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8. AVALIAÇÕES ECONÔMICAS NA PECUÁRIA BOVINA DE CORTE

As pesquisas mostram que o uso de tecnologias como a suplementação nutricional estratégica, adubação e rotação de pastagens, aumentam a produtividade, entretanto, nem sempre é mostra-se nessas pesquisas a parte econômica. Não é avaliado o impacto econômico da tecnologia nos custos variáveis e fixos e nem na eficiência econômica do sistema de produção global.

Cavagutti et al (2002) suplementando bezerras em pastagens de Brachiaria decumbens, encontraram maior margem bruta de lucro para suplementos múltiplos de 45% de PB em comparação ao suplemento mineral e suplemento mineral com 30% de uréia. Resultados semelhantes encontraram Thiago et al (2002) suplementando bezerros Pardo Suíço x Nelore em pastagens de Brachiaria brizantha. A suplementação teve efeito linear no ganho de peso, onde foram avaliados 0, 0,5, 1 e 2kg de suplemento. Os ganhos e as margens brutas foram respectivamente: 0,543, 0,695, 0,758, 0,925kg/cabeça/dia; 0; 12,85; 12,26; 21,79 R$/cabeça/período.

Euclides (2001) suplementou novilhos em pastagens de B. decumbens e B. brizantha, com uma mistura múltipla na base de 0,2% do peso vivo. Os novilhos suplementados apresentaram ganhos médios diários de 740g/dia e os não suplementados de 535g/dia. O custo da suplementação foi de R$ 26,00/novilho, e a diferença de cerca de 200g/cab/dia em 184 dias significa 36,8kg de peso vivo ou 1,28@ (52% de rendimento de carcaça). Esta diferença de cerca de 40kg significa R$ 56,00 (@ = R$ 44,00), ou ainda, que este animal poderá ser abatido no período seco subseqüente sem ter que permanecer mais uma estação na propriedade.

Outras pesquisas fazem a avaliação econômica utilizando dados através de orçamentação parcial computando os custos varáveis, assumindo os custos fixos e os outros variáveis através de dados de outras fontes que sejam mais próximas a realidade do trabalho.

Barbosa et al (2003) realizaram a avaliação econômica da adubação anual de manutenção de fósforo e potássio em pastagens e encontraram que a adubação de manutenção de 40kg de P 2 O 5 e K 2 O por hectare por ano (T3) aumentou a produtividade ao longo dos anos com 23,44 e 34,14 @/ha/ano para o ano 1 e 9, respectivamente. O custo da arroba diminuiu, R$ 44,06 e 38,87 para o ano 1 e 9, respectivamente, pois a produtividade aumentou diluindo os custos totais. O T3 obteve retorno do capital investido no Ano 6 tornando a atividade economicamente viável, isto é as receitas obtidas da atividade pagaram os desembolsos, depreciações, juros de capital de 8% a.a., além de retornar o investimento inicial aplicado.

Euclides et al (1998) realizaram um experimento para avaliar a eficiência de sistemas de alimentação, durante os períodos críticos, como alternativa de redução da idade de abate de bovinos recriados em pastagens de Brachiaria decumbens, e avaliar a economicidade dos mesmos, distribuídos nos seguintes tratamentos:

  • os animais não receberam suplementação;
  • os animais receberam suplementação somente no primeiro período seco;
  • os animais receberam suplementação apenas no segundo período;
  • os animais receberam suplementação nos dois períodos secos; e
  • os animais receberam suplementação no primeiro período seco e foram confinados no segundo.

A suplementação alimentar, durante o período seco, combinada ou não com o confinamento, mostrou-se uma atividade economicamente viável. O tratamento que apresentou maior valor presente líquido (VPL) foi aquele em que os animais foram suplementados a pasto nas duas estações secas (D), e o menor VPL pelos animais que não receberam qualquer suplementação (A).

As pesquisas mostrando a avaliação econômica de sistemas de produção de bovinos de corte, avaliando custos variávies, custos fixos, índices econômicos de renatbilidade, são escasssos, sendo encontrados isoladamente em condições regionais, em um determinado ano e/ou determinado segmento da fase de produção.

Quinoz (1970) avaliou os custos e retornos do ganho de peso por cabeça, na fase de recria e engorda, de bovinos Nelore, Guzerá e Indubrasil, durante os anos de 1967 a 1969, no norte de Minas Gerais. Entretanto não foram computados gastos adiministrativos, renda da terra, equipamentos e máquinas e custos sociais.

Simões (1971) estimou a estrutura de custos totais, fixos, variáveis e médios da fase de engorda na pecuária de corte, na região de Governador Valadares (MG). Mostrou que a variável compra de animais magros representa 75% do custo total, e que o regime de confinamento apresentou resultados econômicos favoráveis.

Coutinho (1978) avaliou economicamente a fase de cria e recria na pecuária de corte, em quatro microrregiões de Minas Gerais, encontrando resultados diferentes de acordo com o grau de tecnificação, onde o uso de tecnologias como suplementação nutricional e melhoria das pastagens, melhoraram os índices zootécnicos, aumentaram as receitas e a remuneração do capital investido.

As pesquisas feitas após a mudança econômica brasileira, com maior estabilização e menores índices de inflação, também são escassas e apresentam os mesmos fatores acima mencionados.

Gomes et al (1999) avaliaram o retorno financeiro da bovinocultura de em quatro regiões pastoris da Bahia e encontraram que existiu uma tendência de elevação de retorno financeiro à medida que o tamanho médio das fazendas aumentou (100 a 2000ha), e a precipitação pluviométrica foi mais abundante e melhor distribuída, contribuindo talvez para melhor manejo da pastagem e maior produtividade.

Ferreira (2003) avaliou o desempenho de machos inteiros, confinados por períodos variáveis de acordo com o acabamento de carcaça, em Campo Grande, MS. Foram utilizados para avaliar a eficiência econômica dos grupos genéticos (Nelore, ½ Valdostana ½ Nelore, ½ Simental ½ Nelore, ½ Braford ½ Brangus, ½ Braford ¼ Angus ¼ Nelore, Brangus, ½ Canchim ¼ Angus ¼ Nelore ½ Canchim ¼ Simental ¼ Nelore) os dados de custo operacional variável, custo por arroba produzida e margem bruta. Os grupos genéticos mais pesados no início do confinamento e que permaneceram menos tempo confinados apresentaram maior margem bruta.

Lopes & Magalhães (2003) também avaliaram economicamente um confinamento de 3583 bovinos no Sul de Minas Gerais, e encontraram uma margem líquida de R$ 161.921,30, um resultado positivo de R$ 54.169,33 e uma rentabilidade de 1,19%.

9. ESTUDO DE CASO

A seguir são apresentados os dados zootécnicos de um sistema de produção intensiva de engorda de bovinos utilizando sistema de pastejo rotacionado adubado e confinamento.

Fazenda: Baco Pari
Proprietário: Antônio Pontes Fonseca (Grupo Calsete)
Município: Inhaúmas/MG
Área total: 155 hectares
Área de pastagens: 88 hectares
Área de cana-de-açúcar: 19 hectares
Área de milho para grão: 25 hectares

9.1 Manejo das pastagens

4 módulos de rotacionados de pastagens de Brachiaria brizantha cv. Marandu.

Rotacionado Forragem Área (ha) No. piquetes Dias pastejo Dias descanso
1 Brachiaria 18 9 4 32
2 Brachiaria 18 9 4 32
3 Brachiaria 24 12 3 33
4 Brachiaria 12 7 5 30
TOTAL 72 - - -

9.2 Taxa de lotação média

Época Qtde. Animais Peso (@) Peso Total (@) Taxa Lotação (UA/ha)
Jan-Fev 275 13,48 3570 3,22
Fev-Mar 285 14,16 3906 3,51
Mar-Abr 305 14,20 4093 3,59
Abr-Mai 273 14,18 3796 3,34
Mai-Jun 248 13,80 3422 3,68
MÉDIA 277 13,55 3757 3,47

9.3 Alturas do pasto na data de entrada e saída dos animais nos piquetes (Jan a Jun/04)

Pasto Rotacionado Espécie de
forragem prevalente
Altura (cm)
Entrada 1 Braquiarão 50
Saída 36
Entrada 2 Braquiarão 48
Saída 32
Entrada 3 Braquiarão 50
Saída 36
Entrada 4 Braquiarão 43
Saída 27

9.4 Produção estimada de cana-de-açúcar

Local amostrado

Produção estimada

Talhão 1 150 ton/ha de matéria verde
Talhão 2 295 ton/ha de matéria verde
Talhão 3 60 ton/ha de matéria verde
Talhão 4 160 ton/ha de matéria verde
Média 166 ton/ha de matéria verde

9.5 Ganho médio diário de peso dos animais

  • Peso inicial dos animais que chegam a propriedade de 11 a 12@
  • Peso final dos animais ao abate de 16 a 17@ à pasto
Ganho kg/cab/dia Jan-Fev Fev-Mar Mar-Abr Abr-Mai* Mai-Jun Total Médio
1,397 0,893 0,527 0,782 0,261 0,770
* início da suplementação com suplemento proteinado (0,1% do peso vivo)

9.6 Confinamento - início 02/07/04

  • 578 bois Nelore com peso inicial médio 13,40@

Projeção de ganho de peso de 1,3kg/cabeça/dia com cana-de-açúcar e ração concentrada (1,3% do peso vivo/dia).

9.7 Dados econômicos

PLANILHA GERAL - Engorda
Planilha Quant Custo Fixo (Unidade) R$ unitário TOTAL(R$) % Custo
Veículos 1 unid. 20.364,80 20.364,80 3,18
Benfeitorias 1 unid. 10.728,22 10.728,22 1,68
Pastagens - - - - -
Brizanta 72 hectare 45,76 3.294,41 0,51
Subtotal 72 - - 3.294,41 0,51
Forragens silagem - - - - -
Milho - hectare 1.381,10 - -
Sorgo - hectare 1.210,60 - -
Elefante - hectare 81,81 - -
Mombaça - hectare 104,97 - -
Cana - hectare 367,42 - -
Subtotal - - - - -
Cercas liso 5 fios - - - - -
Madeira lei 4 km 162,11 648,45 0,10
Subtotal - - - 648,45 0,10
Cercas farpado - - - - -
Madeira lei - km 190,80 - -
Eucalipto - km 266,83 - -
Mourão Aço - km - - -
Subtotal - - - - -
Cercas eléltrica - - - - -
2 fios 72 hectare 18,64 1.341,82 0,21
Subtotal - - - 1.341,82 0,21
Despesas Gerais 1 unid. 9.240,00 9.240,00 1,44
TOTAL - - - 45.617,70 7,13
CUSTOS VARIÁVEIS
Custos Quant. unidade R$ unitário TOTAL(R$) % Custo
Mão Obra 1 unid. 32.177,60 32.177,60 5,03
Compra animais 667 unid. 605,00 403.535,00 63,04
Manutenção Adubação - - - - -
Brizanta 72 hectare 356,61 25.676,06 4,01
Subtotal 72,0 - - 25.676,06 4,01
Medicam. Outros - - - - -
Engorda 667,0 cabeças 7,04 4.692,35 0,73
Subtotal - - - 4.692,35 0,73
Confinamento - - - - -
Milho - cabeças 521,87 - -
Sorgo - cabeças 637,86 - -
Elefante - cabeças 412,24 - -
Mombaça - cabeças 647,52 - -
Cana - cabeças 215,29 - -
Subtotal - - - - -
Suplementação Seca - - - - -
Engorda 578 cabeças 215,29 124.438,34 19,44
Subtotal 578 - - 124.438,34 19,44
Suplement. Águas - - - - -
Engorda 285 cabeças 13,93 3.968,91 0,62
Subtotal 285 - - 3.968,91 0,62
TOTAL - - - 594.488,26 92,87

Patrimônio (terra e benfeitorias) = R$ 1.234.224,00

Receitas Quant @ Total @ $ Unit. TOTAL(R$)
Bois Águas 89 16,50 1.468,50 52,25 76.728,50
Bois Secas 578 18,00 10.404,00 62,00 645.048,00
Patrimonial variação 0 0,00 - - 93.000,00
TOTAL 667 - 11.872,50 - 814.776,50

Custo variável 594.488,26
Custo fixo 45.617,70
Custo fixo + variável 640.105,96
Receitas totais 814.776,50
Lucro Operacional 174.670,54

Retorno do Capital Investido com terra (% ao ano) = 9,51
Retorno do Capital Investido sem terra (% ao ano) = 9,54

Total de UA 669
Pasto e reserva (10%) - ha 155,0
Taxa de lotação (UA/ha) 4,3
Número de Empregados 3
UA/Empregados 223,0
Custo/arroba/ano 53,92
Custo/animal/ano 354,68
Arrobas/ha 33,56
Receita bruta (R$/ha) 5.256,62
Lucro Operacional/ha (R$) 1.126,91

Comparando este sistema no mesmo local mas com engorda extensiva os dados abaixo econômicos mostram que tornam inviável econômicamente.

Total de UA 126
Pasto e reserva (10%) - ha 155,0
Taxa de lotação (UA/ha) 0,8
Número Empregados 1
UA/Empregados 126,0
Custo/arroba/ano 67,89
Custo/animal/ano 413,35
Arrobas/ha 3,25
Receita Bruta (R$/ha) 1.356,00
Lucro Operacional/ha (R$) 528,18

Patrimônio (terra e benfeitorias) = R$ 1.112.550,00

PLANILHA GERAL - Engorda

Custos Fixos Quant Unidade R$ unitário Total (R$) % Custo
Veículos 1 Unid. 322,50 322,50 0,25
Benfeitorias 1 unid. 8.305,72 8.305,72 6,47
Pastagens
Brizanta 140 hectare 45,76 6.405,80 4,99
Subtotal 140 6.405,80 4,99
Forragens silagem
Milho - hectare 1.381,10 - -
Sorgo - hectare 1.210,60 - -
Elefante - hectare 81,81 - -
Mombaça - hectare 104,97 - -
Cana - hectare 367,42 - -
Subtotal - -
Cercas liso 5 fios
Madeira lei 8 km 162,11 1.296,90 1,01
Subtotal 1.296,90 1,01
Cercas farpado
Madeira lei - km 190,80 - -
Eucalipto - km 266,83 - -
Mourão Aço - km - - -
Subtotal - -
Cercas eléltrica
2 fios - hectare 23,18 - 0,00
Subtotal - 0,00
Despesas Gerais 1 unid. 3.240,00 3.240,00 2,53
TOTAL 19.570,92 15,25

CUSTOS VARIÁVEIS

Custo Quantidade unidade R$ unitário Total(R$) % Custo
Mão Obra 1,0 unid. 7.425,60 7.425,60 5,79
Compra animais 126,0 unid. 605,00 76.230,00 59,41
Manutenção Adubação
Brizanta - hectare 283,34 - 0,00
Subtotal 0,00
Medicam. Outros
Engorda 126,0 cabeças 7,04 886,41 0,69
Subtotal 886,41 0,69
Confinamento
Milho - cabeças 482,24 - -
Sorgo - cabeças 537,64 - -
Elefante - cabeças 340,88 - -
Mombaça - cabeças 544,89 - -
Cana - cabeças 262,08 - -
Subtotal - -
Suplementação Seca
Engorda 126 cabeças 181,16 22.826,14 -
Subtotal 126 - - 22.826,14 17,79
Suplement. Águas
Engorda 126 cabeças 10,90 1.373,27 1,07
Subtotal 126 - - 1.373,27 1,07
TOTAL 108.741,43 84,75

Retorno do Capital Investido com terra (% ao ano) = 6,70
Retorno do Capital Investido sem terra (% ao ano) = - 4,62

Neste caso a propriedade não é eficiente na produção de bovinos, pois, somente computando a valorização patrimonial é que possui retorno do capital investido positivo.

Receitas Quant @ Total @ $ Unit. TOTAL(R$)
Bois Águas 0 16,50 - - -
Bois Seca 126 15,00 1.890,00 62,00 117.180,00
Patrimonial variação 0 0,00 - - 93.000,00
TOTAL 126 1.890,00 210.180,00

10. CONCLUSÕES

É necessário mensurar e avaliar economicamente o impacto do uso das tecnologias disponíveis para o aumento da produtividade nas diversas fases do sistema de produção de bovinos, para que possa ser indicado técnica e economicamente as tecnologias.

O planejamento nutricional aliado ao financeiro é uma ferramenta imprecindível para verificar a viabilidade operacional e econômica das estratégias assumidas dentro do sistema e fornecer com maior precisão as informações necessárias para a tomada de decisão.

11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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