Propriedades químicas e agronômicas de três fontes de Silício disponíveis no mercado brasileiro

HERBERT VILELA
Eng. Agrônomo e Doutor

I - INTRODUÇÂO

O silício através da Portaria 4.954 de 14 de janeiro de 2004 do Ministério da Agricultura foi regulamentado a sua produção e sua comercialização como fertilizantes, passando a ser considerado - "micronutriente". Vários trabalhos têm mostrado o efeito benéfico do silício sobre o aumento da produção de diversas culturas como, por exemplo, cana-de-açúcar, arroz, milho, aveia, trigo etc. e outras não gramíneas, como tomate, feijão, alface e repolho (Epstein, 1994; Marschner, 1995). Além desse efeito, acredita-se que o silício possa diminuir a incidência de doenças (Agarie et al., 1998), o ataque de insetos e até mesmo favorecer a fotossíntese, por interferir na arquitetura das plantas (Deren et al.,1994).

É importante destacar que esses produtos apresentam teores de cálcio e magnésio superiores aos calcários comumente comercializados. Alguns subprodutos da indústria siderúrgica, contendo silicatos e óxidos de cálcio e/ou de magnésio, têm valor neutralizante. Sua ação neutralizante se deve ao efeito dos óxidos de cálcio e de magnésio no pH dos solos.

O trabalho de Alves et al.,2006 teve com objetivo principal avaliar três fontes de silício, disponíveis no mercado brasileiro, com potencial uso agrícola e uma para efeito comparativo.

II - MATERIAL E MÉTODOS

1 - Caracterização química de três fontes de silício e de calcário dolomítico.

Os materiais utilizados no experimento como fontes de silício e as análises químicas encontram-se nas Tabelas 1 e 2.

O silicato puro foi usado para efeitos comparativos. As três fontes de silício usadas se encontram disponíveis no mercado brasileiro, produzidas por empresas do ramo. A fonte de silício denominada SILMAG é produzida pela RIMA INDUSTRIAL S. A..

Observou-se os maiores teores de óxido de cálcio (CaO%), de Magnésio (MgO%), percentagem de cálcio (Ca) e de magnésio (Mg) na fonte SILMAG, este fato revela que o produto, pode ser utilizado como fonte de cálcio e magnésio em situações em que este elemento é faltante (ação fertilizante).

TABELA 1 - ANÁLISE QUÍMICA DAS FONTES DE SILÍCIO DE USO AGRÍCOLA*.

PRODUTOS CaO % MgO  %  PN
 %
Reatividade
     %
PRNT % Ca
%
Mg % Si
%
 % SiO2    atacado porH2SO4
PRODUTO A 39,54 10,28 65,77 84,88 55,83 28,24 6,17 5,89 12,62
PRODUTO B 38,98 12,70 76,08 86,86 66,09 27,84 7,62 9,74 20,87
SILMAG 49,91 14,11 102,94 84,56 87,05 35,65 8,47 10,66 22,84
SILICATO
PURO
19,91   0 23,57 100 23,57 14,22   0 13,00 29,79

*Todas as análises foram realizadas na Universidade Federal de Lavras (UFLA). CaO %, MgO %, PN %, Reatividade %, PRNT%, Ca% e Mg%, (Laboratório de Química da UFLA), e as de SiO2 atacado por H2SO4 (Laboratório de Física do Solo). O cálculo da quantidade de Si (%Si) foi realizado com base no resultado do ataque sulfúrico.

TABELA 2 - ANÁLISE DOS NUTRIENTES CU, ZN, MN E FE (MG.KG-1) NOS TRÊS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS E NO CALCÁRIO DOLOMÍTICO*.

PRODUTOS Cu Zn Mn Fe
PRODUTO A 10,8 22,9 20270,0 115740,0
PRODUTO B 19,4 19,2 4265,0 27195,0
SILMAG 31,4 9,4 3005,0 29665,0
CALCÁRIO OLOMÍTICO 5,6 20,2 172,2 1710,0

*Todas as análises foram realizadas na Universidade Federal de Lavras (UFLA).

III - DISCUSSÃO

O poder de neutralização (PN) de um material corretivo é dado pela quantidade de ácido que o mesmo é capaz de neutralizar, o que depende de sua natureza química e grau de pureza. O CaCO3 puro é tomado como padrão, sendo seu PN considerado como 100%. Com isso o PN é expresso em porcentagem equivalente de carbonato de cálcio. O maior PN foi observado no SILMAG, seguido pelos produtos B e A. Assim, por exemplo, 100 kg de SILMAG tem um poder neutralizante equivalente a 103 kg de CaCO3 puro. Segundo a legislação brasileira, para ser considerada uma escória básica o PN mínimo exigido é de 60%.

O poder relativo de neutralização total (PRNT) de um corretivo depende de sua natureza química considerada no cálculo do PN e de sua natureza física ou granulometria, a qual afeta a taxa de reatividade ou eficiência relativa (ER). Pela legislação atual, o calcário não pode ser comercializado com PRNT menor do que 45%. Assim, segundo os resultados da Tabela 1, observa-se que o silicato puro não atingiu este PRNT. Além disso, o custo de se aplicar o calcário em uma propriedade leva em conta o PRNT e o valor do frete.

A porcentagem de silício disponibilizada pelo ataque sulfúrico indica quanto deste silício poderá ser disponibilizado para as plantas e solo ao longo do tempo. Novamente o SIMAG foi a fonte que continha mais silício movido pelo ácido sulfúrico perdendo apenas para o silicato puro, indicando o elevado potencial comercial deste produto.

O tradicional calcário está cedendo lugar ao novo corretivo silicato de cálcio e magnésio, que é um resíduo da fabricação do silício metálico, recentemente disponibilizado no mercado brasileiro com o nome comercial de SILMAG, pela RIMA INDUSTRIAL S.A.. Em certas situações o silicato substitui o calcário com várias vantagens, pois é também um fertilizante. Esta substituição como corretivo depende da distancia a ser percorrida pelo silicato em relação ao calcário, pois constitui o fator determinante do custo do corretivo colocado no ponto de consumo.

A comparação dos resultados das análise dos metais Cu, Zn, Mn e Fe nos três produtos industrializados comparado com o calcário dolomítico encontram-se na Tabela 2. De maneira geral, pode-se inferir que todos os materiais encontram-se com teores de metais pesados abaixo dos limites considerados elevados pela Legislação brasileira e portanto, podem ser usados como corretivo de acidez do solo e fonte complementar desses nutrientes.

IV – LITERATURA CITADA

Agarie, S.; Hanaoka, N.; Ueno, O.; Miyazaki, A.; Kubota, F.; Agata, W.; Kaufman, P. B. Effects of silicon on tolerance to water deficit and heat stress in rice plants (Oryza sativa L.), monitored by electrolyte leakage. Plant Production Science, Tokyo, v.1, n.1, p.96-103, 1998.

Alves,J.D.,Gontijo Guimarães, P.T. Pozza, A.A.A. Reis,T.H. e Vilela, H.
CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DE CINCO FONTES DE SILÍCIO.
RELATÓRIO TÉCNICO FINAL. LAVRAS – MINAS GERAIS, Janeiro,
2007.

Deren, C. W.; Datnoff, L. E.; Snyder, G. H.; Martin, F. G. Silicon concentration, disease response, and yield components of rice genotypes grown on flooded organic histosols. Crop Science, Madison, v.34, n.2, p.733-737, 1994.

Epstein, E. The anomaly of silicon in plant biology. Proceedings of the National Academy of Sciences, Washington, v.91, n.1, p.11-17, 1994.

Marschner, H. Mineral nutrition of higher plants. 2.ed. San Diego: Academic Press, 1995. 889p.

 
     
 
   
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