Sementes de Forrageiras

HERBERT VILELA
Engenheiro Agrônomo e Doutor

1 – INTRODUÇÃO

Na composição de custo de formação de pastagem, o componente que menos onera é o relativo ao custo da semente utilizada. De modo geral, este componente participa com apenas 6% do custo total. Entretanto, o produtor rural, no momento de decisão para a aquisição deste componente, sempre faz a opção pelas sementes de custo unitário menor, sem levar em consideração os fundamentos para esta tomada de decisão.

  • São estes os principais fundamentos que norteiam a melhor escolha da semente, para sua aquisição:

a - O vendedor tem que estar registrado no Ministério da Agricultura.

b - O comprador tem que ter conhecimento do padrão mínimo (%pureza e %germinação) para a espécie a ser adquirida.

c - O comprador tem que ter em mãos o certificado de garantia da semente.

d - O comprador deve conferir no rótulo da embalagem da semente: o nome, endereço do produtor de semente, o número do registro do produtor no Ministério da Agricultura e a data de validade do teste de germinação.

  • As vantagens que advirão da consideração destes pontos fundamentais são;

a - Menor gasto de sementes por hectare, conseqüentemente, menor custo de formação.

b - Uniformidade no estande da pastagem e, conseqüentemente, menor incidência de plantas invasoras.

c - Menor incidência de ervas daninhas.

d - redução de custos relativos ao frete, à mão de obra no plantio.

e - Utilização da pastagem em menor espaço de tempo; e finalmente.

f - Assegurar a permanência de Empresas legalizadas e sérias no mercado.

2 – PRODUÇÃO DE SEMENTES

A produção de sementes de espécies forrageiras, em fase de expansão, segue um modelo diferenciado de produção. Esta atividade estava, no geral, baseada na exploração agropecuária, com o aproveitamento de pastagens artificiais, com poucos campos de produção. No entanto, esta exploração vem dando lugar à colheita mecanizada, em busca de melhor qualidade do produto, tanto em áreas produtoras tradicionais, quanto nas novas áreas.

Na safra 2001/2002, foram plantados 299.354 hectares para a produção de sementes de forrageiras, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Pernambuco, Goiás e Tocantins, que produziram 213.260 toneladas de sementes, das quais 53,08% na região Sudeste, 6,01% na Centro-Oeste, 20,35% na Sul e 0,56% no Nordeste. No estado de Minas Gerais encontram-se 30,70% da área nacional plantada para a produção de sementes de forrageiras. Seguido pelos estados do Rio Grande do Sul, com 23,88%; Mato Grosso com 14,08%; Goiás com 11,0%; e Mato Grosso do Sul com 9,99% (ABRASEM,2003).

A produção de sementes é um processo complexo e condicionado por uma série de fatores específicos e bem determinados. O termo “Plantas forrageiras" abrange um número relativamente grande de gêneros, espécies e variedades; cada um com características bastante peculiares. Há o consenso entre pesquisadores que, quando comparada sob o ponto de vista da produção de sementes, com as grandes culturas, apresentam poucos pontos em comum, principalmente, com relação à época de colheita. Por ser bastante crítica, a escolha do momento certo de realizá-la, esta decisão poderá influenciar a produção por hectare e a qualidade da semente colhida, em conseqüência do florescimento e maturação irregular. A produção de sementes de forrageiras tropicais se caracteriza por: - pequena demanda por sementes de cultivares novas; - demanda irregular que dependente das flutuações da atividade agropecuária; - perenidade das pastagens e custos elevados em razão dos riscos de produção.

No entanto, deve-se salientar que, em cerca de 15 anos, o Brasil passou da condição de importador para a de exportador, e maior produtor consumidor mundial desse tipo de sementes.

A seleção do local ou região com características climáticas especificas para exploração e produção de sementes é fundamental para garantir uma boa qualidade. Os componentes do clima de uma região, como precipitação total e sua distribuição dentro do ano, temperatura e radiação, influenciam as fases de crescimento vegetativo e reprodutivo da cultura, a colheita e o tipo de manejo posterior. Para gramíneas, as condições climáticas prevalecentes durante a fase reprodutiva, afetam um dos principais determinantes da qualidade de sementes, que é a produção de sementes maduras, na época da colheita. No preparo da semente para o plantio, deve-se levar em conta que ela esteja fisionomicamente apta para germinar, ou seja, que a colheita tenha sido realizada na época certa, e a semente tenha completado sua maturação fisiológica em ambiente apropriado.

3 - DORMÊNCIA EM SEMENTES

É um fenômeno próprio de semente que impede o início do processo de geminação, devido à ausência de substâncias químicas ou a presença de estruturas físicas, na semente, que a fazem permanecer um tempo em repouso. Este estado de repouso, dormência ou latência varia de acordo com cada espécie. A germinação de semente de algumas espécies da tribu Paniceae, por exemplo,as cariópsis estão, firmemente, envolvidas pela lema e palea duras que impedem a absorção da água, de forma rápida.

Tipos de dormência:

  • Dormência fisiológica. Esta se apresenta quando um fator fisiológico impede o crescimento da planta (embrião latente). Este fator é próprio das espécies para sua preservação. Ela pode ser quebrada por estimulantes hormonais.
  • Dormência física ou pelo tegumento: Apresenta-se quando o tegumento que recobre a semente é duro e não permite a entrada de oxigênio e água nesta área. Pode-se superar esta situação, retirando-se este envólucro.
  • Dormência hormonal ou de inibidores: Deve-se à presença de hormônios que podem ser eliminados pela água (mesmo a de chuvas).

4 - TRATAMENTO DE SEMENTES

O tratamento de sementes é uma prática agrícola que pode envolver desde o uso de recursos que tratam da quebra da dormência, até a aplicação de fungicidas ou inseticidas, como também, o emprego de inoculantes (Rhizobium) e micronutrientes sobre a superfície da semente, visando a melhor germinação e à proteção as plântulas, durante a fase inicial de instalação da pastagem.

Portanto, têm-se vários tipos de materiais para tratamentos de sementes, desde aquele para formação de um grânulo com material adequado (que permite troca gasosa com o meio), com fertilizantes e rizóbio, tendo no núcleo a semente (semente nucleada), passando por aquele que ainda pode se valer da prevenção da plântula contra ataque de insetos e doenças (uso de inseticidas, fungicidas e bactericidas) como até aquele que se propõe a redução da dormência principalmente nas leguminosas.

4.1 - Formação de pelete

As sementes são tratadas com um revestimento externo. A técnica consiste em agregar às sementes, películas nutritivas e protetoras (poderá conter preventivos de ataques de doenças e insetos) com o objetivo de proporcionar maior vigor às plântulas e, ainda, facilitar o plantio. O tratamento, que contém fertilizante, rizóbio e protetores, é importante para as plantas, suprindo-as com elementos nutritivos, macro e/ou micronutrientes, estirpes de rizóbio e, ainda, protegendo-as dos agentes externos com o objetivo de promover melhor desenvolvimento das plântulas.

O uso de sementes peletizadas possui várias vantagens, como desenvolvimento acentuado de raízes, proporcionando à planta maior crescimento. Estas películas devem ter, como característica básica, permeabilidade aos gases O2 e CO2, ou seja, permitir troca gasosa entre o meio interno de onde se encontra a semente, com meio externo, pois ela respira.

As sementes peletizadas são importantes em sistemas extensivos, onde se valem do plantio aéreo e no sistema Agropastoril, no plantio direto, aquele, no qual se faz o semeio após dessecamento da cultura de grão (comum, no caso da soja).

4.2 - Tratamento preventivo

É uma prática muito utilizada por agricultores que utilizam grandes áreas para a cultura de grãos, no sentido de se prevenirem contra possíveis ataques de pragas e doenças que a cultura possa vir a sofrer, em sua fase de estabelecimento (01 a 35 dias).

Por outro lado, os danos causados por pragas e doenças, no estabelecimento de pastagens, devem ser levados em consideração, principalmente, os danos causados por formigas e cupins. Portanto, o controle é desejável, principalmente, devido ao fato dos plantios serem feitos na superfície do solo, favorecendo, assim, a ação destes insetos.

Hoje, constata-se um crescimento tecnológico apreciável, na área de pastagem. Para acompanhar este crescimento, as Empresas de defensivos se voltam, cada dia mais, para novas pesquisas, procurando atender as necessidades do pecuarista, que, até então, não tinham a sua disposição uma tecnologia apropriada a este fim.

As pragas mais comuns, sujeitas às pastagens, na fase de seu estabelecimento, são: formigas, cupins, gafanhotos, lagartas, coró, percevejo castanho, cigarrinha e outras.

Hoje, há disponibilidade, no mercado sementeiro, sementes tratadas contra estas possíveis pragas.

As sementes são tratadas com o produto adequado para o controle desejado, sendo com pelete ou não.

4.3 - Tratamentos de dormência

Introdução (Seiffert,N. F.)

Alguns conceitos que se referem às sementes devem ser registrados: Quiescência: são os fatores externos que afetam a germinação da semente. Por exemplo: umidade, temperatura, solo mal preparado, dormência etc. Vigor: capacidade que têm as sementes germinadas de garantirem que as plântulas emergidas resistam às condições adversas.

A maioria das leguminosas tropicais apresentam alta porcentagem de sementes duras, ou seja, sementes que não germinam logo após a semeadura. Em muitas leguminosas a porcentagem de sementes duras situa-se entre 69 a 90% e a dormência se deve à presença de uma cobertura impermeável à penetração da água, o que impede a germinação. Em condições naturais, a cobertura torna-se gradualmente permeável, e ocorre a germinação, em certa proporção, de modo que a semente, em cada período, contribui para assegurar a sobrevivência da espécie, principalmente, em regiões onde ocorrem secas.

Quando se implanta uma pastagem, é desejável um rápido estabelecimento da leguminosa, para que possa competir logo com as gramíneas associadas e mesmo com as invasoras. Adicionalmente, as sementes de leguminosas apresentam preço elevado, tornando-se obrigatório o emprego de quantidades mínimas necessárias para se obter a população desejada. Estes motivos são relevantes para que se busque eliminar a dormência das sementes pela escarificação; que deve ser executada antes da inoculação e semeadura, promovendo maior germinação das sementes viáveis.

A prática da escarificação poderá ser dispensável quando for possível o emprego de quantidade generosa de sementes. Algumas leguminosas não necessitam de tratamento, e a simples colheita mecânica é suficiente para escarificação da semente, como acontece com Macroptilium sp e Cajanus sp.
Como as recomendações existentes na literatura apresentam resultados muito irregulares, os métodos de escarificação adequados a cada espécie foram revisados e ampliados nos laboratórios do CNPGC/EMBRAPA. O objetivo é mostrar os métodos que apresentaram os melhores resultados com as forrageiras mais comuns.

Tratamento químico

A escarificação causa o rompimento ou abrasão da película que envolve a semente, o que irá aumentar a permeabilidade à água e, conseqüentemente, estimular a germinação. Esta ruptura poderá ser obtida por métodos térmicos ou químicos. A escolha do método a ser utilizado irá depender das características da espécie da leguminosa com a qual se está operando.

Para se identificar a necessidade de usar a escarificação, sugere-se o seguinte procedimento:

  1. Coletar uma amostra do lote de sementes e efetuar um teste grosseiro de germinação. Para tanto, são colocadas 100 sementes sobre um algodão umedecido, abrigado em um prato ou travessa. Se a temperatura ambiente for superior a 20ºC, dentro de 24 horas, ocorrerá a germinação para a maioria das leguminosas e 72 horas para Leucaena e Soja perene. A contagem do número de sementes germinadas entre 100 permitirá saber-se aproximadamente qual a porcentagem de germinação;
  2. Caso a porcentagem esteja baixa, (menos que 60%) deverá ser empregada a escarificação, usando-se um dos métodos citados no Quadro 1;
  3. Após a escarificação, fazer novo teste de germinação na semente tratada. O aumento na % de germinação deverá mostrar a economia na quantidade de sementes, e, geralmente, situa-se entre 80 a 90%;

Descrição dos métodos de escarificação indicados no Quadro 1

A - Tratamento com ácido sulfúrico concentrado

O ácido sulfúrico é um produto corrosivo, poderoso e os testes mostram que é capaz de escarificar as sementes da maioria das leguminosas. No entanto, não é produto de uso corrente, e, devido a seu preço elevado, e aos cuidados necessários a seu manuseio, presta-se mais ao emprego em laboratório. No entanto, por ser muito eficiente, poderá ser usado, em nível de fazenda, desde que se cumpra cuidadosamente, a rotina abaixo:

  1. Usar ácido sulfúrico comercial 66º BE, e empregar luvas de borracha, em seu manuseio, para evitar queimaduras;
  2. Colocar as sementes em um balde sempre com volume não superior à metade da capacidade do balde. Procurar tratar lotes de até 10 kg de sementes de cada vez;
  3. Despejar, lentamente, o ácido, até que o líquido cubra as sementes. Com um pedaço de madeira, misturar, suavemente, durante meio minuto;
  4. Deixar em repouso, durante o período recomendado para cada espécie, conforme Quadro 1;
  5. Usando uma peneira, derrame a semente para escorrer o ácido, que será recuperado em um recipiente para tratar o lote seguinte;
  6. Lavar, imediatamente, com água, a semente escorrida. A lavagem deve ser criteriosa e poderá ser feita no balde, enchendo-se e despejando-se água pelo menos 5 vezes. A adição de ácido à semente umedecida deve ser feita lentamente. Ao se colocar água sobre o ácido, ocorrerá uma rápida reação com elevação de temperatura. Garanta, portanto, que o excesso de ácido tenha saído pela peneira (com um mínimo de resíduo no balde, antes de derramar a primeira água de lavagem);
  7. A semente assim lavada será colocada para secar na sombra, sobre uma lona;
  8. Não é conveniente armazenar semente escarificada, devendo ser plantada a seguir. Quando necessária, a operação de inoculação e peletização será efetuada na semente seca, já escarificada;
  9. Lembrar ao operador que o ácido é perigoso, tendo ação corrosiva sobre a pele e em caso de contato a área atingida deverá ser lavada com bastante água. Os equipamentos usados na escarificação (balde, peneira, etc) devem ser lavados após a escarificação.

B - Tratamento com soda cáustica comercial - solução a 20%

A soda cáustica comercial é um produto facilmente encontrado nos supermercados, na forma de escamas, sendo usado para desentupimento de pias e fabricação de sabão, na zona rural. Existem, no entanto, diferenças entre as marcas comerciais quanto à ação escarificadora. As marcas comerciais que usam como embalagem latas, apresentam melhores resultados. A soda oferece menor dificuldade de manuseio que o ácido sulfúrico, e pode ser empregada, sem riscos em nível de fazenda. No entanto, por ser um produto corrosivo, deverá sempre ser manuseado com cuidado, seguindo-se as recomendações abaixo:

  1. Usar luvas de borracha para manusear a soda, seja no estado sólido (escamas) ou em solução (dissolvida na água);
  2. Colocar as sementes em um balde metálico ou de plástico ou mesmo tambor, em quantidade que ocupe aproximadamente a metade do recipiente;
  3. Estimar, a "priori", aproximadamente, um volume de solução (água + soda) de forma que venha a cobrir, com folga, a semente dentro do recipiente;
  4. Juntar às sementes do balde a soda em escamas, na proporção de 20% (0,5 kg de soda quando forem necessários 2,5 L de solução; 1,0 kg de soda se forem necessários 5,0 L de solução; 2 kg de soda quando forem necessários 10 L de solução etc..);
  5. Derramar a água sobre a semente e a soda já depositada no balde, na proporção de 80% (2,0 L de água para 0,5 kg de soda; 4 L de água para 1 kg de soda etc). É importante que a água seja adicionada sobre a semente misturada com a soda, porque o efeito escarificador é intensificado pela elevação da temperatura. A água, ao entrar em contato com a soda, irá causar um aumento de temperatura da solução, que atingirá 60 a 70ºC;
  6. Agitar a mistura com um pedaço de madeira, durante meio minuto;
  7. Deixar em repouso, durante o tempo recomendado para a espécie que está sendo tratada, conforme Quadro 1;
  8. Usar uma peneira, escorrendo a solução de soda e lavar as sementes abundantemente trocando a água pelo menos 5 vezes. A solução de soda já empregada não deverá ser usada novamente, porque perde o seu poder de escarificação;
  9. A semente lavada será secada à sombra, sobre uma lona e deverá ser plantada a seguir;
  10. Lembrar ao operador que a soda causa queimaduras sobre a pele e, em caso de contato, a parte afetada deverá ser lavada, imediatamente, com bastante água. Os equipamentos usados na escarificação deverão ser lavados após a execução do trabalho.

C - Tratamento com água quente

Este método é o mais simples de se executar, mas apresenta resultados muitos irregulares para a maioria das leguminosas e mostra eficiência menor que os tratamentos anteriores, a não ser para espécies de Stylosanthes. Os procedimentos são os seguintes:

Tanto nas espécies que exigem água fervente (100ºC), como no caso de Centrosema que não tolera temperaturas acima de 80ºC, a água é aquecida até a temperatura recomendada e despejada sobre a semente na proporção de 2 para 1. Isto é, 10 L de água para 5 kg de sementes, etc.;

Imediatamente após completado o tempo de exposição recomendado para cada espécie (Quadro 1), a água quente deverá ser escorrida e a semente deverá ser colocada a secar à sombra sobre uma lona;

Da mesma forma que nos tratamentos anteriores, recomenda-se efetuar a semeadura o mais breve possível.

Quadro 1 - Leguminosas, modo de escarificação e % de germinação alcançada

Leguminosa Método de escarificação % de Germinação
Cajanus sp. Não necessita de escarificação ----
Calopogonium sp. Imersão em ácido sulfúrico concentrado durante 20 in. 90
Imersão em solução de soda cáustica a 20% durante 20 min. 90
Imersão em água fervente durante 10 min. 40
Centrosema sp. Imersão em ácido sulfúrico concentrado durante 7 min. 95 
Imersão em solução de soda cáustica a 20% durante 10 min. 90
Imersão em água a 80ºC durante 10 min. 70
Leucaena sp* Imersão em ácido sulfúrico concentrado durante 20 min. 95
Imersão em solução de soda cáustica a 20% durante 1 h. 90
Macroptilium sp. Imersão em ácido sulfúrico concentrado durante 20 min. 80
Imersão em solução de soda cáustica a 20% durante 15 min. 80
Imersão em água fervente durante 10 min. 50
Imersão em água à temperatura ambiente durante 24 h. 50
Glycine  sp* Imersão em ácido sulfúrico concentrado durante 20 min. 80
Imersão em água fervente durante 30 min 60
Pueraria sp. Imersão em ácido sulfúrico concentrado durante 25 min. 90
Imersão em solução de soda cáustica a 20% durante 30 min. 90
Stylosanthes sp.    Imersão em ácido sulfúrico concentrado durante 10 min. 95
Imersão em solução de soda cáustica a 20% durante 5 min. 90
Imersão em água fervente durante 10 seg. 90
* Estas leguminosas requerem 72 h para germinar.

* Estas leguminosas requerem 72 h para germinar.

Tratamento mecânico

Escarificação mecânica (raspado). De maneira prática, a dormência da semente se rompe mediante um amaciamento adequado. O tempo requerido dependerá da espécie, e varia de um mês até um ano. Durante o amaciamento, ocorrem mudanças bioquímicas, que preparam a semente para sua germinação; desta forma, a permeabilidade da semente é alterada.

Para pequenas quantidades de sementes, a escarificação poderá ser feita mecanicamente e empiricamente, em pilão ou monjolo. Para tanto, misturar 1 quilograma de sementes mais 1 quilograma de areia grossa. Pilar, vigorosamente, essa mistura por 20 minutos.

Para grandes quantidades de sementes, a escarificação pode ser feita em máquinas de benefício de arroz, ou melhor, no descascador de arroz, quando ele for de pedra sobre pedra e não borracha sobre pedra.

Tratamento com Rizóbio (Lombardi, M. L..C. de O)

Com o aumento populacional crescente e a necessidade da produção, sempre maior, de alimentos, torna-se cada vez mais necessário o aumento da produtividade das culturas, aliado a uma economia maior e à sustentabilidade dos sistemas agrícolas. A fixação do nitrogênio pela associação entre rizóbios e leguminosas preenche esses requisitos.

A fixação biológica do nitrogênio (FBN) é um processo bioquímico em que o nitrogênio atmosférico é incorporado, diretamente, às plantas, após ser transformado em amônia. Essa reação ocorre em estruturas facilmente destacáveis das raízes das plantas, os nódulos, formadas por bactérias da família Rhizobiaceae, denominadas, comumente, de rizóbios, e plantas da família das Leguminosas.

Na Microbiologia do Solo, a FBN é a área que tem recebido maior atenção da pesquisa no mundo todo, devido ao fato de a aplicação prática do processo estar ao alcance de importantes leguminosas cultivadas e aos benefícios econômicos, ambientais e ao retorno à sociedade.

O exemplo, geralmente citado como benefício econômico é a soja, em que a inoculação das sementes com a bactéria específica substitui totalmente a adubação nitrogenada, trazendo para o Brasil uma economia de divisas em torno de 1bilhão de dólares. Outras leguminosas, como o feijão, amendoim, ervilha, lentilha, leguminosas adubos verdes, forrageiras e arbóreas, também podem receber inoculantes, mas não existem estatísticas de ordem econômica semelhantes às realizadas para a soja. Outra vantagem econômica refere-se ao total aproveitamento do nitrogênio fixado, não existindo perdas como as que podem ocorrer quando se utilizam fertilizantes.

No que diz respeito aos aspectos ambientais, a FBN preenche os requisitos exigidos para uma agricultura sustentável. Considerando a sustentabilidade da agricultura como sendo o manejo correto dos recursos que satisfaçam as mudanças necessárias ao homem, aliado à manutenção ou melhora da qualidade ambiental, nota-se que a FBN faz parte de um dos principais componentes dessa sustentabilidade: o processo não despende energia, não polui e enriquece o solo com nitrogênio, o que será aproveitado pela cultura seguinte.

  • Como se beneficiar do processo? Por meio da inoculação das sementes com as bactérias apropriadas, denominadas de estirpes selecionadas, é que a planta entra em contato com o microrganismo para formar a simbiose. Simbiose é o nome técnico da associação íntima que se forma entre as bactérias e a planta.

Embora existam estirpes selecionadas para produção de inoculantes para muitas leguminosas de importância econômica, a ocorrência de rizóbios nativos já presentes no solo, capazes de associar-se a essas culturas, faz com que a maioria dos agricultores não pratique a inoculação. Estirpes são populações diferentes de bactérias.

Inoculação vem a ser, portanto, a maneira de pôr as sementes em contato com os rizóbios. Inoculante é o veículo que contém as bactérias. No Brasil, o veículo mais utilizado é a turfa, mas estão sendo estudadas outras formas de inoculantes.

Os inoculantes são produzidos por empresas registradas pelo Ministério da Agricultura. Existem atualmente, cinco empresas no Brasil, sendo duas no Estado de São Paulo, duas no Paraná e uma no Rio Grande do Sul. Em 1997, o Brasil comercializou 10.550.778 doses de inoculantes e importou 1.094.400.
As estirpes que compõem o inoculante são específicas para a cultura e recomendadas por uma rede oficial de laboratórios. Os pesquisadores envolvidos com a seleção de novas estirpes reúnem-se, bienalmente, para discutir, indicar as diretrizes para novas pesquisas e recomendar novas estirpes para a fabricação dos inoculantes.

  • Inoculação: como fazer? A inoculação das sementes, embora simples, requer alguns cuidados que, se não obedecidos, podem levar ao insucesso e ao descrédito do processo.

Atualmente, recomenda-se a dose de 500 g de inoculante para 50 kg de sementes. O inoculante deve ser bem misturado em uma solução, contendo 15% de açúcar, adicionado às sementes e novamente bem misturado. Deve-se tomar cuidado com sementes não tratadas, pois o açúcar pode favorecer o desenvolvimento de microrganismos que lhes causam danos, ou às plântulas. A inoculação pode ser realizada em tambores giratórios ou em máquinas apropriadas. Deve ser feita à sombra; assim, também, a secagem das sementes inoculadas. Se possível, plantar no mesmo dia e cobrir, logo em seguida, o sulco para evitar a incidência de raios solares, o que pode comprometer a sobrevivência dos rizóbios e a formação da simbiose.

Fatores que influenciam o sucesso da FBN. A eficiência da associação vai depender, além dos cuidados na inoculação, das condições do solo, do estado nutricional da planta e do controle de doenças e pragas.

As condições do solo devem considerar a correção da acidez para que não haja disponibilidade de elementos tóxicos, como alumínio e manganês. Deve-se dar preferência à calagem com calcário dolomítico, pois, além de corrigir a reação do solo, permite bom suprimento de cálcio e magnésio. As adubações com fósforo, potássio e micronutrientes, conforme as recomendadas por meio da análise do solo, garantem bom desenvolvimento às plantas, favorecendo a simbiose. O cobalto é essencial para a fixação do nitrogênio e o molibdênio, para a planta e para a fixação do nitrogênio. Os micronutrientes são, geralmente, fornecidos por ocasião da inoculação das sementes.

Não se recomenda a adubação nitrogenada em leguminosas. O agricultor deve observar se as raízes das plantas estão bem noduladas e se os nódulos estão ativos, o que pode ser feito, cortando o nódulo: o nódulo ativo possui a cor vermelha. Deve, também, ficar atento ao desenvolvimento das plantas, observando a coloração das folhas velhas que se tornam amarelecidas em caso de deficiência do nitrogênio. Nesse caso, procede-se a uma adubação de cobertura. O controle de doenças e pragas deve ser realizado para assegurar um desenvolvimento saudável das plantas.

É melhor que a inoculação seja feita em cada plantio, pois, assim, há maior probabilidade de a planta ser nodulada pela estirpe do inoculante e não as já estabelecidas no solo, que podem sofrer modificações que interfiram na eficiência da fixação do nitrogênio.

Cuidados com o inoculante: atualmente, a legislação brasileira exige um controle rigoroso na qualidade dos inoculantes, sendo obrigatória a utilização de turfa desinfestada. A desinfestação inibe o desenvolvimento de outros microrganismos prejudiciais à sobrevivência dos rizóbios.

Na compra do inoculante, o agricultor deve observar a data de validade e não comprar inoculante com prazo de validade vencido. Armazenar em local fresco e, se possível, em geladeira mas não no congelador.

O Instituto Agronômico, em seu Centro de Solos e Recursos Agroambientais, vem estudando, consistentemente, a fixação biológica do nitrogênio desde 1971. Atualmente, as pesquisas estão voltadas para a busca de estirpes mais eficientes e com maior estabilidade genética, dentro da biodiversidade dos rizóbios nativos, provenientes de áreas cultivadas e sob vegetação natural. Comunidades de rizóbios relativas à cultura do feijão, soja e leguminosas adubos verdes, têm merecido maior atenção. O IAC mantém um banco de germoplasma que conta com aproximadamente 800 estirpes provenientes de diversas leguminosas.

4.4 - LEGISLAÇÃO SOBRE SEMENTES

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, através da Instrução Normativa N°.40, de 12 de junho de 2002 (DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO de 14.06.2002), instituiu novas Normas de Produção de Sementes de Espécies Forrageiras Tropicais, agora, também, com a obrigatoriedade da inscrição dos campos de multiplicação, e, ainda, alterou os Padrões de Sementes, eliminando os índices de Valor Cultural com a fixação dos limites mínimos de Germinação e Pureza para todas as espécies, como segue abaixo:

Quadro 2 - Nome científico, nome vulgar, germinação (%), pureza (%) de gramíneas e leguminosas usadas em pastagens.

POACEAE  – gramínea P (%) G (%)
Andropogon gayanus Kunth (Capim- Andropogon) 40 25
Brachiaria brizantha (Hochst.ex A.Rich) Stapf (Capim-Braquiária ou braquiarão) 40 60
Brachiaria decumbens Stapf (Capim-braquiária) 40 60
Brachiaria humidícola (Rendle) Schweick 40 40
Brachiaria ruziziensis R.Germ.et Evrard (Capim-braquiária) 50 60
Cencrhus ciliares L. (Capim-Buffel) 40 30
Eleusine coracana (L.) Gaertn. (Capim pé de galinha) 95 60
Hyparrehenia rufa (Nees) Stapf (Capim- Jaraguá) 25 40
Melinis minutiflora P.Beauv. (Capim-gordura) 30 50
Panicum maximum Jacq. – Cultivares: Mombaça e Tanzânia 1 30 60
Paspalum atratum Swallen (Capim-Pojuca) 40 50
Paspalum notatum Flügge = Paspalum saurae (Parodi) (Pensacola) 90 60
Pennisetum glaucum (L.) R.Br. emend. Stuntz  (Milheto) 95 75
Setaria anceps Stapf ex Murray (Setaria) 50 40
Pennisetum glaucum (L.) R.Br. x P. purpureum Schum. (Capim-elefante cv. Paraíso) 40 25
     
FABACEAE – Leguminosa P (%) G (%)
Arachis pintoi Krapov. e W.C.Gregory (Amendoim – forrageiro) 70 60
Cajanus cajan (L.) Millsp. (Guandu) 95 60
Calopogonium mucunoides Desv. (Calopogônio) 85 60
Centrosema pubescens Benth. (Centrosema) 95 60
Crotalaria juncea L.  (Crotalaria) 95 70
Dolichos lablab L. (= Lablab purpureus (L.) Sweet) (Lablab) 95 70
Galactia striata (Jacq.) Urban (Galactia) 95 60
Neonotonia wightii (Wight et Arn.) J.A.Lackkey = Glycine javanica L. (Soja-perene) 95 60
Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit (Leucena) 95 60
Macroptilium atropurpureum (DC.) Urban (Siratro) 95 60
Mucuna pruriens (L.) DC. (Piper et Tracy) Holland (Mucuna-preta) 95 70
Pueraria phaseoloides (Roxb.) Benth.(Kudzu) 95 60
Stylosanthes capitata Vog. (Estilosantes) 95 60
Stylosanthes guianensis (Aublet) Sw. (Estilosantes) 95 60
Stylosanthes macrocephala M.B.Ferr.et N.S.Costa (Estilosantes) 95 60
     
BRASSICACEAE (Cruciferae) P (%) G (%)
Raphanus raphanistrum L. (Nabo-forrageiro) 95 60

ABRASEM e BRASPOV


ABRASEM e BRASPOV levam ao Presidente Lula o reconhecimento do setor sementeiro

Em manifestação conjunta, as duas entidades do setor de sementes encaminharam ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na sexta-feira, dia 23, uma carta onde analisam os efeitos da sanção da Lei 11.460/2007 pelo Presidente da República. De acordo com as duas entidades "a sanção foi um final feliz e justo para o debate transcorrido desde o ano passado em relação aos dispositivos que entravavam o uso de biotecnologia na agricultura, já sob a égide da nova Lei de Biossegurança (11.105/2005)."

Segundo a avaliação dos produtores representados pela ABRASEM - Associação Brasileira de Sementes e Mudas e pela BRASPOV - Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais, houve uma demonstração clara de que, a partir de agora, o processo relativo a novos cultivos transcorrerá com mais tranqüilidade. "A definição de distâncias nas áreas próximas a unidades de conservação chamadas zonas de amortecimento e do quorum mínimo da CTNBio, assim como as decisões relativas ao uso ilegal de OGM’s no Brasil e as ações de fiscalização reiteradas pelo veto a um artigo da lei como de responsabilidade do Ministério da Agricultura, demonstram claramente que o Brasil, por meio do esforço conjunto dos poderes Legislativo e Executivo, finalmente está a caminho da normalidade jurídica com a devida precaução no tocante à aplicação de biotecnologia na agricultura brasileira."

As duas entidades também se pronunciaram sobre a sanção presidencial ao quórum mínimo: "Houve o resgate da coerência em relação às demais comissões técnicas multidisciplinares do governo, aplicando maior celeridade nas necessárias análises de cada novo evento GM proposto pela pesquisa. A decisão também deixou claro que a CTNBio é fórum técnico de análise baseada em ciência, permanecendo com o CNBS as decisões de cunho estratégico e político, o que certamente reduzirá o potencial de interferências ideológicas no assunto."

Os produtores consideram ainda que o único veto do Executivo ao projeto de lei de conversão aprovado pelo Congresso também foi acertado já que valorizou as ações de fiscalização do MAPA que são referendadas pela CTNBio. "Com isto, os órgãos não foram desautorizados nem se criaram precedentes à desobediência civil, encorajando o cumprimento da lei no País", afirmaram na carta ao Presidente Lula.

Reiteraram ainda que a ABRASEM e a BRASPOV sempre defenderam o uso da biotecnologia dentro da legalidade, tanto no que se refere a eventos GM (Lei 11.105), como ao uso de sementes de origem legal, de acordo com o Sistema Nacional de Sementes (Lei 10.711). Segundo elas, a decisão do Presidente da República foi uma demonstração inequívoca de que "tanto o Legislativo quanto o Executivo estão resguardando o direito à propriedade intelectual e o uso legal de sementes, a única forma de preservar e incentivar novos investimentos em tecnologia no Brasil."

5 – LITERATURA CONSULTADA

ABRASEM – Associação Brasileira de Sementes e Mudas. www.abrasem.com.br

LOMBARDI, M.L.DE O. Fixação biológica de nitrogênio atmosférico. Instituto Agronômico, Centro de Solos e Recursos Agroambientais. O Agronômico, 51(1), 1999

SEIFFERT, N.F.1982. MÉTODOS DE ESCARIFICAÇÃO DE SEMENTES DE LEGUMINOSAS FORRAGEIRAS TROPICAIS. Comunicado Técnico Nº.13 Outubro

 
     
 
   
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