriedade estudada. A mesma propriedade que apresentou maior produção de forragem no tratamento com fósforo (371kg/ha), sem nitrogênio, foi também a que apresentou maior produção de forragem sob o tratamento com nitrogênio (663kg/ha de MS). Segundo os autores, esta resposta obtida foi devida ao maior nível de fósforo existente neste solo. As respostas do fósforo na presença de nitrogênio foram atribuídas pelos autores ao baixo nível de matéria orgânica existente nestes solos e conseqüentemente baixo nível de nitrogênio disponível para o crescimento radicular da planta e conseqüente utilização precária do fósforo disponível no solo.

3. AGRUPAMENTO DAS ESPÉCIES FORRAGEIRAS SEGUDO SUAS APTIDÕES

O sucesso da exploração pecuária tem como ponto básico a adequada formação da pastagens. Uma das decisões a ser tomada neste contexto, se refere à escolha da espécie forrageira que por sua vez está relacionada a uma série de variáveis do meio.

A adaptabilidade das plantas forrageiras às variáveis edáficas do meio é dependente da:

  • resposta da planta à fertilização;
  • tolerância a baixos índices pluviométricos;
  • tolerância a diferentes graus de encharcamento do solo;
  • tolerância às pragas e doenças;
  • potencial e distribuição de produção de forragem ao longo do ano;
  • palatabilidade alta para as espécies e categorias de animais.

Seria interessante uma tentativa de agrupar as espécies em função das variações edáficas do meio (solo e clima), conforme suas aptidões.

3.1 Quanto às características químicas do solo:

Solos com nível "alto" de fertilidade

a. Gramíneas recomendadas:

  • Panicum maximum - cv. Capim Mombaça, Tanzânia, Atlas, Aries, Colonião, Tobiatã, Vencedor e outras;
  • Brachiaria brizantha - cv. MG5 ou Vitória;
  • Pennisetum hybridum - cv. Capim Elefante Matsuda;
  • Pennisetum purpureum - cv. Capim elefante Mineiro, Cameron, Vrukvona, Taywan, Mott, Napier, Albano e outros;
  • Cynodon niemfluesis - cv. Capim Tifton;
  • Cynodon dactylon - cv. Capim Coast cross.

b. Leguminosa recomendada:

  • Alfafa sativa - cv. Crioula.

Solos com nível "médio" de fertilidade:

a. Gramíneas recomendadas:

  • Brachiaria brizantha - cv. Marandu;
  • Brachiaria brizantha - cv.MG 4;
  • Brachiaria brizantha - cv.MG 5 ou Vitória;
  • Brachiaria ruziziensis - cv. Ruzi;
  • Hyparhenia rufa - cv. Capim Provisório ou Jaraguá ou Vermelho;
  • Panicum maximum - cv. Aires e Atlas;
  • Paspalum atratum - cv. Pojuca.

b. Leguminosas recomendadas

  • Leucaena leucocephala - cv. Leucena;
  • Neonotonia wightii - cv. Soja perene;
  • Centrosema pubescens - cv. Centrosema;
  • Arachis pintoi - cv. Amendoim forrageiro.

Solos com nível "baixo" de fertilidade:

a. Gramíneas recomendadas:

  • Andropogon gayanus - cv capim Andropogon Planaltina;
  • Brachiaria decumbens - cv. IPEAN, Basilisk (braquiarinha);
  • Brachiaria humidicola - cv. capim Quicuiu da Amazônia;
  • Setaria anceps - cv. Setaria.

b. Leguminosas recomendadas:

  • Stylosanthes guianensis - cv. Mineirão, Bandeirantes;
  • Centrosema pubescens - cv. Centrosema;
  • Galactia striata - cv. Galáxia

3.2. Quanto às características físicas do solo:

Solos com textura argilosa e francos e com declividade inferior a 12% pode-se usar qualquer gramínea e leguminosa sem restrições, observada a condição de fertilidade.

Solos com textura arenosa (mais de 35% de areia) e com declividade igual ou superior a 12%

a. Gramíneas recomendadas:

  • Brachiaria brizantha - cv. Vitória;
  • Brachiaria humidicola - cv. Capim Quicuiu do Amazonas;
  • Cynodon niemfluesis - cv. Capim Tifton;
  • Cynodon dactylon - cv. Capim Coast cross.

b. Leguminosa recomendada:

  • Qualquer leguminosa desde que observada a condição de clima e fertilidade.

Solos com declividade entre 12 e 35%:

a. Gramíneas estoloníferas:

  • Leguminosas - Observar a fertilidade do solo.

3.3 Quanto ao grau de umidade no solo:

Solos muito úmidos (encharcados):

a. Gramíneas recomendadas:

  • Brachiaria humidicola - cv. Capim Quicuiu da Amazônia;
  • Brachiaria mutica - cv. Capim Tangola;
  • Setaria anceps - cv. Setaria.

b. Não há leguminosas recomendadas.

Solos moderadamente úmidos:

a. Gramíneas recomendadas:

  • Paspalum atratum - cv. Capim Pojuca;
  • Panicum maximum - cv. Aries;
  • Brachiaria brizantha - cv. MG5 ou Vitória.

b. Não há leguminosas recomendadas.

3.4 Quanto às características do clima:

Quanto a temperatura

Temperaturas superiores a 22°C

a. Gramíneas recomendadas:

  • Andropogon gayanus - cv. Planaltina;
  • Brachiaria decumbens - cv. IPEAN, Basilisk;
  • Brachiaria brizantha - cv. Marandu, MG4, MG5 ou Vitória;
  • Brachiaria humidicola - cv capim Quicuiu do Amazonas;
  • Brachiaria ruziziensis - cv. Ruzi;
  • Cencrhus ciliares - cv. Biloela, Gayndha, Numbank, Áridus, etc.;
  • Cynodon dactylon - cv. capim Coast cross;
  • Cynodon niemfluesis - cv. capim Tifton;
  • Hyparhenia rufa - cv. capim Provisório ou Jaraguá;
  • Panicum maximum - cv. Mombaça, Tanzânia, Atlas, Aries, Makuene, Colonião, etc.;
  • Pennisetum purpureum - cv. capim Cameron, Vrukvona, Mineiro, Taywam, Napier, etc.;
  • Pennisetum hybridum - cv. Capim Elefante .

b. Leguminosas recomendadas:

  • Arachis pintoi - cv. Amendoim forrageiro;
  • Cajanus cajan - cv. Guandu anão;
  • Calopogonio mucunoides - cv. Calopogonio;
  • Leucaena leucocephala - cv. Leucena;
  • Neonotonia wightii - cv. Soja perene.

Temperturas inferiores a 22°C

a. Gramíneas recomendadas

  • Cynodon dactylon - cv. capim Coast cross;
  • Cynodon niemfluesis - cv. capim Tifton;
  • Panicum maximum - cv. Atlas, Aries, Guiné, etc.;
  • Pennisetum hybridum - cv. Capim Elefante .

b. Leguminosas recomendadas:

  • Arachis pintoi - cv. Amendoim forrageiro;
  • Neonotonia wightii - cv. Soja perene.

Quanto á precipitação

Precipitação menor do que 600mm (clima semi-árido)

a. Gramíneas recomendadas:

  • Cencrhus ciliares - cv. capim bufell, Biloela, Gayndha, Áridus e outras;
  • Transvala;
  • Andropogon - cv. Planaltina;
  • Brachiaria brizantha - cv. MG4.

b. Leguminosas recomendadas:

  • Stylosanthes guianensis - cv. Mineiro e Bandeirantes;
  • Calopogonio mucunoides - cv. Calopogonio.

3.5 Quanto ao grau de iluminamento

Por várias décadas os cerrados brasileiros vem sendo usados pela siderurgia para obtenção do carvão vegetal, inicialmente de forma empírica e predatória. Atualmente, admite-se o reflorestamento associado a espécies forrageiras para se praticar o sistema silviopastoril. Os espaçamentos entre linhas para espécie florestal podem variar de 8 a 12m, para permitir maior iluminamento (intensidade luminosa) do sistema.

O efeito do sombreamento sobre a produtividade e persistência de gramíneas e leguminosas forrageiras é, basicamente, devido à radiação eletromagnética recebida e duração do dia. Estes afetam diretamente o crescimento da parte aérea e, especialmente, das raízes, havendo decréscimo de ambas quando os níveis de sombreamento são incrementados, isto como conseqüência da redução da capacidade fotossintética.

A teoria de que as leguminosas C3 teriam vantagens sobre as gramíneas C4, em condições de sombreamento deve ser revisada, uma vez que há evidências de que algumas gramíneas absorvem mais nitrogênio e produzem mais matéria seca quando sombreadas. A capacidade fotossintética das folhas das gramíneas aumenta com o incremento do nível de irradiação ao passo que as leguminosas se tornam ligeiramente saturadas ao redor de 50% de luz solar direta, o que traz reflexos negativos na taxa de fixação de nitrogênio.

a. Algumas gramíneas tolerantes à menor iluminamento (sombra):

  • Panicum maximum - cv. capim Green Panic;
  • Panicum maximum - cv. Capim Tanzânia;
  • Brachiaria brizantha - cv. Marandu;
  • Brachiaria brizantha - cv. MG5 ou Vitória.

3.6 Quanto à taxa assimilatória:

Este estudo é muito importante para se conhecer quais as espécies forrageiras que podem ser utilizadas em sistemas intensivos de produção, que envolvem a irrigação. Portanto, regiões onde ocorrem temperaturas iguais aos valores ótimos (VO) para a taxa assimilatória, seriam apropriadas para se praticar a irrigação com a gramínea adequada.

Algumas plantas com Valores Ótimos:

  • Brachiaria ruziziensis - cv. capim Ruziziensis VO de 38 a 56°C;
  • Pennisetum purpureum - cv. capim Mineiro VO de 37 a 59°C;
  • Pennisetum hybridum - cv. capim Paraíso VO de 37 a 59°C;
  • Calopogonio mucunoides - cv. Kudzu VO de 34 a 51°C;
  • Glycine wightii - cv. Soja perene VO de 31 a 50°C;
  • Macroptilium atropurpureum - cv. Siratro VO de 30 a 50°C.

4. LITERATURA CONSULTADA

BOGDAN, A.V. Tropical posture and fodder plants - Grasses and legumes. London and N.York. 475 p., 1977. Reference 637.

CORSI, M. Pastagens de alta produtividade. In: Congresso Brasileiro de Pastagens, 8, Piracicaba, SP, Anais... Piracicaba: 2001. p.499-512.

BARBOSA, F.A., VILELA, H., MAFFEI, W.E. Avaliação econômica da adubação de manutenção de pastagem com Panicum maximum e leguminosas em pecuária bovina de corte. In: Reunião Anual da SBZ, 40°. Anais... Santa Maria (RS), 2003. CD.

MCCLUNG, A.G. & QUINN, L.R. Sulphor and phosphones response of Batatais grass. IBEC Reserrch Inst. Bulletin, N.York, 18, 1969. 13 pg. (Bol. 18).

MONTEIRO, F.A.; WERNER, J.C. Ciclagem de nutrientes minerais em pastagens. In: Simpósio sobre Ecossistema de Pastagem. Jaboticabal. SP, 1990. Anais... Jaboticabal. UNESP. FCAV/FUNEP. 1990. p 149-192.

OLIVEIRA et al. Efeito de fósforo e nitrogênio em pastagem estabelecida em cerrado. 2001. In: milkpoint.com.br/radarestécnicos/artigo, 07-2004.São Paulo.

PEDREIRA, J.V.S. Crescimento estacional dos capins Colonião, Gordura, Jaraguá e Papoula. Boll. Ind. Animal, SP, 3, (1):59-145.1973.

VEIGA, J.B. & SERRAO, E.A.S. Sistema silvipastoril e produção animal nos trópicos úmidos: a experiência da Amazônia brasileira. In: Pastagens. Sociedade Brasileira de Zootecnia, Piracicaba, 1990.

VILELA, H., DUARTE VILELA, BARBOSA F.A., BENEDETTI E. Efeito de níveis de adubação de manutenção sobre a produção de pastagem de Panicum maximum e leguminosas em pastejo. Aspectos agronômicos. In: Zootec 2004. Anais... Brasília, 2004. CD.

VILELA, H., VALENTE, J.O., PAULINELLI, M.T. Fosfato e sulfato de cálcio na recuperação de pastagem. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia. 1999. 5(1):121-124.

VILELA, H. Pastagem em Cerrado - Produção de carne e leite. In: Encontro sobre Formação e Manejo de Pastagem em área de Cerrados, 1, Uberlândia, 1982, Anais... Uberlândia: 1982. p. 113-61.

WERNER, J.C. Adubação de Pastagens. Nova Odessa, Instituto de Zootecnia, 1984. 49 p (Bol. Técnico, 18).

 
     
 
   
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